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Cápsulas de beleza e bem-estar

Francine Moreno - 04/07/2020 00:18

Com a rotina intensa de trabalho e vida pessoal, neste momento de pandemia do coronavírus, muitas pessoas não conseguem suprir todas as necessidades vitamínicas diárias, obrigatórias e opcionais, mesmo com uma alimentação regrada e saudável. Com orientação médica, homens e mulheres têm apostado nas vitaminas pela sua eficiência e praticidade. Basta uma cápsula e um copo de água, e os nutrientes que o organismo exige para funcionar bem são supridos. No entanto, é necessário passar por uma avaliação com um profissional.

Fransciele Loureiro Molina, nutricionista de emagrecimento consciente, afirma que a suplementação de vitaminas e/ou minerais é recomendada quando é apresentado níveis baixos destes compostos e a prescrição é individualizada. "Depende de como estão os níveis, a idade e a saúde da pessoa. É importante ressaltar também que existem diferenças entre suplemento vitamínico e medicamento vitamínico. Alguns medicamentos vitamínicos podem ser comprados sem prescrição médica e outros não. Tudo vai depender da dosagem de cada vitamina e/ou mineral que está dentro do complexo."

As questões emocionais do estresse deste período estão refletindo diretamente na saúde da pele e do cabelo. Ao se sentir irritado ou cansado as pessoas comem alimentos mais calóricos, ricos em sal, açúcar e gordura, e alimentação refletem negativamente na saúde da pele e cabelo. O estresse pode se manifestar, por exemplo, nas unhas quebradiças, pele ressecada e quebra e queda dos fios. "Pode estar faltando água, zinco, cálcio, selênio, magnésio e ferro", afirma Fransciele. Neste cenário, vitaminas orais podem diminuir os efeitos do estresse na queda capilar e ainda hidratar a pele.

As vitaminas, segundo a nutricionista de emagrecimento consciente, também podem ajudar no fortalecimento da imunidade. Ela alerta, no entanto, que o ideal é que a fonte de vitaminas e sais minerais seja a alimentação. "Algumas vitaminas que auxiliam na imunidade são vitamina A, vitamina D, vitamina C e vitamina E. Alguns minerais que ajudam na imunidade são zinco e selênio."

As vitaminas em cápsulas podem ajudar a melhorar a qualidade do sono. Algumas vitaminas do complexo B, por exemplo, auxiliam na liberação de serotonina, que é um hormônio que auxilia no relaxamento, algo que é muito importante para uma boa noite de sono. "Cálcio, magnésio e vitamina D também auxiliam a ter uma noite de sono mais tranquila e regular. Potássio e ácido fólico também podem ser citados como auxiliadores. E claro, a melatonina, que é um hormônio super importante, pois está relacionada com a regulação do ciclo cicardiano", afirma Fransciele.

A nutricionista Flávia Cesar, especialista em nutrição oncológica, integrativa e ortomolecular, afirma que a suplementação da vitamina D é muito importante. "Ela exerce uma ação preventiva e de tratamento em uma série de doenças incluindo o aumento da imunidade. Além disto, os estudos apontam como sendo a vitamina mais deficiente no mundo e vale lembrar que somos uma país tropical e que 10 a 15 minutos de sol/dia é importante para aumentar a ação desta vitamina no organismo. Porém, como a maioria da população já apresenta nível baixo desta vitamina, a recomendação tem sido suplementar sim, além do sol".

A vitamina D, segundo Flávia, não cura o coronavírus, mas colabora intensamente na redução do risco de contrair o vírus. "É fato que pessoa com baixa imunidade fica sujeita aos diversos tipos de contaminações, seja por vírus, fungos ou bactérias, além de que um organismo bem nutrido e uma pessoa com boa imunidade responde melhor a qualquer tipo de tratamento."

Flávia Cesar afirma que, particularmente, trabalha com suplementação personalizada. "É minha especialização (biomolecular), em que avalio os sinais e sintomas de cada paciente, sua rotina alimentar, seu histórico de doença pessoal e familiar e seus exames bioquímicos (de sangue). Outro detalhe é que o tratamento deve ser adequado às condições de cada um, o que cabe no bolso por melhor que seja, passa a não ser adequado para o outro. E mesmo quando a pessoa não tem exames, os sinais, sintomas, seu histórico e seus hábitos dizem muito sobre suas necessidades. Costumo dizer que o homem é como o peixe: vive ou morre pela boca."

