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Como manter a pele e corpo hidratados durante o inverno

Da Redação - 25/06/2020 09:52

O inverno no Brasil costuma ser muito seco e a baixa umidade do ar acaba desnutrindo e desidratando a pele, cabelos e lábios. No entanto, se engana quem pensa que o frio é o inimigo número um da beleza. De acordo com especialistas, essa é a época mais indicada para investir em tratamentos de beleza.

“Historicamente os meses mais frios impulsionam a demanda nas clínicas estéticas e os tratamentos mais recomendados para essa época são os de rejuvenescimento. Porém, o corpo do verão se constrói no inverno. Mesmo com muitas pessoas em casa, é possível cuidar do corpo e da pele, aproveitando o friozinho para buscar melhores resultados. Começando os tratamentos agora, o paciente estará pronto para arrasar no calor”, explica Aline Caniçais, Fisioterapeuta Dermatofuncional da HTM Eletrônica.

Nessa época surgem muitas dúvidas sobre os cuidados com a pele e os cabelos como se há necessidade de aplicar protetor solar, se os cabelos merecem cuidados especiais, como deve ser a rotina skincare, outras questões. Especialistas respondem essas e outras dúvidas para você manter a pele e corpo hidratados.

É normal a pele ficar mais ressecada no inverno?
Sim. “A baixa umidade do ar e a queda da temperatura levam a uma diminuição da transpiração corporal. Dessa forma, a pele torna-se mais ressecada e áspera, podendo até mesmo apresentar descamação e vermelhidão em algumas áreas”, afirma a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia. Além disso, a pele é prejudicada pelos banhos quentes e demorados que a grande maioria das pessoas costuma tomar quando as temperaturas mais baixas chegam, pois a água quente provoca a remoção intensa da oleosidade natural do tecido, diminuindo o manto hidrolipídico que retém a umidade e protege a pele. “A primeira dica para evitar que o quadro de ressecamento da pele se agrave no inverno é não tomar banhos muito quentes e demorados. Outro cuidado essencial com a pele é em relação à hidratação, pois é a etapa do skincare responsável por prevenir o ressecamento da pele, devendo ser então realizada de acordo com o tipo de pele de cada paciente”, recomenda.

Preciso aplicar fotoprotetor no inverno?
Sim! Não tem jeito, o fotoprotetor é de uso diário e eterno. “A radiação ultravioleta, também no inverno, provoca danos que comprometem a estrutura de sustentação da pele, causando o aparecimento precoce de rugas e flacidez, além das manchas como reação à fotoexposição. E isso também vale para quem está dentro de casa, já que a radiação UV ultrapassa vidros e janelas. Então, a orientação continua a ser a de reaplicar o fotoprotetor de quatro em quatro horas em ambientes fechados. O filtro deve ter dióxido de titânio ou óxido de zinco na formulação: esses são bloqueadores físicos importantes”, explica a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Outro problema é que a luz azul dos computadores, televisões, tablets e celulares pode causar manchas. Então seu filtro solar deve ter ação física para bloquear essa luz e proteção antioxidante.

O inverno é realmente a melhor estação para realizar cirurgias plásticas?
Sim, pois, durante essa época do ano, a exposição solar é menos frequente e intensa. “A exposição solar de áreas que acabaram de passar por cirurgia pode causar manchas na pele e o escurecimento das cicatrizes”, alerta Beatriz Lassance, cirurgiã plástica e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Segundo a especialista, a temperatura amena também minimiza o inchaço após a cirurgia plástica, o que pode ajudar a otimizar o tempo de recuperação, se comparado aos dias mais quentes. “O calor pode levar a um maior inchaço e causar incômodo, especialmente quando o paciente já tem uma tendência natural à retenção de líquidos”, destaca a médica. “Os dias mais frescos também dão maior conforto para o uso de malhas compressivas, necessárias no pós-operatório de algumas cirurgias, o que acaba fazendo com que o paciente o utilize da forma recomendada, garantindo resultados satisfatórios.”

