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Já ouviu falar em crudivorismo?

Jessica Reis - 05/09/2020 00:13

Também conhecida como alimentação viva, o crudivorismo tem como princípio a ingestão de alimentos crus, de origem vegetal e na forma como são encontrados na natureza, ou seja, os alimentos devem estar em sua forma natural, não devem ser industrializados, nem processados e não devem passar por nenhum processo de cozimento como refogar, assar ou fritar.

Segundo a nutricionista funcional Flávia Pinto César, de Rio Preto, a alimentação baseia-se na ingestão de frutas, verduras, legumes, frutas secas, castanhas e sementes e óleos prensados a frio. "Todo alimento que passa por algum tipo de processamento ou cozimento não se inclui neste hábito alimentar, para tanto, não faz parte da alimentação viva o consumo de farinhas e seus derivados, leite e derivados, nem qualquer produto de origem animal, ou seja, não inclui pães, massas, bolos, bolachas, queijos, iogurtes, açúcar, e nenhum tipo de carne, independente da origem, seja bovina, suína, aves e peixes", explica.

Flávia diz que a alimentação viva enfoca a vitalidade dos alimentos, ou seja, prioriza o consumo de sementes germinadas, brotos e vegetais crus como fonte de energia. "A germinação é uma das técnicas importantes na alimentação viva e consiste em hidratar a semente até que esta germine ou brote. O objetivo é tornar o alimento vivo, ou seja, torná-lo biogênico. Os autênticos praticantes da alimentação viva não atribuem este tipo de alimentação ao conceito de dieta e sim de um estilo de vida."

O nutrólogo Ivan Togni Filho ressalta que alimentos crus, em seu estado natural, sem processamento e refinamento, são livres de conservantes, aromatizantes, gordura hidrogenada, entre outras substâncias que fazem mal ao organismo. Além disso, preservam todas as suas quantidades de vitaminas, proteínas e gorduras, oferecendo vários benefícios à saúde: bom funcionamento do aparelho digestivo, controle do colesterol, equilíbrio dos sistemas imunológico e nervoso, além de auxiliar na prevenção de doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e outras doenças crônicas. "A digestão de alimentos crus também é mais rápida e gasta menos energia, possibilitando maior disposição física e mental. Outro benefício é que se trata de uma dieta sustentável do ponto de vista ambiental.

Cru ou cozido?

Ivan Togni Filho lembra que apesar de incluir muitos alimentos frescos, ainda faltam evidências que comprovem que o consumo exclusivo de alimentos crus é superior, do ponto de vista nutricional aos alimentos cozidos, uma vez que parece haver benefícios à saúde em se incluir tanto uma variedade de alimentos crus quanto cozidos. "A dieta crua também pode causar problemas se for feita durante longos períodos, uma vez que dificulta a obtenção de proteínas de alto valor biológico e certas vitaminas (vitamina B12 e a vitamina D, por exemplo) e minerais. Para esses casos, é necessário incluir a suplementação à dieta. Outra consideração a ser feita é a existência de riscos de intoxicação alimentar, já que não é realizado nenhum processo de esterilização", explica o nutrólogo.

A dieta crua limita a variedade de alimentos do cardápio, e se não for muito bem planejada pode causar deficiências nutricionais, segundo o nutrólogo. Ele explica que um dos argumentos centrais da dieta crua é a de que o cozimento reduz o conteúdo de nutrientes presentes nos alimentos. "Contudo, sabe-se que alguns nutrientes, como os carotenoides licopeno e o betacaroteno, ficam mais disponíveis para absorção quando o alimento é aquecido. A vitamina B12 e a vitamina D são particularmente difíceis de obter em dietas cruas, que também dificulta a obtenção de proteínas de alto valor biológico."

 

Alimentos que NÃO devem ser consumidos crus

Existem alimentos que não devem ser ingeridos crus por apresentarem riscos à saúde, segundo a nutricionista funcional Flávia Pinto César. Ela explica que esses riscos podem ser causados por estes alimentos apresentarem certas toxinas e que são eliminadas no processo de cozimento. "Outros alimentos quando crus podem estar contaminados por bactérias e parasitas", afirma. Os alimentos abaixo devem ser cozidos para uma ingestão mais segura, segundo a nutricionista:

Feijão e leguminosas precisam passar por cozimento para inativar as proteínas e melhorar a digestão. Também possuem uma substância tóxica chamada lectina e que pode prejudicar a permeabilidade intestinal;

Espinafre e folha de beterraba, contêm alto teor de ácido oxálico, que quando consumida em excesso, além de reduzir a absorção de ferro e de outros nutrientes, pode causar danos renais graves;

Semente de pêssego contêm uma substância química chamada amigdalina, cuja composição inclui cianeto;

Vegetais da família das crucíferas podem sim ser ingeridos tanto crus como cozidos, inclusive são indicados na prevenção do câncer, pois o glucosinolato, que tem efeito protetor contra diversos tipos de câncer, a observação é para quem tem histórico de hipotireoidismo, uma vez que, pois esses vegetais podem reduzir a absorção do iodo e interferir na produção de hormônio da tireoide;

Taioba crua tem potencial tóxico;

Mandioca e inhame podem conter cianeto substâncias tóxicas. O ácido cianídrico é destruído quando cozido.

 

Alimentos que fazem parte da alimentação viva

Todas a frutas in natura e na forma de sucos tanto puro como misturados com folhas, sementes ou brotos germinados

Frutas desidratadas

Vegetais folhosos cru ou batido em suco verde

Legumes em geral, "macarrão de legumes" como "macarrão de abobrinha, de cenoura, e pupunha, etc.

Legumes

Alimentos fermentados como chucrute

Oleaginosas = castanhas cruas não torradas: nozes, castanha de caju, amêndoas, avelã, macadâmia, castanha do Pará (2 a 3 ao dia no máximo),

Leite de castanhas, não industrializado, feito em casa

Sementes como: pistache, gergelim, de girassol, chia, linhaça (não deve ser feito germinação da semente de abóbora por gerar substância tóxica)

Crackers desidratados de sementes e castanhas

Derivados de oleaginosas, como manteigas de castanhas

Brotos de Cereais e leguminosas

Azeite extra virgem e Óleos prensados a frio, extraído das diversas sementes e castanhas.

Algas marinhas

Alho e cebola crus, ervas e condimentos naturais

Fonte - Flávia Pinto César, nutricionista funcional

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