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Os riscos da poluição para a saúde

Francine Moreno - 04/07/2020 00:17

A poluição do ar, comum nas grandes cidades, tem efeitos nocivos à saúde já bem conhecidos. Problemas respiratórios graves, como as doenças pulmonares, estão ligadas à inalação de partículas. Estudos apontam que a poluição pode prejudicar até a saúde mental. A inalação de partículas poluentes pode levar desde as alergias até o câncer de pulmão. Um estudo feito na Índia, pelo Instituto de Barcelona para a Saúde Global, revelou ainda que a poluição pode prejudicar a saúde óssea.

Um dos mais graves problemas ambientais, a poluição é uma real ameaça à humanidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), calcula-se que ocorram, anualmente, no mundo 4,2 milhões de mortes prematuras atribuídas à contaminação do ar. Valmir Schork, professor da área de meio ambiente do Senac Catanduva, afirma que a poluição atmosférica é composta de diversos elementos prejudiciais à saúde humana, como fumaça oriunda dos veículos, fuligem de queimadas, poeiras diversas, entre outros. Estes materiais também podem ser chamados de aerodispersóides (partículas líquidas ou sólidas que se dispersam no ar). O tamanho destas partículas também tem relação com a ação patogênica no organismo humano, ou seja, quanto menor a partícula mais prejudicial será.

De acordo com o Climatempo, na região de Rio Preto, o período entre os meses de abril e setembro apresenta menores índices de precipitação pluviométrica e isto faz com que aumente significativamente dois poluentes no ar: a fuligem gerada pelos focos de queimadas, que muitas vezes atingem lavouras de cana-de-açúcar e reservas de matas nativas ou de reflorestamento, e fumaça liberada pelos veículos, principalmente mais antigos e com falta de manutenção adequada.

Valmir Schork afirma que é possível amenizar os efeitos da poluição e ter mais qualidade de vida.

Umidificar os ambientes, por exemplo, ajudam diminuir o material particulado suspenso. "Neste ano a adoção de máscaras, devido às ações de prevenção a Covid-19, também auxiliará na amenização dos efeitos da poluição, visto que as máscaras têm ação filtrante e retém parte significativa dos materiais suspensos no ar."Outra ação é a conscientização da prevenção de queimadas. "Atitudes como não jogar bitucas de cigarro no chão ou em rodovias e não fazer fogueiras próximas à vegetação são de suma importância para redução dos números de focos e consequentemente a redução de poluição gerada."

No Brasil, a queima de biomassa, que é toda matéria orgânica de origem vegetal ou animal usada com a finalidade de produzir energia, como carvão, lenha, bagaço de cana-de-açúcar, é responsável por boa parte da poluição. Julia Graziela da Silva Oliveira, professora da área de meio ambiente do Senac Araçatuba, afirma que as estimativas das maiores fontes emissoras de poluentes do ar podem variar ao longo do ano, considerando questões meteorológicas, como baixa umidade do ar no inverno, por exemplo. "Nesta mesma época, onde muitas árvores perdem suas folhas e, infelizmente, muita gente ainda tem o hábito de queimá-las, temos um agravante que só faz piorar a qualidade do ar e, consequentemente, aumentar a predisposição para doenças do trato respiratório.

Com a quarentena, em decorrência da pandemia por Covid-19, a Cetesb divulgou que a cidade de São Paulo, por exemplo, teve sua poluição atmosférica reduzida em 50% logo na primeira semana do isolamento social. Isso nos mostra que a qualidade do ar está diretamente ligada aos hábitos e modo de vida e de produção. Associado a todas as fontes emissoras de poluentes, temos ainda o desmatamento das florestas, principalmente a Amazônia. "Para tanto é necessário políticas públicas mais específicas no que tange as fontes emissoras de poluentes. Todo cidadão pode e deve fazer sua parte, mas para que tenhamos mudança significativa para melhor nesse contexto é necessário que sejam financiadas pesquisas para tecnologias alternativas e que sejam menos poluentes, e/ou ainda capazes de filtrar e atenuar as emissões, mitigando os impactos ambientais decorrentes das atividades."

A especialista Julia afirma que é necessário que haja incentivo para que as empresas adotem tecnologias mais limpas que, muitas vezes, mudam completamente seu processo produtivo e por isso é importante que as pessoas estejam bem informadas e embasadas em evidências científicas acerca do benefício trazido e de como isso não atrapalha a economia; muito pelo contrário, já que garante sustentabilidade da atividade. "É importante que haja uma via de mão dupla, sinérgica e congruente no que tange ao nosso processo de obtenção de energia. Ou seja, acima de tudo é uma questão cultural."

A bioenergia, segundo Julia, é sem dúvidas uma alternativa melhor que a energia obtida por combustíveis fósseis, já que é uma fonte renovável. "O grande desafio agora é fazer a gestão dos subprodutos/poluentes gerados nos meios de produção, bem como intensificar os projetos de reflorestamento e revegetação das áreas para resgate de CO2. Urgente se faz o controle do desmatamento e até mesmo das queimadas nas áreas urbanas, muitas vezes tidas como ingênuas."

 

Saiba mais

A poluição do ar representa atualmente um dos maiores riscos ambientais para saúde. São inúmeros os problemas de saúde causados por ela sendo as alterações do sistema respiratório as mais frequentes. Sendo assim, podemos tomar algumas medidas no nosso cotidiano para que esses efeitos sejam minimizados e com isso termos uma melhor qualidade de vida. Para isso devemos:

Lavar as narinas regularmente com
soro fisiológico

Não fumar, pois o tabagismo potencializa os efeitos dos poluentes pela irritação
do trato respiratório

Trocar regularmente roupas de cama, além de travesseiros e cobertores

Evitar locais que não tenham exposição solar regular em algum período do dia

Manter sempre limpos os locais de
circulação de ar

Manter os filtros de ar condicionado sempre limpos e higienizados

Utilizar purificadores e umidificadores de ar para minimizar os efeitos dos poluentes

Outras providências devem ser tomadas para melhorar a qualidade do ar e diminuir os níveis de poluentes. Dentre essas medidas podemos destacar:

Diminuir a emissão de gases poluentes (usar transportes coletivos, fazer pequenos deslocamentos a pé ou de bicicleta, revisões periódicas nos veículos, moderar utilização de ar condicionado)

Incentivo a geração de energia renovável

Adoção de limites de emissão gases nos processo industriais

Preservação da natureza, evitando queimadas principalmente

Monitoramento diário e constante da qualidade do ar

Reduzir utilização de agrotóxicos

Fonte - Guilherme Chiaverini Sampaio Corrêa,
otorrinolaringologista do Hospital Albert Sabin

Efeitos no corpo e na mente

Os altos níveis de poluição atmosférica podem afetar drasticamente as funções orgânicas pulmonares e desencadear doenças respiratórias, como a asma, rinite, sinusite e bronquites. O otorrinolaringologista Waldecir Veni Sacchetin explica que, dentre os membros da população geral, especialmente crianças, a exposição em longo prazo à poluição do ar pode aumentar a ocorrência de infecções respiratórias e sintomas de distúrbios respiratórios (como tosse e dificuldade respiratória).

O médico afirma que, sintomas mais comuns, como o ressecamento da mucosa nasal e o desconforto na garganta, podem ser atenuados com uma boa hidratação. A hidratação do organismo é fundamental para que a mucosa respiratória fique igualmente hidratada e esteja pronta para nos defender dos agentes agressores que respiramos. "Por isso, o recomendado é beber bastante água, lavar o nariz com soro fisiológico, além de umidificar o ar que respiramos. Isso pode ser feito com aparelhos específicos (os umidificadores) ou com medidas simples como, por exemplo, colocar uma toalha de banho molhada no ambiente em que estivermos."

Sacchetin afirma que é necessário que as pessoas defendam políticas públicas ambientalmente corretas e a melhoria da qualidade da vida. Já na esfera individual, homens e mulheres precisam ser mais saudáveis, mudando nossos hábitos de vida e alimentares, realizando controle médico periódico, praticando exercícios físicos, além de não fumar. "É importante ressaltar que o tabagismo é uma 'autopoluição' do organismo, com efeitos ainda mais nocivos se misturada com a do ar."

Coração

O cardiologista Edmo Atique Gabriel afirma que a poluição atmosférica contribui para ocorrência de doenças cardiovasculares. "A poluição representa um conteúdo imenso de toxinas eliminadas na atmosfera, as quais são inaladas e posteriormente absorvidas em nossa circulação, favorecendo elevação das taxas de enfisema pulmonar, infarto do coração e derrame cerebral. Algumas medidas podem atenuar os efeitos da poluição em nosso organismo, como a prática de atividade física em locais bem arborizados, hidratação diária de dois a três litros de água e sempre, que possível, frequentar cidades litorâneas para aproveitar a brisa matinal do mar."

Para amenizar os efeitos da poluição, no que tange a saúde cardiovascular e pulmonar, segundo Edmo Atique Gabriel, pode-se usar máscaras em locais sabidamente muito contaminados e com muita densidade de poluentes. "É importante usar produtos antialérgicos antes do contato com poluentes, fazer sessões de inalação antes e após o contato com locais muito poluídos, ingerir maior quantidade de líquidos e manter vidro do carro fechado em locais muito contaminados."

Emocional

A psicóloga cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira afirma que, estudos recentes, realizados em diversos países, apontam para um aumento de casos de transtornos psiquiátricos em pessoas expostas à poluição, especialmente durante a infância. "Ainda não está totalmente claro como a poluição afeta o sistema nervoso. Cientistas observaram que partículas poluentes inaladas vão para a corrente sanguínea, chegam até o cérebro e provocam uma espécie de inflamação dos nervos e inchaço no cérebro com consequentes danos à massa encefálica branca e aumento dos hormônios do estresse. Esta condição pode ser responsável pelo surgimento de quadros neurológicos e psiquiátricos como rebaixamento das habilidades cognitivas e aumento dos transtornos de personalidade, ansiedade, depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar, doença de Parkinson, epilepsia e aumento do risco de suicídio."

Mara revela que ações simples podem minimizar o impacto da poluição no ambiente e na saúde, como conscientizar-se e conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação ambiental e prática de hábitos saudáveis, passar mais tempo na natureza, em parques e áreas onde é possível respirar ar puro para o detox dos pulmões e do cérebro, adotar uma dieta saudável para melhorar o sistema imunológico e consumir alimentos frescos, muito bem lavados, de preferência, sem agrotóxicos.

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