Diário da Região

25/11/2011 - 01h44min

Sem lembranças

Atividades físicas e hábitos saudáveis ajudam a preservar a memória

Sem lembranças

Divulgação  
 

O crescimento da expectativa de vida a partir do avanço da medicina e da adoção de hábitos de vida saudáveis pela população tem sido responsável pelo aumento do número de casos de mal de Alzheimer. Só no Brasil, a estimativa é de que mais de 1,5 milhão de pessoas apresentem a demência, segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz).


A previsão da Organização Internacional da Doença de Alzheimer (ADI) é de que, até 2050, existam 115 milhões de portadores espalhados pelo mundo. Hoje são mais de 35,6 milhões. Quando a doença atinge um estado grave, já não há como detê-la, uma vez que é progressiva. Mas como podemos garantir uma aposentadoria com muitas lembranças?


Médicos e cientistas garantem que manter o corpo em forma, o coração sem ressentimentos, a prática de atividades que gerem prazer, sem deixar de fora, é claro, uma alimentação saudável, são maneiras de manter longe a doença. “Quanto mais cedo a doença for identificada, mais tempo o paciente manterá suas funções cognitivas preservadas”, diz João de Castilho Cação, médico geriatra e professor da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp).


A memória é estimulada pelo uso, pela prática. “A melhor prática, e o que mais a estimula, é a simples leitura”, diz o médico e neurocientista Ivan Izquierdo, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).


Fontes:


Centro da Memória do Instituto de Pesquisas Biomédicas da PUC-RS, izquier@terra.com.br


Faculdade de Medicina de Rio Preto, www.famerp.br


Associação Brasileira de Alzheimer, www.abraz.com.br


Ministério da Saúde, www.portadasaude.gov.br


Leia amanhã sobre como exercitar o cérebro para se fortalecer contra a doença de Alzheimer


Fique atento:


:: A doença leva à perda de neurônios. Portanto, quanto mais cedo for detectada, maior a reserva neuronal para conseguir cumprir bem todas as funções e, desta forma, a velocidade de progressão fica menor


Incidência da doença:


:: Atinge 7% dos idosos entre 65 e 69 anos. Aos 80 anos, a estimativa é de que quase 20% da população mundial tenha a doença. Ao 90 anos, o índice pode ultrapassar os 30%. A idade é, disparado, o maior fator de risco para o mal de Alzheimer. Menos de 1% dos casos se dão com pessoas com menos de 60 anos


Hereditariedade


:: A influência da hereditariedade na doença é muito pequena. Ter familiares com a doença, mesmo que em primeiro grau, não é o fator mais importante e sim a idade


Diagnóstico


:: O diagnóstico precoce e o tratamento adequado garantem ao paciente uma vida mais longa e com mais qualidade. Avaliações neuropsicológicas, fonoaudiológicas e exames de neuroimagem são os principais instrumentos para uma rápida comprovação


Medicamentos


:: É possível diagnosticar cedo a doença, mas não estacioná-la. O único controle possível é tratar os sintomas, através de drogas que controlam a perda de memória: donepezilo, ravastigmina, galantamina apenas tornam a progressão mais lenta. Apesar de caros, são disponibilizados gratuitamente pela rede pública. Basta o médico preencher a documentação necessária


Para saber mais:


O que é


:: O mal de Alzheimer é uma doença degenerativa que causa a morte gradual dos neurônios. Provoca perda de memória e de outras funções cognitivas, como raciocínio, juízo crítico, orientação. No início, a pessoa apresenta pequenos lapsos de memória, alterações de comportamento, desorientação espacial e dificuldades em realizar tarefas corriqueiras, como se alimentar ou se vestir. Nos estágios mais avançados, não reconhece os familiares nem os amigos. Com o tempo, o portador perde a identidade e torna-se dependente


Sintomas:


Primeira fase


:: Os primeiros sintomas são muitas vezes falsamente relacionados com o envelhecimento natural ou com estresse. O sintoma primário mais notável é a perda de memória de curto prazo (dificuldade em lembrar fatos apreendidos recentemente); o paciente apresenta alteração no desempenho da capacidade de dar atenção a algo, da flexibilidade no pensamento e no pensamento abstrato; e da memória episódica (ou autobiográfica – lembrar-se do que fez no domingo, por exemplo); certa desorientação de tempo e espaço. A pessoa não sabe onde está nem em que ano está, em que mês ou que dia. Nessa fase, pode-se observar apatia como sintoma bastante comum


Dica: Quanto mais cedo os sintomas forem percebidos, o tratamento será mais eficaz e melhor será o prognóstico. Feito o diagnóstico, o tratamento farmacológico disponível (medicação) auxilia na manutenção das funções mentais e na manifestação dessas funções cerebrais. Procure um médico especializado em demências: geriatra, neurologista, psiquiatra


Segunda fase


:: Com o passar dos anos, conforme os neurônios morrem e a quantidade de neurotransmissores diminui por causa da evolução da doença, aumentam a dificuldade em reconhecer e identificar objetos (agnosia) e a execução de movimentos (apraxia). A memória do paciente não é afetada toda da mesma maneira. As memórias mais antigas, a memória semântica (de fatos acontecidos no mundo e história geral, significado das palavras e coisas) e a memória implícita (como fazer as coisas) não são tão afetadas como a memória de curto prazo (recente) e a memória de longa duração episódica (autobiográfica ou história da própria vida) para acontecimentos em torno dos anos em que sintomas da doença apareceram. Os problemas de linguagem implicam, normalmente, na diminuição do vocabulário e dificuldade falar, que levam a um empobrecimento geral da linguagem


Dica: A incapacidade de desempenhar bem as tarefas de autocuidado exige a presença e ajuda física do familiar e/ou cuidador para supervisionar ou ajudar fisicamente para se organizar e se lembrar de escrever e ler as anotações feitas a cada dia. Isto significa que o cuidador deve organizar a rotina junto com o paciente e seguir rigorosamente. Somente com uma rotina bem estruturada, atividades significativas e períodos de descanso garantirá tranquilidade, bom desempenho e evitará alterações no comportamento do paciente e do familiar/cuidador


Terceira fase


:: A degeneração progressiva dificulta a independência. A dificuldade na fala torna-se evidente devido à impossibilidade de se lembrar de vocabulário. Progressivamente, o paciente vai perdendo a capacidade de ler e de escrever e deixa de conseguir fazer as mais simples tarefas diárias. Durante essa fase, os problemas de memória pioram e o paciente pode deixar de reconhecer seus parentes e conhecidos. A memória de longo prazo vai-se perdendo e alterações de comportamento podem se agravar. As manifestações mais comuns são apatia, irritabilidade e instabilidade emocional, chegando ao choro, ataques inesperados de agressividade ou resistência ao cuidado. Aproximadamente 30% dos pacientes desenvolvem ilusões e outros sintomas relacionados a alterações comportamentais e psicológicas nas demências. Incontinência urinária pode aparecer. Não apresentam mais condições de perceberem-se doentes por falha da autocrítica. Mudanças de domicílio são mal recebidas, pois tornam os sintomas mais agudos. Um paciente pergunta a mesma coisa centenas de vezes, mostrando sua incapacidade de fixar algo novo. Palavras são esquecidas, frases são truncadas, muitas permanecendo sem finalização


Dica: Os cuidados tornam-se intensos e necessários para todas as tarefas de autocuidado. O familiar/cuidador deve estar treinado para tarefas como alimentação adequada, comunicação e linguagem, deglutição, incontinência urinária, higiene, cuidados físicos e com a pele


Quarta fase


:: Durante a última fase da doença, o paciente está completamente dependente das pessoas que tomam conta dele. A linguagem está agora reduzida à simples frases ou até as palavras isoladas, levando, eventualmente, a perda da fala. Apesar da perda da linguagem verbal, os pacientes podem compreender e responder com sinais emocionais. No entanto, a agressividade ainda pode estar presente, e a apatia extrema e o cansaço são resultados bastante comuns. Os pacientes podem não conseguir desempenhar as tarefas mais simples sem ajuda, tal como levar o copo à boca. Este estágio é seguido pelo término da vida, causado não pela doença de Alzheimer, mas por outro fator externo (pneumonia, por exemplo)


Dica: Os familiares/cuidadores podem e devem ser orientados por profissionais que trabalham com finitude e morte


Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso