Diário da Região

20/01/2010 - 07h58min

Gravidez de risco

Câncer na placenta afeta 20 mil mulheres no mundo

Gravidez de risco

Lézio Júnior/ Editoria de arte  
 

A gestação pode ser um período de muita alegria, mas também alvo de muita tristeza, especialmente se vier acompanhada de algumas complicações da gravidez. A boa notícia é que para alguns transtornos nesta fase, já existe tratamento.


Uma das complicações que afetam muitas gestantes mas do qual pouco se fala é a Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG), o câncer na placenta, também conhecido como gestação molar, que chega a atingir todos os anos no mundo 20 mil mulheres, mas que, se não for tratado de maneira adequada, com quimioterapia, pode chegar a 40 mil, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).


Segundo o médico Paulo Belfort, que está à frente da Sociedade Brasileira de Neoplasia Trofoblástica Gestacional, no Rio de Janeiro, “a maior preocupação é com o futuro reprodutivo das pacientes, também conhecidas como molares, e com sua condição psicológica, fatores que dificilmente serão encontrados em hospitais que não os especializados”, diz.


A falta de conhecimento de muitos médicos sobre o problema leva pacientes a sofrer nas mãos de profissionais despreparados. “Em geral, eles perfuram o útero da paciente em curetagens repetidas e quase sempre desnecessárias, retiram os ovários de mulheres jovens (os ovários tornam-se císticos, volumosos, em cerca de 40% a 50% dos casos) e não sabem como sistematizar o acompanhamento da doença”, afirma Belfort.


Em um congresso a respeito do assunto realizado no ano passado, no Rio, o palestrante Ernest Korhorn, um dos maiores oncologistas do mundo e professor de ginecologia obstetrícia da Universidade de Yale, nos EUA, afirmou que, com o tratamento adequado, a maioria das neoplasias trofoblásticas tem cura e resulta em taxa de sobrevida próxima a 100%, com preservação da fertilidade.


Belfort concorda com a estimativa e afirma: “A NTG é uma doença frequente, de fácil diagnóstico, porém muitas vezes diagnosticada, tratada e até acompanhada de maneira incorreta quando fora de centros especializados. Esse diagnóstico causa sofrimento às pacientes, que já estão sensibilizadas por sua doença e fracasso gestacional, interferindo assim em sua libido, em seu potencial reprodutivo futuro e, quando não, levando à morte. Por esses motivos é tão importante o alerta à população sobre a doença”, diz.


Segundo o médico, a doença deve ser considerada como um problema social, com prevalência em países subdesenvolvidos. “A realidade, no entanto, é bem diversa, uma vez que as instituições ignoram ou desconhecem a patologia”, explica o especialista. Dentre os sinais e sintomas que podem afetar a gestante estão o sangramento, a perda de peso, anemia, náuseas e o aumento do volume uterino, entre outros.


Na prática, todos pensam a gravidez como sinônimo de preparativos, expectativas e emoções à flor da pele. Mas o período gestacional também exige cuidados, especialmente quando há sintomas aparentemente normais, disfarçados de inimigos, que podem confundir o diagnóstico de uma doença recorrente no Brasil - e que afeta na maioria dos casos mulheres de classes sociais baixas, com idade superior a 45 ou inferior a 18 anos.


Fertilidade preservada no tratamento


Com o passar dos anos, já não existem tantas doenças que a medicina não consiga solucionar. É o caso, por exemplo, das mulheres em tratamento contra o câncer. Até pouco tempo atrás, elas tinham suas chances de gravidez reduzidas em mais de 90%, já que tratamentos de quimioterapia ou radioterapia, em grande parte das vezes, comprometiam totalmente a fertilidade.


As novas técnicas de reprodução assistida permitem a mudança desse cenário. Um dos exemplos é um programa de preservação da fertilidade para pacientes que serão submetidas a tratamento oncológico, assim como para mulheres que desejam adiar a gestação, seja por motivos sociais, laborais ou problemas de saúde.


Anteriormente, os protocolos de indução ovariana, etapa inicial dos tratamentos de reprodução assistida (quando os ovários são estimulados a produzir vários óvulos), eram considerados fatores agravantes para determinados tipos de câncer.


As novas técnicas permitem que se obtenham óvulos de forma segura, não interferindo no tratamento oncológico. “O procedimento é feito por meio da estimulação ovariana antes de se iniciar o tratamento do câncer. É altamente seguro e sem risco de comprometimento do prognóstico da paciente”, explica Marco Antônio Melo, de São Paulo, especialista em medicina reprodutiva.


Ele afirma que a paciente é tratada com medicação específica - com baixa dosagem hormonal - e rigorosamente monitorada para que não exista risco de agravamento do quadro clínico do câncer. A descoberta de um problema ainda na gestação, ainda que assuste, traz a possibilidade de um preparo emocional e da criação de um vínculo ainda maior com o bebê. E é nesta linha que aposta a publicação “Cartilha das mães de UTI”, produzida pelo Instituto Abrace e disponível para baixar na internet (www.institutoabrace.org.br), para orientar mães e pais que enfrentam dificuldades nesta fase.


Saiba mais:


:: A Neoplasia Trofoblástica Gestacional é proveniente de uma complicação da gestação, resultado de uma má fertilização, gerando anormalidades nas células que formarão a placenta;


:: Na gestação molar completa, o óvulo fertilizado não possui cromossomos da mãe e os do pai são duplicados. Sendo assim, não há embrião, membrana amniótica nem qualquer tecido placentário. No lugar, a placenta forma uma massa de cistos que se assemelha a um cacho de uvas. A maneira mais segura de identificar a doença é por meio de uma ultrassonografia a partir da 8ª semana de gestação;


:: Na gravidez molar parcial, o óvulo fertilizado tem o conjunto normal de cromossomos da mãe, mas o dobro dos do pai, totalizando 69 cromossomos em vez de 46. Nesses casos, há tecido placentário junto com os cistos e o embrião começa a se desenvolver. Porém, mesmo que ele esteja presente, não terá condições de sobreviver e virar um bebê; ? Os fatores de risco são maiores em mulheres de classes sociais mais baixas, devido à alimentação deficiente, com baixo consumo de proteínas e de vitaminas - principalmente a vitamina C -, em mulheres asiáticas, africanas, latino-americanas e índias, ou com menos de 16 anos e com mais de 35.


:: Além disso, mulheres com antecedente de gravidez molar também têm mais riscos de desenvolver a doença outra vez.


:: A boa notícia é que com o tratamento adequado, a maioria das neoplasias trofoblásticas tem cura e resulta em taxa de sobrevida próxima a 100%, com preservação da fertilidade, segundo o médico Paulo Belfort, presidente da Sociedade Brasileira de Neoplasia Trofoblástica Gestacional.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso