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Saúde da mulher vai além dos cuidados ginecológicos

Jessica Reis - 06/03/2021 00:15

Coração, pele, olhos, alimentação… São tantos os cuidados com a saúde que você pode se perguntar o que é mais importante, em qual médico deve ir, quais os exames precisa fazer anualmente? Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março, a revista Vida&Arte ouviu especialistas de algumas áreas da saúde para tirar essas e outras dúvidas sobre saúde da mulher.

Saúde feminina

A melhor idade para a primeira consulta com o ginecologista é quando se inicia alguns sinais da puberdade, que pode ser por volta dos 8 ou 9 anos. Esses sinais podem ser mudanças no humor, na personalidade, na sexualidade e até no corpo, por exemplo, segundo Clícia Quadros, ginecologista e especialista em estética íntima. "Em relação aos exames, a avaliação muda de acordo com a condição de cada paciente, se já menstruou ou não, se existe algum sinal que precisa ser investigado. Nessa idade também é fundamental conscientizar sobre a vacinação contra o HPV para evitar o risco de contrair doenças no futuro, depois da iniciação da vida sexual. Após a primeira relação sexual as avaliações mudam, é necessário realizar os exames preventivos para identificar doenças sexualmente transmissíveis, corrimento, entre outras condições", explica.

A médica diz que os exames mais solicitados para investigar a saúde da mulher são o Papanicolau, Colposcopia, Ultrassonografia transvaginal, além dos exames laboratoriais (de sangue). Também podem ser solicitados exames como de mama, tireoide, entre outros. "É importante lembrar que também podem ser necessários outros testes conforme as necessidades e individualidades de cada caso", alerta.

O indicado é que a mulher procure o ginecologista, no mínimo, uma vez ao ano para realizar os exames de rotina. "A ginecologia é uma das especialidades mais importantes para a saúde feminina, muitas vezes uma consulta de rotina é a porta de entrada para resolver outras questões médicas que nunca foram investigadas antes. Ter um acompanhamento adequado permite o diagnóstico precoce de diversos problemas, melhorando as chances de tratamento", ressalta Clícia.

Planejamento reprodutivo

As mulheres têm cada vez mais adiado a maternidade. Mas isso não significa que não queiram ter filhos em algum momento da vida. Por isso é necessário ter um planejamento reprodutivo. "O primeiro passo é procurar um especialista para prevenir e/ou detectar qualquer problema com a saúde reprodutiva. Como sabemos, as mulheres nascem com uma quantidade de óvulos, que vai diminuindo ao longo da vida - caindo de maneira mais drástica após os 35 anos. Diante disso, é indicado que as mulheres que queiram adiar ou planejar uma gravidez façam o exame AMH (hormônio anti-mülleriano), teste mais confiável para estimativa da reserva ovariana da mulher. Exames para avaliar trompas, ovários e úteros também são indicados", explica Edilberto de Araújo Filho, especialista em Reprodução Humana Assistida e diretor do Centro de Reprodução Humana de Rio Preto.

Segundo Ligia Fernanda Previato Araújo, embriologista clínica e chefe de laboratório do CRH Rio Preto, outro passo muito importante é realizar uma avaliação metabólica, verificando os níveis de vitaminas e minerais (como B12, ácido fólico, zinco, ferro e cálcio) e se atentando aos marcadores inflamatórios. "Além de uma análise clínica, as mulheres precisam ficar atentas aos hábitos do dia a dia. Nosso estilo de vida influencia diretamente na qualidade dos gametas (óvulos e espermatozoides). São eles as sementes que darão origem ao embrião, ao futuro bebê. O tipo de alimentação tem um impacto significativo na qualidade desses gametas, podendo ser positivo ou negativo. Ao consumirmos industrializados, álcool e bebidas açucaradas (sucos e refrigerantes), provocamos inflamações através da formação excessiva de radicais livres - podendo alterar o DNA das células. Ao passo que se consumirmos alimentos integrais, de origem vegetal como cereais integrais, feijões, legumes, verduras e frutas, preferencialmente orgânicos, teremos um aporte de antioxidantes, o qual é muito benéfico para a saúde celular", explica a médica.

Olhos saudáveis

As mulheres são mais suscetíveis a desenvolverem doenças oculares e os motivos são diversos, segundo a oftalmologista Thaissa Faloppa Duarte, do Hospital de Olhos (HO Redentora). "As mudanças hormonais na menopausa e na gestação são apontadas como os fatores que elevam esses números, além da longevidade, já que as mulheres vivem em média a mais que os homens - e com o envelhecimento natural, os olhos ficam mais suscetíveis às doenças como a catarata, DMRI e a Retinopatia Diabética", diz.

A médica explica que o cuidado mais importante é visitar, pelo menos, uma vez ao ano o oftalmologista para realizar exames preventivos. "Outro cuidado importante é com a maquiagem. O acúmulo de maquiagem nos olhos pode causar uma inflamação nas pálpebras conhecida como blefarite, por exemplo. Por isso, é importante sempre retirar o produto antes de dormir, lavando muito bem o rosto e a região dos olhos com produtos específicos. Escolher produtos de qualidade e observar os prazos de validade do produto usado também são cuidados importantes. No uso de pincéis, é importante mantê-los limpos, lavando com água morna e sabão neutro, retirando o excesso de água com papel toalha e deixando secar ao ar livre", alerta.

