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Câncer de mama: exames de rastreamento permitem maiores chances de cura

Jessica Reis - 10/10/2020 00:13

Outubro é lembrado todos os anos como o mês de conscientização da prevenção do câncer de mama. O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), órgão do Ministério da Saúde, estima 66.280 novos casos de câncer de mama entre 2020-2022, o que corresponde a um risco de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres.

O câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres. A prevenção e o diagnóstico precoce ainda são as melhores formas de combater a doença, que tem grandes chances de cura. Segundo a médica Lígia Beatriz P. Cherubini de Lima, especialista em ultrassonografia e mamografia, de Rio Preto, o câncer de mama é a 5ª maior causa de morte por câncer na população geral e a causa mais frequente de morte por câncer em mulheres nas regiões menos desenvolvidas, como o Brasil. Um dos fatores mais determinantes da alta mortalidade no País é o avançado estágio da doença no momento em que as mulheres são submetidas ao primeiro tratamento.

"O diagnóstico precoce do câncer de mama, através dos exames de rastreamento, é um dos principais fatores que permitem um tratamento menos invasivo e com maiores chances de cura. O rastreamento consiste na procura de pequenas alterações que ainda não tenham causado nenhum sintoma ou sinal clínico às pacientes. Ou seja, o objetivo aqui é fazer uma busca ativa, mesmo em mulheres que não apresentem nódulos palpáveis, secreção papilar, dor, ou qualquer sintoma que às levem a procurar o médico", afirma Lígia Beatriz.

Segundo a ultrassonografista Miriam Tarraf, de Rio Preto, os exames de imagem para a detecção precoce do câncer de mama são a mamografia, a ultrassonografia e a ressonância magnética. No ultrassom há também estudos complementares de auxílio ao diagnóstico que são a elastografia, o Doppler e a biópsia guiada. "Uma técnica promissora no controle evolutivo das lesões mamárias é a elastografia. Trata-se de um exame complementar ao ultrassom e, assim como este, não apresenta exposição à radiação ionizante. Esta técnica é capaz de quantificar o grau de elasticidade dos tecidos, diferenciando uma área de tecido patológico do tecido mamário normal, evitando procedimentos desnecessários. Além disso, a biópsia mamária guiada por ultrassonografia é um procedimento precedido por anestesia local, capaz de determinar o tipo celular da lesão por meio do estudo anatomopatológico, se é maligno ou benigno", explica a médica.

Outro método utilizado no diagnóstico e estadiamento (classificação) do câncer de mama vem da medicina nuclear, e trata-se do PET-CT, segundo Lígia Beatriz. Ele consiste na combinação entre a tomografia por emissão de positrons (PET) e a tomografia computadorizada (CT) e vem sendo cada vez mais utilizada na avaliação oncológica. "Nele, injeta-se uma substância chamada fluordeoxiglicose (FDG), que tende a se concentrar em locais onde há doença maligna e, em muitos casos, precede as alterações anatômicas determinadas pelo câncer. O uso desse exame para o câncer de mama está indicado para detecção do local de início da doença, pesquisa de metástases, avaliação da resposta ao tratamento, ou pesquisa de recidiva (quando a doença se reativa, após o tratamento terminar)", explica.

A médica ainda ressalta a importância da ultrassonografia "second look", que consiste na realização de um exame de ultrassom comum direcionado para avaliar regiões da mama nas quais foram identificadas alterações em outros métodos, como a mamografia ou a ressonância magnética. "Saindo do campo dos exames de imagem, outros testes têm sido amplamente utilizados no manejo do câncer de mama. E os principais vem do campo da genética. Os testes genéticos para detecção dos genes BRCA1 e BRCA2, que tem estreita relação com o desenvolvimento da doença, podem indicar quais são aquelas mulheres que tem alto risco de desenvolver a doença ao longo da vida, sendo necessário assim, um acompanhamento mais rigoroso", diz Miriam Tarraf.

Outros testes genéticos são utilizados no manejo do câncer de mama, em pacientes que já tem o diagnóstico. Dentre eles, os principais são o ONCOTYPE, MAMAPRINT e MAMMAGENE. Eles consistem na avaliação genética dos tumores, no intuito de detalhar os níveis de agressividade dos mesmos, e assim poder direcionar qual o melhor tipo de tratamento a ser realizado.

Previna-se

No Brasil, e em muitos outros países, o rastreamento mamário deve ser iniciado em todas as mulheres a partir dos 40 anos, através da mamografia, segundo a ultrassonografista Lígia Beatriz. Ela explica que é uma orientação do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), e deve ser realizado anualmente. "Antes disso, a mulher pode iniciar o rastreamento com ultrassonografia, ficando a critério do seu médico. Pacientes com alto risco familiar devem iniciar o rastreamento com a idade correspondente a 10 anos antes do diagnóstico do familiar de 1º grau. Por exemplo, se a sua mãe teve diagnóstico de câncer de mama aos 45 anos, o seu rastreamento deve iniciar-se obrigatoriamente aos 35 anos", recomenda.

Além dos exames periódicos, Miriam Tarraf diz que algumas medidas podem reduzir o risco de desenvolver câncer de mama como, reduzir o consumo de álcool; evitar a obesidade, principalmente no período pós-menopausa; não fumar, e praticar atividades físicas.

 

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