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Diário da Região

03/05/2015 - 00h02min

Fit for work

Movimento foca doenças do trabalhador

Fit for work

Stock Images/Divulgação NULL
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Preocupadas com os impactos negativos das doenças musculoesqueléticas (DMEs) - como artrites, artroses, artrite reumatoide, dorsopatias e fibromialgia - na saúde da população, na produtividade das empresas e no desenvolvimento socioeconômico do País, sete organizações representativas de médicos, pacientes e especialistas em trabalho e qualidade de vida lançaram o movimento "Fit for Work Brasil". 

O grupo elaborou uma carta de intenções com uma série de propostas que visam a contribuir para a melhoria do atendimento aos portadores desses distúrbios, que foram, em 2012, a principal causa de aposentadoria por invalidez, com 380.222 casos, ou seja, 26,4% do total. "O sistema musculoesquelético representa 40% do nosso corpo e não merece a atenção devida. Incrível que artrites, dores da coluna e outros distúrbios, que atingem tantos brasileiros, não são encarados como problema de saúde pública. 

Precisamos mudar essa realidade", afirma a fisiatra rio-pretense Regina Chueire, presidente da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR), uma das sete entidades parceiras do "Fit for Work". Apesar de seu impacto na vida e no trabalho da população, muitas dessas doenças ainda são desconhecidas. Conforme pesquisa feita pelo Ibope, encomendada pelo movimento, realizada com quatro mil pessoas, apenas um em cada quatro entrevistados conhece ou já ouviu falar sobre o termo doenças musculoesqueléticas. 

No entanto, a dor na coluna foi o principal problema associado ao termo depois da leitura do conceito pelo entrevistado. Segundo a pesquisa, 35% relataram ter dores nas costas; 18%, artrite reumatoide; 14%, osteoporose, e 10%, artrose. Regina, que também é diretora do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro em Rio Preto, chama a atenção para um fator preocupante: o número alto de pessoas que não procuram nenhum tipo de tratamento. 

Segundo ela, o movimento "Fit For Work" prega a intervenção precoce para o diagnóstico e o tratamento, evitando, assim, que o paciente chegue ao ponto de ter sua capacidade para o trabalho comprometida. "O trabalho não adoece, o que é preciso é que o trabalho seja em um ambiente seguro e saudável", considera a especialista. "O primeiro passo é diagnosticar as causas, que podem ser ergonômicas", reforça. 

Há cerca de três meses, o Lucy Montoro conta com atendimento ambulatorial, às segundas-feiras, com equipe multidisciplinar, voltada às doenças muscoesqueléticas, envolvendo profissionais como terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, psicólogo e nutricionista. É preciso ser encaminhado pelo serviço de saúde e passar por triagem. 

 

Fisiatra Regina Chueire Fisiatra rio-pretense Regina Chueire: “Incrível que artrites, dores da coluna e outros distúrbios, que atingem tantos brasileiros, não são encarados como problema de saúde pública. Precisamos mudar essa realidade”

Digitadora há cerca de 15 anos, Jaine Padilla, 45, conta que há cinco anos suas dores tornaram-se insuportáveis. Há cerca de um mês, ela deu início ao tratamento, que inclui o uso de órteses, acompanhamento com fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. O diagnóstico: tendinopatia (inflamação nos tendões). Jane não precisou afastar-se do trabalho e diz que agora evita teclar em seus momentos de descanso. 

Para o médico Alberto Ogata, diretor técnico da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), o impacto dos distúrbios musculoesqueléticos só pode ser minimizado, de forma eficaz, com uma iniciativa multidisciplinar. "Pelos seus números, esse já é um problema nacional de saúde pública. A meta das entidades parceiras é contribuir para o diagnóstico precoce, o consequente tratamento adequado e promover a reabilitação e reintegração do paciente ao mercado de trabalho, com segurança e qualidade de vida."

 

 

Entenda mais

  • As doenças muscoesqueléticas compreendem processos inflamatórios e degenerativos de nervos, ossos, músculos, tendões, ligamentos, articulações, cartilagens e discos invertebrados, que podem resultar em dor e limitação funcional, sendo as regiões lombar, cervical, ombros e antebraço as mais comumente afetadas
  • Entre as propostas do movimento “Fit for Work Brasil” está elaborar uma agenda para estimular a criação de um programa nacional de políticas públicas com foco na prevenção, promoção da saúde, diagnóstico e tratamento precoce, reabilitação funcional e readaptação ocupacional das pessoas com DMEs
  • Criado na Europa em 2007 pela Work Foundation, o Fit for Work é liderado no Brasil pela ABQV, com a parceria da ABMFR e outras entidades

 

 


 

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