Beleza e pele saudável

Mais do que estética, a dermatologia atua no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças relacionadas à pele. A dermatologista Adriana Caldas afirma que há várias fases da vida em que as mulheres devem procurar um dermatologista para orientações e cuidados com a pele. "Já na adolescência começam os sinais das mudanças hormonais como aumento da oleosidade e acne. Depois, na idade adulta precisamos fazer um tratamento preventivo para o envelhecimento e o exame físico dermatológico para avaliar se não há nenhum sinal suspeito de câncer de pele. Depois vem a menopausa que é quando a falta dos hormônios acarretam várias alterações que podem ser tratadas, além de manter consultas de rotina para prevenção e diagnóstico precoce do câncer de pele", explica.

E os cuidados com a pele devem começar cedo. Mulheres com muitas pintas na adolescência devem fazer visitas periódicas ao dermatologista, segundo a médica. "Caso haja indicação será encaminhada para realização de um exame chamado Mapeamento Corporal Total com Dermatoscopia Digital, que auxilia no diagnóstico precoce do câncer da pele. Agora, para os cuidados com a beleza, prevenção do envelhecimento, a rotina de consultas e procedimentos deve começar já na idade adulta, após os 20 anos."

Na batida certa

O coração também precisa de cuidados e atenção. O cardiologista Danilo Fernando Martin, Preceptor da Residência em Cardiologia da Famerp, diz que é importante segurar os fatores de risco que podem ser mutáveis: evitar o sedentarismo, parar de fumar, reduzir os níveis de estresse, ou pelo menos, ter válvulas de escape para o estresse, redução do sal e da gordura nos alimentos. "São cinco coisas que vão ajudar bastante a melhorar a saúde cardiovascular de qualquer paciente. E outra coisa que vai ajudar muito aí no dia a dia é o controle dos níveis de colesterol. Então, reduzindo a ingestão de alimentos ricos em gordura, a gente já melhora o colesterol", explica.

Os exames do check-up anual indicados pelo médico são teste ergométrico, ecocardiograma, além de exames de sangue para avaliação da tireoide, fígado, rim, colesterol e glicemia. "A partir do momento que a pessoa se predispõe a fazer uma atividade física, já é interessante passar por uma avaliação cardiológica. A partir daí, você já consegue ver fatores de risco, inclusive até ajudar no treinamento dessa pessoa. Através de alguns exames como o teste ergométrico e o ergoespirométrico a gente consegue saber qual o nível de frequência cardíaca", explica Martin.

O cardiologista também deve ser procurado quando surgem sintomas como dores no peito, cansaço fácil, acordar a noite com sufocamento, inchaço nas pernas, que são fatores desencadeantes de possíveis doenças cardíacas e deve ser investigados. Para as mulheres, é imprescindível procurar o especialista a partir dos 40 anos. "O foco mais importante para a mulher é quando ela tem a parada da menstruação, já que ela perde o fator protetor natural dos hormônios e acaba tendo um maior risco de ter doença arterial coronária que propicia infarto e outras coisas nesse sentido", alerta o cardiologista.

Alimentação saudável

A alimentação é fundamental para manter a saúde da mulher. A nutricionista Flávia Cesar diz que quando se fala em nutrição, alimentos, a primeira coisa que vem à cabeça das mulheres são dietas de emagrecimento. "Eu quero dizer que o alimento é muito mais do que dieta. Quando se entende que o alimento é a matéria-prima que forma todo o nosso organismo, isso inclui formação celular de órgãos, tecidos de nutrientes para a beleza, para o cabelo, para a pele, para as unhas, tem relação também com o peso, mas tem relação total com a saúde, prevenção ou provocação de doenças."

Segundo Flávia, a nutrição saudável é importante em todas as fases da mulher e em cada uma delas temos necessidades mais específicas pertinentes a cada fase. "No climatério, por exemplo, a alimentação é importante para preparar a mulher para as possíveis mudanças decorrentes das alterações hormonais, fornecendo nutrientes tanto vindas da alimentação como suplementação de vitaminas, minerais, aminoácidos e fitonutrientes para cada necessidade", diz a nutricionista.

A especialista ressalta que o excesso de alimentos industrializados, ultra-processados, com corantes, fast food, embutidos, caldos e temperos industrializados, excesso de sódio, consumo de realçadores de sabor, de açucares e doces, excesso de álcool, farinhas refinadas e empobrecidas em nutrientes e em fibras, devem ser evitados. Já quem tem intolerância, atenção ao glúten e a lactose. "Estes alimentos podem provocar processos inflamatórios, constipação intestinal, disbiose (alteração de permeabilidade intestinal), alergias em geral de pele e respiratória, dores de cabeça, enxaquecas, desequilíbrios nutricionais e bioquímicos no organismo que podem provocar ou acentuar alterações do humor como ansiedade, depressão, compulsão, insônia ou sonolência, entre outros", explica Flávia.

 

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