Diário da Região

23/10/2012 - 01h43min

Saúde teleguiada

Aparelho torna menos invasivos retirada do câncer de mama

Saúde teleguiada

Guilherme Baffi Médica nuclear Lilian Togni com o Gama Probe: aparelho é a mais uma arma o contra câncer de mama e outras doenças
Médica nuclear Lilian Togni com o Gama Probe: aparelho é a mais uma arma o contra câncer de mama e outras doenças

Até há alguns anos, retirar um câncer de mama era frequentemente uma ação que tinha como consequên-cia o inchaço nos braços e outros problemas - hoje evitados graças ao chamado esvaziamento axilar. O responsável por isso é um aparelho denominado Europrobe 3, considerado o que há de mais atual em sistema radioguiado. Recém adquirido pela Medicina Nuclear de Rio Preto e mais conhecido como Gama Probe, o aparelho portátil é composto de sonda de detecção e sistema de registro digital da radiação gama.


Segundo o médico nuclear Paulo Togni, o equipamento pode ser utilizado durante a cirurgia a fim de auxiliar a detectar o linfonodo sentinela. Este, por sua vez, é aquele que primeiro recebe a drenagem linfática de um tumor. “É um método capaz de localizar o linfonodo para que o cirurgião possa extraí-lo com segurança, de forma menos invasiva, e o patologista possa então verificar se há ou não comprometimento metastático”, afirma.


O equipamento tem a função de facilitar a vida de quem vai retirar um câncer de mama, por exemplo, embora tenha indicação para vários outros problemas que afetam a saúde humana. No caso específico do câncer de mama, o aparelho tem a função de evitar a retirada de uma grande quantidade de gânglios, cuja consequência é desencadear efeitos indesejados como diminuição da mobilidade nos braços, edemas (inchaços) e problemas estéticos, entre outros.


Togni reconhece que este procedimento decide a conduta do cirurgião em relação à retirada ou não dos linfonodos axilares, pois se o linfonodo sentinela for negativo, consegue-se evitar o esvaziamento axilar.Quem sofre as consequên-cias de não ter sido submetida a um tratamento desse tipo é a aposentada L.B., 68 anos, que fez a retirada de um quadrante da mama, há 15 anos. “Não sei se os médicos que cuidaram de mim na época não sabiam, mas vivo até hoje sofrendo com este braço. Já usei de tudo para ele ficar bom e não há nada que resolva”, diz.


Para Togni, um braço inchado, como efeito colateral de um esvaziamento ganglionar, deixa a paciente constrangida na sua atividade diária. “Reduz a autoestima pela distorção da imagem corporal. Leva ainda a um desconforto no convívio social, pois sua aparência torna evidente a doença”, diz.


O médico nuclear observa ainda que a pesquisa do nódulo sentinela tem indicação precisa e bem estabelecida não apenas em tumores de mama, mas também de vulva, pênis e melanoma, entre outros. Além do Gama Probe, também é possível se localizar o nódulo sentinela por meio da técnica chamada linfocintilografia.


Prevenção necessária O câncer de mama deve ser tratado como um problema de saúde publica, pois uma em cada oito mulheres nas regiões Sul e Sudeste do Brasil em algum momento de sua vida terá a doença, equiparando-se à incidência norte-americana. Por este motivo, o médico nuclear Paulo Togni alerta que o ideal é que se faça o diagnóstico das lesões mamárias, principalmente as malignas, enquanto estas ainda não apresentam sintomas, e quando são curáveis na grande maioria dos casos. O mastologista Márcio Mimessi lembra que a mamografia digital de boa qualidade continua a ser o padrão ouro na detecção ou prevenção do câncer de mama, seguido ou não do ultrassom da mama. Quando detectado precocemente, o médico afirma que a possibilidade de cura deste tipo de câncer está em torno de 60 a 70%, sendo 90% nos casos iniciais e menos de 20% nos avançados.


Os exames começam a ser indicados a partir dos 35 anos, uma vez que, antes disto, devido à densidade da glândula mamária, eles são pouco efetivos. Nestes casos, Mimessi avalia que o ultrassom é o exame de imagem mais indicado. “Embora o câncer de mama em jovens seja mais agressivo, também é mais raro. Embora já seja motivo de preocupação, uma vez que a incidência deste câncer tem aumentado ano a ano: hoje a taxa esta em torno de 6%”, alerta.


Todos os exames são cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e contam com a cobertura dos convênios.Um dos problemas na detecção precoce do câncer de mama no Brasil é a má qualidade das mamografias. O resultado é que, além de tumores que passam despercebidos e de biópsias desnecessárias, um grande número de mamografias precisa ser refeita.


Para combater o problema, em 1992, o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) criou o Programa de Certificação de Qualidade em Mamografia. De acordo com a radiologista e mastologista Selma di Pace Bauab, “o objetivo é oferecer aos técnicos que trabalham em mamografia a oportunidade de atualizar conceitos e procedimentos básicos relativos a essa prática”.


Evolução dos procedimentos O mastologista Marcio Constantino Mimessi, de Rio Preto, reconhece que só graças às novas tecnologias é possível encontrar com exatidão as áreas a serem retiradas nas cirurgias das lesões suspeitas ou já confirmadas como câncer de mama. “Há cerca de 10 anos, as metodologias deixavam muito a desejar em sua precisão, quando essas lesões não eram ‘palpáveis’, e com isso se retirava áreas maiores do que as necessárias, comprometendo a estética e mesmo a segurança oncológica”, explica.


Segundo o médico, isso mudou a partir do advento da aplicação, na área da lesão a ser ressecada, de um fármaco denominado tecnécio-99m, cuja função é emitir uma radiação captada pelo Gama Probe. “Ele apresentou com maior precisão a área a ser retirada da glândula mamária, com as devidas margens de segurança, aperfeiçoando assim o procedimento oncológico, com melhor resultado estético”, diz.

   

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