Grupo Diário da Região   | quarta-feira, 18 de novembro
IMG-LOGO
Home Saúde e Beleza

Estresse causa danos à pele e acelera o envelhecimento

Jessica Reis - 07/11/2020 00:17

Você já parou para pensar que alguns problemas de pele e cabelo podem ser causados pelo estresse? Infelizmente, o estresse, ao contrário do que muitos pensam, pode prejudicar não só a mente, mas o sistema imunológico e também a pele.

"A adrenalina e hormônios como cortisol e prolactina, que são produzidos em momentos de estresse, potencializam o estado inflamatório persistente no tecido cutâneo, o que faz com que nossas células tenham longevidade e atividades diminuídas. O resultado é a aceleração do envelhecimento biológico, com o surgimento precoce de rugas, manchas e linhas de expressão, e o desenvolvimento de doenças cutâneas como acne e rosácea", explica a dermatologista Cláudia Marçal.

Segundo o dermatologista Abdo Salomão Jr, doutor em Dermatologia pela USP, o estresse ocasiona uma série de alterações no organismo. Esses radicais livres podem se depositar na pele, couro cabeludo e unhas, fragilizando essas estruturas. Além disso, ele diminui a produção de colágeno e a atividade dos fibroblastos, o que pode ocasionar uma aceleração do processo de envelhecimento. "Como consequência dessa diminuição de colágeno podemos notar um aumento da flacidez e diminuição da elasticidade, permitindo também a formação de dobras na superfície da pele, o que conhecemos como rugas. Além disso, o estresse e os radicais livres podem diminuir a imunidade local da pele, favorecendo o aparecimento de infecções", explica

A dermatologista Simoni Neri diz que o estresse emocional pode afetar, revelar ou até mesmo exacerbar uma série de distúrbios da pele, incluindo psoríase, dermatite atópica, alopecia areata (Queda repentina de cabelo), líquen planus (caroços arroxeados e achatados que coçam), dermatite seborreica, rosácea ou urticária, embora a ligação fisiológica direta entre fatores de estresse e manifestação cutânea da doença ainda não seja clara.

Outro problema que pode ser consequência do estresse na vida adulta é a acne. "Embora o estresse por si só não seja a causa da acne - idade, hormônios, bactérias produtoras de acne, outros fatores estão em jogo - é evidente que o estresse pode fazer com que os problemas de acne existente sejam preocupantes", diz a médica.

Além da pele, o estresse também pode ser responsável pela queda dos cabelos e outros problemas no couro cabeludo como, caspa. Abdo explica que um dos efeitos conhecidos do estresse é o aumento da produção de cortisol, que promove a queda capilar, o enfraquecimento das unhas e estimula as glândulas sebáceas a produzirem mais sebo. "O cortisol também pode atingir o couro cabeludo e reduzir a microcirculação local, o que acaba ocasionando queda capilar, além de diminuir a velocidade de multiplicação celular, reduzindo o crescimento dos fios", afirma o dermatologista.

O médico ressalta que é difícil identificar se um problema de pele ou cabelo está sendo causado pelo estresse. "O ideal é procurar um especialista que poderá solicitar exames de sangue, exames clínicos e investigar outras causas do problema para, apenas após descartar todas as outras possibilidades, apontar o estresse como o principal causador."

Além dos problemas que o estresse já causa diretamente, ele também interfere na qualidade do sono. "O momento do sono é restaurador para a pele e para outros órgãos do corpo. Quando não dormimos direito não permitimos que as células sejam renovadas e os radicais livres eliminados. Isso tudo prejudica o aspecto da pele e predispõe o aparecimento de rugas", afirma o cirurgião plástico Mário Farinazzo.

Combata os efeitos do estresse na pele

Uma das melhores maneiras de gerenciar o estresse é realizando uma rotina diária de cuidados com a pele. "Cuidar da pele é uma ótima maneira de manter a cabeça no lugar, pois o toque ajuda a reduzir o hormônio ligado ao estresse e estimula a parte do sistema nervoso que acalma o corpo e a mente", afirma Isabel Piatti, Consultora Executiva em Estética e Inovação Cosmética e conselheira do Comitê Técnico de Inovação da Buona Vita.

Para a dermatologista Simoni Neri, o ideal é manter uma rotina de vida com horários regulares de sono, praticar exercícios físicos, manter uma boa alimentação e, se necessário, terapias tradicionais ou alternativas para diminuição do estresse como yoga, acupuntura e meditação.

Em relação a medicamentos e tratamentos, Abdo Salomão Jr. recomenda o uso de antioxidantes, pois ajudam a eliminar os radicais livres e a combater os efeitos do estresse. "É interessante também fazer uso de lasers, como o Pro Collagen, da plataforma Solon, que aumenta a produção de colágeno, eliminando assim os efeitos deletérios do estresse na pele", diz.

Para combater os efeitos do estresse no couro cabeludo, a indicação do médico é o Eletroderme, que estimula a diferenciação e multiplicação das células do couro cabeludo, diminuindo a queda de cabelo e acelerando o crescimento dos fios. "Existem também os bioestimuladores de colágeno como, o MultiStation e outros, inclusive farmacológicos como o Radiesse, Sculptra e o HarmonyCa, que promovem preenchimentos e ajudam a tratar os efeitos do estresse na pele", complementa Abdo.

 

Livre-se do estresse

Para controlar o estresse, a cirurgiã plástica Beatriz Lassance dá algumas dicas: "Medite, limpe sua mente. A cada hora de trabalho pare cinco minutos para respirar, tomar um café, olhar pela janela ou simplesmente fechar os olhos. Uma vez por semana procure sair da rotina e fazer uma atividade diferente. Um tempo de descanso é extremamente importante para manejar o estresse", destaca a médica. Mas também é importante buscar ajuda psicológica, uma vez que o estresse é a raiz ou gatilho de alguns problemas de pele, e de um dermatologista ou cirurgião plástico para tratar as alterações estéticas.

 

Editorias:
Saúde e Beleza
Compartilhe: