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Dispositivos 'vestíveis' para controle da diabetes

Gabriel Vital - 09/01/2021 00:15

Os dispositivos vestíveis, ou "wearables", são considerados a grande aposta da tecnologia para os próximos anos. Eles fazem parte do universo de aparelhos que trabalham com o conceito de Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês). São relógios, pulseiras, óculos e até lentes de contato. Criados para se ligar diretamente ao corpo do usuário, esses dispositivos se tornaram importantes aliados da saúde. Mesmo os vestíveis mais comuns, como os smartwatches e as fit bands, já são equipados com funções que ajudam a monitorar sinais do corpo, como batimentos cardíacos por minuto e a quantidade de calorias queimadas durante um exercício. Mas o mercado de wearables quer ir além - e deve avançar bastante, nos próximos anos, com soluções para facilitar a vida de quem convive com a diabetes e têm um controle rigoroso sobre o índice de glicemia.

Quem tem diabetes sabe o quanto é difícil fazer esse controle. É preciso disciplina para fazer a aferição da taxa de glicose em horários específicos do dia, um procedimento muitas vezes incômodo, que inclui perfurações para coletar uma pequena amostra de sangue. E não são poucas as pessoas que vivem essa dura rotina. No Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgada em novembro de 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,3 milhões de brasileiros têm diabetes, o que representa 7,7% da população.

Para facilitar a vida dessa parcela da população e acabar com o "fura-fura", pesquisadores têm desenvolvido maneiras de aferir o nível de glicose no sangue por meio de sensores, acoplados a modernas pulseiras e smartwaches. Uma dessas iniciativas é de pesquisadores da Universidade da Califórnia. O estudo, publicado no periódico científico Science Advances, utiliza o suor para extrair informações sobre a química do corpo e indicar a condição de saúde do usuário. O fluido corporal entra em contato com uma fita descartável presa à parte interna do dispositivo, que detecta as moléculas presentes no suor e apresenta informações sobre o índice de glicemia. O professor de física e eletrônica Sam Emaminejad, um dos autores do estudo, explica que a tecnologia foi testada em diferentes perfis de pessoas e se mostrou eficaz nos mais diversos cenários.

Para além dos muros das universidades, soluções parecidas já estão sendo testadas por empresas privadas ao redor do mundo. Uma delas é o K'Watch, um monitor contínuo de glicose desenvolvido pela empresa francesa PK Vitality. O dispositivo é um relógio inteligente que rastreia continuamente o índice de glicemia do usuário. As informações, coletadas pelo acessório por meio de uma fita de micropontos e biossensores em sua parte interna, são transmitidas diretamente para o smartphone, em que o usuário pode acessar gráficos com seu histórico e tendências. O dispositivo também emite alertas quando a taxa de glicemia está alta ou baixa e é capaz, até mesmo, de enviar esses alertas a contatos pré-programados, caso o paciente precise de ajuda. A fita que faz a leitura é descartável e deve ser trocada a cada sete dias.

O K'Watch ainda não está disponível no Brasil. Segundo a empresa, o produto está na fase de ensaios pré-clínicos, a última etapa antes dos ensaios clínicos e da certificação médica. O dispositivo somente será vendido quando a certificação médica for aprovada, mas essa data varia de região para região. No caso do Brasil, o equipamento precisa ser aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por ora, não há previsão de lançamento no País.

Sensor na pele

Enquanto as pulseiras para aferição da taxa de glicemia não chegam ao mercado brasileiro, uma outra solução, menos invasiva que os tradicionais medidores que exigem perfuração, já está disponível no País. Trata-se de um sensor colado à pele do usuário, na parte superior do braço. O dispositivo acompanha um leitor, usado para escanear o sensor e transmitir informações sobre os níveis de glicose para o smartphone do paciente, que tem acesso a relatórios e histórico de suas medições.

Em vez de fazer a aferição da taxa de glicemia pelo sangue, o sensor analisa o fluido intersticial, líquido que sai dos vasos sanguíneos sob pressão e ocupa o espaço entre as células corpóreas, inclusive as da pele. Esse sensor pode ser escaneado mesmo sob a roupa do usuário e deve ser trocado a cada 14 dias. O kit com o leitor e um sensor custa, em média, R$ 359. Já o sensor vendido separadamente custa cerca de R$ 239. Chamado Freestyle Libre, o equipamento é fabricado pela empresa farmacêutica Abbot, com sede em Chicago, nos EUA, e aprovado pela Anvisa, podendo ser utilizado por adultos e crianças a partir de 4 anos.

 

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