Diário da Região

06/09/2012 - 00h43min

No alvo

Estudos investigam diferentes tipos de câncer de mama

No alvo

www.sxc.hu/Divulgação A estimativa é que, no Brasil, apareçam mais de 52 mil casos de câncer de mama este ano
A estimativa é que, no Brasil, apareçam mais de 52 mil casos de câncer de mama este ano

O câncer de mama é o segundo mais frequente na população mundial, perde apenas para o melanoma. E a expectativa é que, no Brasil, mais de 52 mil pessoas tenham a doença, só em 2012, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Agora, o que também preocupa as autoridades são os dez subtipos da doença catalogados pelo recente estudo financiado pelo Instituto de Pesquisa do Câncer da Grã-Bretanha, publicado pela revista científica Nature, que apontam para diferentes formas da doença se apresentar, com variados graus de maleficência.


Só é possível identificar qual o subtipo após se identificar o gene e submetê-lo a um tipo específico de marcador. E cada tipo requer um tratamento diferenciado. Enquanto não se sabe quais os tratamentos eficazes para todos os tipos, o mais importante é que o diagnóstico da doença seja realizado o mais precocemente possível.


No Brasil, a estimativa do Inca é que o câncer de mama, este ano, já tenha causado a morte de mais de 12 mil pessoas, entre homens e mulheres. Muito disto, acontece em função da detecção tardia da doença, uma vez, que diagnosticado de forma precoce, a maioria dos casos pode ser tratada com boas chances de erradicação. A despeito de existir inúmeras formas de se identificar a doença, ainda é baixo o número de casos diagnosticados no início.


Hoje é possível rastrear o mal a partir dos 35 anos. E dentre as formas para isso estão: o ultrassom de mama, mamografia, exame clínico, entre outros. O fato é que muitas pessoas deixam para procurar o médico quando a doença já está instalada e com sintomas clássicos do seu avanço, tais como dor na mama, nódulos e/ou alterações importantes, seja na cor do mamilo, seja na textura da pele, que pode ficar parecida com o aspecto de uma casca de laranja.


Pesquisa


O coordenador do estudo britânico, o português Carlos Caldas, da Universidade de Cambridge, e outros 20 pesquisadores de diversas instituições, concluíram um novo mapa do câncer de mama. O levantamento foi feito a partir do detalhadamente genética celular de mais de 2 mil tumores. Com isto foi possível saber quais genes haviam sofrido mutação, quais estavam se multiplicando e quais estavam sendo desligados.


Após as análises, as células cancerígenas foram agrupadas em dez diferentes classificações, denominadas “IntClust” um a dez. Por este motivo, este já é considerado o maior estudo realizado sobre os diferentes tipos de tumores de câncer de mama. O que permitirá que novas formas de se avaliar e diagnosticar a doença sejam pesquisadas. A expectativa é que isto mude o tratamento dado ao combate do câncer de mama nos próximos anos de forma efetiva.


Exame digital


Um outro estudo recente, divulgado pela Lancet, aponta que a realização da mamografia entre os 40 e 49 anos de idade é a melhor maneira de salvar vidas. O estudo realizado com 6.710 mulheres, na Inglaterra, com algum histórico de câncer na família, avaliou os exames anuais das pacientes por quatro anos. O resultado mostrou serem necessárias cinco mil mamografias para evitar uma morte por câncer de mama.


A boa notícia é que, atualmente, não só a mamografia convencional é passível de ser usada no diagnóstico rápido do câncer de mama, mas também já é possível contar com o exame digital, denominado de tomossíntese. Ele permite a observação da mama em três dimensões, com cortes bem mais finos que a mamografia.


Graças aos avanços tecnológicos é possível capturar várias imagens bidimensionais da mama durante o deslocamento do tubo de raios X. E quem possui o equipamento em sua clínica é a radiologista Selma di Pace Bauab, da MamaImagem de Rio Preto, que afirma ser o aparelho capaz de não apenas realizar o exame, como também de oferecer mais conforto e precisão.


“Em uma compressão são obtidas imagens em 2D e 3D, e através da tecnologia digital é possível a reconstrução da mama em cortes de um mílimetro. Com isso, temos menor número de repetições de radiografias, mais precisão diagnóstica e maior confiabilidade no exame”, diz.


O método de obtenção de imagens digitais da mama agrega o princípio de detecção do sistema digital com o princípio da produção de imagem da tomografia linear. Depois, com a ajuda de um computador, é possível reconstruir imagens de toda a mama com espessura de um milímetro.


“Com isso, há melhor definição das bordas das lesões (fator fundamental para a definição de seu aspecto benigno ou maligno), melhor detecção de lesões sutis e excelente localização espacial, pois saberemos em qual plano a lesão é detectada”, explica Selma Bauab.