A rotina skincare do inverno deve ser igual à do verão?
Não, pois as necessidades da pele mudam de acordo com a estação. “No inverno, a pele fica naturalmente mais seca por conta do frio, baixa umidade, banhos quentes e ventos constantes. Então, temos que adequar os produtos do necessaire a esse novo momento, procurando por cosméticos que privilegiem a pele nessa estação”, recomenda a Paola Pomerantzeff. “No inverno, o ideal é apostar em produtos formulados com ativos de alta propriedade hidratante, como hyaxel e DSH CN, em veículos mais ricos, de preferência cremes e óleos que combatam a desidratação. Vale a pena investir também no uso dos ácidos fotossensíveis, como o ácido retinóico, que, se for utilizado de acordo com as recomendações do dermatologista, é excelente no combate aos sinais do envelhecimento.”

É verdade que a poluição tem maior impacto na pele durante o inverno?
Sim, pois no inverno ocorre um fenômeno conhecido como inversão térmica, quando o ar frio é impedido de circular por uma camada de ar quente. “Como resultado, a camada de ar fria fica retida nas regiões próximas à superfície terrestre com uma grande concentração de poluentes, que são extremamente prejudicais à pele por atuarem ativando mensageiros pró-inflamatórios, promovendo alterações na barreira de proteção da pele, piorando a hiperpigmentação e causando estresse oxidativo com consequente aceleração do processo de envelhecimento”, explica a dermatologista e tricologista Kédima Nassif, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Associação Brasileira de Restauração Capilar. É interessante então investir em cosméticos formulados com ativos antipoluição, que possuem mecanismos diferenciados para combater a ação dos poluentes na pele, como a formação de um escudo biomimético ou um filme de proteção sobre o tecido cutâneo. “Grande parte desses cosméticos também possuem ação antioxidante, promovendo reparo e, principalmente, impedindo os mensageiros pró-inflamatórios que levam ao dano celular”, destaca.

Os cabelos também devem ser uma preocupação no inverno?
Sim. “Com a queda da temperatura, os banhos se tornam mais longos e quentes e o couro cabeludo, que é rico em glândulas sebáceas, sofre um ressecamento excessivo causado pela alta temperatura. O resultado é a produção de oleosidade rebote, o que torna os fios pesados e favorece o surgimento da caspa e da queda capilar”, alerta Kédima. Além disso, com a baixa umidade do ar, é comum os fios ficarem mais ressecados e sujeitos à quebra. “Por isso, devemos investir em cuidados como evitar banhos quentes, utilizar uma máscara capilar de efeito nutritivo semanalmente, diminuir a frequência de uso do secador, sempre aplicando protetor térmico quando utilizá-lo, e não esquecer de consumir água, frutas e verduras, que auxiliam na hidratação”, aconselha.

Que outros problemas estéticos podem surgir no inverno?
Um problema menos comentado, mas frequente no frio é o surgimento de vasos sanguíneos que podem comprometer a beleza das pernas. “O tempo frio estimula a contração dos vasos sanguíneos, principalmente das artérias periféricas, o que pode ser perigoso principalmente para pessoas com quadro de obesidade e sedentarismo, pois o excesso de gordura na parede das artérias atrapalha ainda mais a chegada do sangue até alguns tecidos”, explica a cirurgiã vascular e angiologista Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. E, nesse caso, o problema não é apenas estético. “Essa má circulação pode ser extremamente perigosa, porque há riscos de desenvolvimento de insuficiência arterial periférica, infartos do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC)”, alerta. O fenômeno de Raynaud também costuma aparecer com maior frequência no frio, provocando um espasmo da artéria em reação ao frio, o que torna os pés ou mãos gelados, pálidos e com alteração de coloração. “Por isso, no frio é especialmente importante tomar alguns cuidados para melhorar a circulação, como usar roupas confortáveis e quentes, evitar peças justas que possam comprimir os músculos das pernas e cintura e consumir alimentos ricos em fibras, que auxiliam na boa digestão e controle do colesterol. É importante também realizar exercícios físicos regularmente, optar pelo consumo de alimentos com gorduras poli-insaturadas e beber muita água”, finaliza a especialista.

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