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Tendências tecnológicas para 2021

Gabriel Vital - 06/02/2021 00:14

Se por um lado a pandemia da Covid-19 atingiu em cheio os mercados mundo afora, por outro impulsionou importantes mudanças tecnológicas. Foi como se, em menos de um ano, pessoas e empresas se rendessem a ferramentas e comportamentos que já vinham conquistando algum espaço, mas que ainda não estavam totalmente popularizados. Não é que muitas novas tecnologias surgiram por conta da pandemia. É mais sobre como algumas inovações se incorporaram à rotina das pessoas, tornando-se naturais no dia a dia.

Exemplo disso são as videoconferências. Que atire a primeira pedra o empresário ou executivo "das antigas" que torcia o nariz para uma reunião virtual e que, agora, tem instalado no celular e no computador aplicativos como Zoom, Meet, Teams e até o Skype. Em muitas empresas, até a entrevista de emprego deixou de ser presencial. "Mantivemos o nível na contratação, e, em alguns casos, ganhamos mais agilidade", afirma a especialista em recursos humanos Gabriela Mative. Ela, que é superintendente de seleção da Luandre, uma empresa de RH, afirma que a adaptação das entrevistas não causou nenhum tipo de prejuízo, nem para as corporações, tampouco para os candidatos.

Mas não foi só nas empresas que a pandemia mudou comportamentos. Enquanto os escritórios ficaram vazios, as casas ficaram bem cheias e isso também ocasionou mudanças comportamentais. Um exemplo é o serviço de delivery, cuja demanda aumentou 60% em 2020, segundo levantamento do Instituto FoodService Brasil (IFB). Um crescimento tão alto e repentino que levou as empresas que operam tecnologias de delivery a ampliar o uso de chatbots para dar conta da demanda no atendimento.

E, se 2020 foi vetor de importantes mudanças em função da pandemia, o que esperar da tecnologia em 2021? A seguir, a Revista Vida&Arte traz uma série de tendências que devem marcar este ano.

Mercado de trabalho

A recuperação da economia pós-pandemia deve trazer para o mercado de trabalho importantes mudanças - que vão muito além dos protocolos sanitários. O relatório "Futuro do Trabalho", do Fórum Mundial da Economia, em 2020, projetou que, nos próximos cinco anos, 15% da força de trabalho estará em risco devido ao avanço da tecnologia. Por outro lado, haverá uma crescente demanda pelos chamados "Empregos do amanhã", que exigem dos profissionais habilidades além daquelas que podem ser desenvolvidas por robôs.

Para a especialista em estratégia de carreira Rebeca Toayama, a tecnologia ganhará ainda mais destaque no mercado de trabalho, processo que já vinha ocorrendo antes da pandemia, mas que foi acelerado no último ano. "O que o profissional precisa levar em conta hoje é um conjunto de habilidades como: inteligência emocional, adaptação, flexibilidade, pensamento crítico e habilidade com tecnologia. Assim conseguirá superar os desafios dessa fase de forma mais fluída", explica.

Saúde

Na área da saúde, 2021 será o ano das healthtechs - como são chamadas as empresas baseadas em tecnologia que atendem demandas do setor de saúde. Segundo a última edição do Distrito Healthtech Report, de 2020, o Brasil conta hoje com 542 healthtechs, sendo que 64% delas estão na região Sudeste do País. O setor é promissor. Prova disso é que, no mundo, há 41 healthtechs unicórnios, ou seja, que já atingiram mais de 1 bilhão de dólares em valor de mercado.

Além disso, a oferta de telemedicina deve ser ampliada já que, para especialistas da área médica, os pacientes já estão quebrando a resistência às consultas online graças à popularização das ferramentas de videoconferência. O uso da telemedicina está autorizado de forma emergencial desde março do ano passado, em função da pandemia, mas o Conselho Federal de Medicina (CFM) discute a possibilidade de tornar a norma definitiva.

Para o médico Aier Adriano Costa, a telemedicina amplia as possibilidades para que uma nova geração de algoritmos e dispositivos médicos de suporte à decisão clínica seja ampliada, a fim de tornar a prática da telemedicina ainda mais segura e eficiente, o que deve consolidar sua presença no dia a dia das pessoas. "[A telemedicina] definitivamente continuará a acelerar com o uso de gadgets transmitindo informações de saúde para os médicos", afirma o especialista, que é responsável técnico pela área de saúde da Docway, empresa que trabalha com certificações digitais.

Casa

Se por conta do home office as pessoas têm passado mais tempo em casa, é natural que busquem mais conforto e segurança no lar. É aí que entram os dispositivos do universo da Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês). Um estudo realizado pelo Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos, de Nova Iorque, aponta que a Internet das Coisas será a tecnologia mais importante de 2021 - e sua ascensão está diretamente atribuída ao avanço do 5G.

Segundo a consultoria norte-americana Gartner, 47% das companhias de tecnologia pretendem aumentar seus investimentos em projetos de IoT este ano. Não por acaso. A IoT está em praticamente tudo: na sua TV, nos assistentes virtuais, em câmeras de monitoramento que podem ser acessadas pelo celular e na automação residencial. "Quando falamos sobre a Internet das Coisas, o que realmente queremos dizer é que são computadores entendendo o mundo por eles mesmos, usando sensores conectados à Internet", explicou o pesquisador Kevin Ashton, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), durante palestra no Futurecom [email protected] Week, no final do ano passado. "Vivemos em mundo de câmeras e sensores GPS conectados à rede, que também são exemplos simples de IoT", completou.

Cibersegurança

Em um mundo tão conectado, as ameaças são, principalmente, virtuais. É por isso que os investimentos em segurança digital são apontados como uma tendência fundamental para o ano de 2021. E se por muito tempo a cibersegurança era um foco apenas das empresas, agora a preocupação também diz respeito aos dispositivos pessoais e redes domésticas, que tem sido utilizados para trabalho no home office.

Gigantes da tecnologia, como IBM e Microsoft, estudam maneiras de aperfeiçoar a segurança cibernética para oferecer soluções mais confiáveis para usuários domésticos e corporativos. “É sempre indicado manter um antivírus atualizado e incluir firewalls que permitam a gestão do conteúdo navegado dentro do ambiente corporativo”, orienta Anderson França, CEO da empresa de segurança digital Blockbit.

 

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