A nova técnica aumenta em cerca de 15% a possibilidade de detecção do câncer da mama em comparação com mamografia digital isolada. Outra vantagem é a diminuição do sofrimento das pacientes que não têm o câncer, mas somente nódulos suspeitos. Isso porque a tomossíntese trará aumento da sensibilidade e especificidade do exame. Assim, será mais fácil detectar também os tumores menores, tratá-los precocemente e melhorar a qualidade de vida de quem está com câncer de mama.


“O diagnóstico precoce permite que tumores menores possam ser tratados com o uso de cirurgias menos mutilantes e com menor custo no tratamento”, diz a médica. A tomossíntese promete diminuir também outros riscos. O equipamento tem aprovação da Anvisa e do FDA e as doses de radiação são compatíveis com as aprovadas pelas entidades acima, observa Selma.


Cada exame pode produzir, com apenas uma exposição, em torno de 50 imagens de uma única mama. “Essas imagens podem ser melhoradas digitalmente, através da aplicação de inúmeros algoritmos matemáticos, sem a necessidade de repetição do exame e apresentar ao médico, ao mesmo tempo, uma visão global de toda área da mama em todos os ângulos possíveis”, afirma.

Divulgação Exame digital tomossíntese: mais precisão na investigação

Diagnóstico preciso melhora resultados do tratamento

A vantagem de se saber qual o tipo específico do câncer de mama, é que os profissionais vão poder melhorar o tratamento para cada tipo da doença. Como já acontece com a combinação dos medicamentos - que ainda aguarda aprovação da Anvisa, embora já seja aprovado pelo FDA (agência de regulamento de remédios e alimentos dos Estados Unidos) - para controle do câncer de mama metastático RH+. Sob o nome comercial Afinitor (everolimus) e Aromasin (exemestano), a medicação de uso oral, que trabalha inibindo uma proteína conhecida como a proteína mTOR desempenha um papel importante regulando a divisão celular e o crescimento dos vasos sanguíneos das células cancerígenas. No Brasil só é aprovado, por enquanto, para uso em pacientes com câncer de rim e outros tumores neuroendócrinos. A expectativa para que o fármaco seja liberado é grande, uma vez que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 220 mil mulheres são diagnosticadas, anualmente, com este tipo de câncer em estágio avançado (3,4) e há mais de 15 anos não existe qualquer novidade para pacientes com esse perfil.O medicamento integrou o estudo Bolero-2. Os resultados confirmaram que a molécula everolimo administrada em combinação com a terapia hormonal (exemestano) prolongou em mais de duas vezes o tempo de sobrevida livre de progressão da doença em pacientes com câncer de mama avançado receptor hormonal positivo (RH+). Além disso, houve redução de 55% no risco de progressão da doença com a terapia combinada de everolimo + exemestano quando comparada com o tratamento apenas com exemestano. Segundo Socorro Portella, diretora médica da Novartis Oncologia no Brasil, laboratório que briga pela aprovação do medicamento no País, esses resultados podem representar uma importante mudança de paradigma e uma revolução no tratamento do câncer de mama avançado. “Atualmente, mais de 50% das mulheres não respondem ao tratamento inicial com a terapia hormonal e as que respondem desenvolvem resistência ao tratamento com o tempo. O everolimo tem se mostrado eficaz, pois atua justamente para ‘romper’ com essa resistência, adiando a necessidade de quimioterapia”, explica.Vítima de dois nódulos na mama, a esteticista O.M.A., 53 anos, relata que sua vida tomou um rumo totalmente desconhecido, a partir do momento em que seu médico a informou sobre o fato deles serem malignos. Cinco anos se passaram e ela já mastectomizada da mama esquerda tem de conviver com o fato da doença ter reaparecido no outro lado. Ela confessa que nada é tão dramático quanto ter de se submeter todos os dias a sessões de quimioterapia e viver com a incerteza de qual será o desfecho de seu tratamento. “Agora estou melhor, e mais confiante, mas logo que soube que estava no outro seio não tinha uma noite que conseguisse pregar os olhos. Enquanto não surgem novos tratamentos, o jeito é torcer para que a quimio funcione”, diz. O Sistema Único de Saúde (SUS) já disponibiliza o trastuzumabe para o tratamento do câncer de mama. E esta conquista é importante e significativa para as pacientes com câncer de mama, segundo a mastologista Maira Caleffi, presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas em Saúde da Mama (Femama), que reúne 56 ONGs em todo o País. Ao entrar na lista do SUS, inúmeros pacientes com câncer de mama HER2-positivo (câncer de mama também muito agressivo, que tem altos índices de metástases em órgão nobres) passaram a ser beneficiados. A medicação reduz, segundo estudos, a mortalidade em até 33% e as chances de recorrência de 39 a 52%. ServiçoNos dias 21 e 22 de setembro, o Núcleo de Enfermagem em Oncologia, em parceria com os departamentos de Ginecologia e Psiquiatria, da Unifesp, oferecem o curso “A Comunicação nas Diversas Fases do Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Mama”, destinado aos profissionais da área da saúde. Informações: www.dpdphp.epm.br/acad/siex/index.htm e (11) 5575-3451

   

   

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