 

Cápsula não deve substituir uma refeição

As vitaminas em cápsulas devem ser utilizadas nas condições em que existem evidências científicas dos benefícios. A nutricionista Milena Kerbauy explica que é importante realizar alguns exames para verificar qual vitamina deve ser suplementada e a quantidade necessária. A especialista afirma que não é preciso consumir suplementos vitamínicos sem necessidade. É errado, por exemplo, usar algumas para garantir fôlego e energia por todo o dia. "O consumo de vitaminas deve ser indicado quando estas estão em falta no organismo, sendo assim prescritas de acordo com a necessidade de cada indivíduo."

Assim como alguns alimentos ajudam a turbinar o raciocínio e ganhar foco, existem também vitaminas para turbinar a memória. Milena Kerbauy explica que existem cápsulas que podem contribuir para a preservação das células cerebrais como, por exemplo, betacaroteno. Trata-se de uma precursora da vitamina A. "Esta vitamina é encontrada em alimentos como cenoura e abóbora, e também em frutas como melão, mamão ou manga."

Não existe uma hora certa para se tomar as cápsulas. Milena explica que o mais indicado é escolher um momento em que a ingestão do suplemento possa ser acompanhada de uma refeição. "Ou seja, você pode optar por fazer a reposição de nutrientes pela manhã, à tarde ou à noite - desde que a cápsula seja ingerida durante uma refeição, como o café da manhã, almoço ou jantar. Isso porque alguns tipos de alimentos ajudam o organismo a absorver as vitaminas e minerais. Por isso, tomar o multivitamínico junto com as refeições é fundamental para melhorar o efeito do produto."

A cápsula, no entanto, jamais deve substituir uma refeição balanceada. "Temos sempre que valorizar o consumo dos alimentos e quando não conseguir chegar no valor ideal suplementar com a vitamina industrializada", afirma Milena Kerbauy.

É preciso ficar atento a alguma contraindicação

Por fazerem parte da composição do organismo, as vitaminas são indispensáveis para a boa saúde. Algumas vitaminas exercem ação antioxidante, ou seja, defendem o organismo do excesso de radicais livres, substâncias que, quando aumentadas, colaboram com o envelhecimento precoce e todos os tipos de doenças. A ciência e a saúde evidenciam que deficiência de vitaminas e minerais antioxidantes agravam os danos celulares causados pela presença dos radicais livres.

A nutricionista Flávia Cesar, especialista em nutrição oncológica, integrativa e ortomolecular, afirma que a suplementação se torna necessária quando a capacidade antioxidante, que é a capacidade de defesa do organismo, torna-se menor que a capacidade oxidativa (condição que reduz a imunidade e favorece processos inflamatórios e doenças, deixando o organismo mais vulnerável à contaminação por vírus, fungos e bactérias.

As vitaminas não podem ser ingeridas sem consulta médica ou de nutricionista. Flávia Cesar explica que a suplementação de nutrientes, seja de vitaminas, minerais ou aminoácidos, quando recomendados, devem ser feitos com critério, por profissionais especializados, com doses adequadas às necessidades específicas de cada pessoa e por tempo determinado. "Para o bom funcionamento do organismo, necessitamos de todas as vitaminas e minerais em quantidades adequadas, o excesso é tão prejudicial quanto a deficiência. O excesso de um nutriente pode levar a deficiência de outro por uma questão de interação e competição entre os próprios nutrientes."

É importante ressaltar que o suplemento, quando necessário, deve complementar a alimentação e jamais substituí-la. "Uma alimentação diversificada e colorida é uma ótima dica para a prática de alimentação saudável e antioxidante. As cores não apenas embelezam um prato, cada cor se associa a um nutriente (vitaminas, minerais) ou propriedade funcional do alimento, que colaboram com a imunidade. Por outro lado, os tempos modernos, como tudo que foi relatado acima, sugere fortemente a necessidade de suplementação", afirma Flávia.

É preciso ficarmos atentos a alguma contraindicação. "O primeiro critério a saber, é que a necessidade é individualizada e deve ser adequada a cada organismo, avaliando idade (criança, adulto, idoso), peso, altura, estado fisiológico (gestante, esportista, etc.), condições ambientais como temperatura, estado de saúde ou doença. Há uma série de fatores a serem observados como, por exemplo, pacientes que apresentam cálculos renais não devem consumir acima de 500 mg de vitamina C."

Pessoas com ferritina alta (depósito de ferro no organismo) não devem consumir suplementos que apresentem ferro na composição e não devem fazer suplementação de vitamina C, pois esta aumenta a absorção do ferro não heme (de origem dos vegetais). "Outro fator é que existe uma série de competições entre os próprios nutrientes que devem ser respeitadas, por exemplo, exceder na dose de zinco pode gerar deficiência de cobre, exceder na dose de ácido fólico pode gerar deficiência de vitamina B12 (e vice versa)."

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