Diário da Região

26/10/2003 - 13h05min

Mata

?Banco de árvores? preserva espécies nativas

Mata

Carlos Chimba A aroeira resiste a 696 quilos por centímetro quadrado
A aroeira resiste a 696 quilos por centímetro quadrado
A região de Rio Preto está fornecendo material para a criação de um banco genético de árvores, estudo que tem o objetivo de acabar com a ameaça de extinção de algumas espécies encontradas nos fragmentos de matas do Noroeste paulista. A pesquisa é conduzida por docentes do curso de agronomia da Faculdade de Engenharia (Feis) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Ilha Solteira, cidade a 210 quilômetros de Rio Preto. O berço verde da região e fonte para a pesquisa fica em Paulo de Faria, a 100 quilômetros de Rio Preto, que guarda uma estação ecológica com área de 435 hectares de cobertura vegetal natural, o equivalente a 565 campos de futebol. Segundo o coordenador do projeto, o engenheiro agrônomo Mário Luiz Teixeira de Moraes, a idéia é manter a conservação genética de árvores que estão fora de seu ambiente natural, a fim de aumentar a produção de matéria-prima arbórea.

?A Estação Ecológica de Paulo de Faria tem um papel fundamental na conservação das espécies. É o último remanescente do Estado e considerada um patrimônio público de valor inestimável?, diz. Entre as espécies mais atingidas pela devastação está a aroeira, por ter madeira durável e de alto valor comercial. É de Paulo de Faria que sai parte das sementes dessa árvore usadas no projeto de conservação genética. A pesquisa está restrita, por enquanto, a essa espécie, por falta de recursos que permitissem ampliá-la. O projeto também conserva espécies como seringueira, jatobá-do-cerrado, jacarandá-caroba, grevillea, pinus e eucalipto. ?A devastação da cobertura florestal no Estado de São Paulo é exagerada e muitas espécies estão no limiar de uma possível extinção, incluindo a aroeira?, diz o pesquisador. Um estudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), da Universidade de São Paulo (USP), revelou que um centímetro quadrado de aroeira resiste à pressão de 696 quilos, enquanto a mesma quantidade de concreto resiste a 250 quilos.

Por isso, a madeira dessa árvore é muito usada na instalação de cercas e postes rurais e na estrutura de casas. O trabalho dos docentes consiste na coleta de sementes de uma determinada espécie de árvore e o replantio na fazenda de ensino, pesquisa e extensão da faculdade de Engenharia da Unesp, a cerca de 20 quilômetros de Ilha Solteira. Normalmente é feita a coleta de sementes em 30 árvores da mesma espécie, com a finalidade de representar a população dessa espécie em uma região. ?Os testes que identificam a origem da árvore pesquisada nos permitem estimar parâmetros genéticos que servem para monitorar o programa de conservação genética da espécie. Desse modo, garantimos para as futuras gerações toda a base genética de uma população?, diz Moraes. O projeto é dividido em várias etapas, que vão do trabalho de coleta das sementes às análises de laboratório para conhecer a densidade da madeira, passando pelo replantio e pelos experimentos de campo. Além disso, é analisada a composição química das sementes.

Laboratório faz análises
Parte do trabalho é realizada no laboratório de genética de populações e silvicultura (plantio de árvores florestais) da Feis. No laboratório, são realizadas análises químicas de macronutrientes, que consiste em analisar o teor de proteínas, carboidratos e lipídios que compõem a semente, descobrindo desta forma o grau de umidade, porcentagem de germinação e condutividade elétrica. Esses testes dão a base informativa sobre o vigor das sementes. ?Através da análise química podemos saber para quais fins a semente pode ser usada, como para fins alimentícios (humano e animal), farmacêutico ou cosmético?, explica Teixeira.

Também são efetuados estudos genéticos das sementes. Por meio dos compostos constatados na análise química, pode-se chegar aos genes da semente e, a partir daí, os pesquisadores acabam descobrindo o nível de variação genética da aroeira que forneceu a semente. Verifica-se, por exemplo, se a planta tem cruzamento de outras espécies ou não. ?Quanto mais restrita a base genética da planta for, mais ela corre o risco de ser ameaçada de extinção?, diz. Teix

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