Diário da Região

18/08/2013 - 00h50min

A preferida

Nossa Senhora reina em terras de São José

A preferida

Guilherme Baffi De cada dez imagens vendidas, seis são de Nossa Senhora ou uma de suas denominações
De cada dez imagens vendidas, seis são de Nossa Senhora ou uma de suas denominações

Na terra de São José, quem reina é uma santa: Nossa Senhora de Aparecida. A preferida dos católicos, padroeira do Brasil, é presença garantida nas lojas de artigos religiosos ou nas casas dos fiéis de Rio Preto e empresários do setor confirmam: de cada dez imagens vendidas, em média, seis são alguma variação de Maria, a mãe de Jesus.


Dados do censo do IBGE apontam que 58,7% da população do município é católica. Isso representa que 245 mil pessoas, com maior ou menor intensidade, são devotos que alimentam um mercado que inclui desde pequenas imagens até imponentes estátuas de santos de diversos tamanhos e preços. Nas lojas é possível encontrar imagens das mais variadas versões de Nossa Senhora, que custam de R$ 8 ao exemplar mais caro encontrado pela reportagem, no valor de R$ 680. Com cerca de um metro de altura, a santa aguarda comprador há quatro anos, diz a proprietária da loja, Sandra Lima.


Há 25 anos no mercado, a Paulus, mantida pela Pia Sociedade de São Paulo, é uma das mais tradicionais na comercialização de produtos católicos. A vendedora Maristela Gonçalves confirma preferência do rio-pretense por Nossa Senhora. “Vende o ano todo, independente de data, do dia”, afirma.


Denominações


Maria é representada e nomeada de diferentes formas nos locais onde teria aparecido. São mais de 2 mil denominações aceitas pela Igreja. Segundo Maristela, as duas imagens mais procuradas na loja de Rio Preto são Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora das Graças. A mais cara é uma imagem feita com resina importada de Portugal, que custa R$ 565.


A vendedora explica ainda que a comercialização de outros santos está ligada mais diretamente à data de comemoração estipulada pela Igreja Católica. Entre os que possuem maior número de devotos surgem Santo Antônio, Santo Expedito e São Judas. No ranking feminino da preferência, Santa Rita, Santa Teresinha e Santa Edwirges, entre outros.


Há 15 anos no mercado, o empresário Adilson Meneghel Silveira, dono da Indiana artigos religiosos, tem praticamente metade das prateleiras de sua loja composta por imagens de santos cristãos. O mais caro deles, uma imagem de 60 centímetros de São Jorge, que custa R$ 360. É o vice-campeão de vendas. “Só perde para Nossa Senhora”, confirma Meneghel.


Todos os bolsos


O Diário pesquisou artigos religiosos e os preços das imagens dos santos mais populares dos rio-pretenses e encontrou valores a partir de R$ 8. Em média, segundo lojistas, as que mais saem custam em torno de R$ 20 e têm até 20 centímetros.


“Atualmente os clientes preferem as imagens de resina, que são importadas. Os preços variam de acordo com os fornecedores e qualidade do material. Algumas possuem um acabamento melhor e são mais detalhadas”, diz Maristela, da loja Paulus. “Já as imagens maiores, que variam de 30 centímetros a um metro, a preferência é por materiais de gesso.”

Hamilton Pavam Adélia Ferrarezi com imagem de São Benedito, que deu início à capela

Uma capela em casa

Não é apenas nas igrejas e missas que a devoção dos fiéis é manifestada. Nas residências, também é possível encontrar desde pequenos altares até salas especialmente construídas junto com projeto inicial do imóvel que se transformam em verdadeiras capelas. É o caso da família da aposentada Adélia Ferrarezi, que há 17 anos mantém uma capelinha em casa. No altar principal, fica a imagem de Nossa Senhora da Conceição rodeada pelo menino Jesus e outras imagens como de São Benedito e São Judas.Segundo ela, o local foi planejado junto com a construção da casa depois de a família comprar a imagem da santa em Ubatuba, litoral norte. “A vimos pela primeira vez em 1977, mas era muito cara e ficou na loja nos esperando até 2003, quando compramos”, lembra Adélia. Adélia diz que ela e o marido Antonio Carlos rezam diariamente na capela. A família sempre foi muito católica e a ideia de montar a capela surgiu com um exemplar de São Benedito feito de barro que tem aproximadamente 70 anos e foi de sua mãe.

Hamilton Pavam Maria de Lurdes atribui cura alcançada ao pedido que fez a Nossa Senhora

Tradição de manter altares em casa resiste ao tempo

Sobre a penteadeira, a dona de casa Alícia Isméria Cicote reúne 16 imagens num pequeno altar que mantém há mais de duas décadas em casa. Pelo menos seis delas são variações de Nossa Senhora e só dois são santos: São Judas (das causas impossíveis) e São Peregrino (protetor do doentes). Diariamente, às 15h, ela e o marido rezam.Manter altar em casa é uma tradição herdada dos pais, explica Alicia que frequenta as missas da comunidade São Judas Tadeu. Segundo ela, a maioria das imagens foi presente de parentes ou amigos. A mais antiga, uma Nossa Senhora, tem cerca de 70 anos e foi trazida por sua mãe direto de basílica de Aparecida do Norte.Alicia tem um casal de filhos e diz que um dos desafios é passar para eles a tradição, mas admite ser difícil. Segundo ela , apenas a mais velha, chamada Claudia, mantém alguns hábitos católicos. “Ela não vai à igreja, mas tem a fé dela.” A maioria dos devotos sempre possui uma história de fé e comoção. É o caso da dona de casa Maria de Lurdes Abreu, que também possui um pequeno altar na penteadeira do quarto com duas Nossa Senhora Aparecida. Segundo ela, uma das imagens foi comprado depois que a santa atendeu um pedido de cura.“Há 13 anos acordei mal pela manhã e os médicos achavam que era um princípio de AVC (Acidente Vascular Cerebral). Indo para o hospital eu pedia em voz alta que não fosse nada de ruim, que não ficasse com sequelas e que, se atendida, iria buscar uma imagem em Aparecida do Norte. Fiquei bem e cumprimos a promessa”, diz Maria de Lurdes, com a imagem da santa nas mãos. Força femininaA devoção por Nossa Senhora, segundo o teólogo Telmo José Amaral de Figueiredo, é natural diante da maciça participação da mulher na Igreja Católica ao longo dos anos. “Ela é mãe do Salvador e sempre esteve presente no Cristianismo, foi quem conduziu os apóstolos após a morte de Jesus.” Segundo ele, ao longo dos séculos a figura de Nossa Senhora acabou se consolidando como a matriarca da Igreja. “Antropologicamente falando, como Deus é Pai, Maria se consolidou como a Mãe”, fala.Padre Telmo cita as inúmeras denominações dadas à Maria de Nazaré. Na França, ela ficou conhecida como Nossa Senhora de Lourdes, por uma das aparições ter ocorrido na cidade de Lourdes. Já em Portugal, é Nossa Senhora de Fátima. No Brasil, diz, a imagem descoberta em Aparecida, que deu origem ao maior santuário do País, é de origem portuguesa. Devoção dá início a nomeRio Preto tem 37 paróquias católicas, a maioria delas com nomes relacionados a santos e pelo menos uma dezena com variações de Nossa Senhora, incluindo a Basílica. Segundo a assessoria da Diocese, a criação de paróquias se dá através de um decreto do bispo e o nome vem geralmente da comunidade de fiéis, que começa a se reunir em torno de um santo de devoção.Em alguns casos, essas reuniões acontecem até na casa de moradores da região e com o crescimento da comunidade os fiéis decidem construir uma capela, que também precisa de autorização do bispo, para se reunirem até tomar proporção de paróquia.Geralmente, a origem de uma paróquia está muito ligado ao próprio crescimento populacional da região, explica a assessoria de imprensa da Diocese. “A escolha do nome é inciativa da comunidade, mas quando for dado o decreto de criação o bispo precisa dar seu aval.” Quer ler o jornal na íntegra? >> Acesse aqui o Diário da Região Digital

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