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Cidadania digital: o uso positivo da internet

Gabriel Vital - 11/10/2020 00:30

A internet é como um grande território. Tem espaços públicos e privados, locais de convivência social, lugar para comprar e vender, para buscar informações e para ensinar. Assim como um grande país, tem seus cidadãos - mais de 4 bilhões. Só não tem um líder, um presidente ou um rei. Mas engana-se quem acredita que a internet é terra de ninguém. O mundo virtual, assim como o físico, tem suas regras, que devem ser preservadas para garantir que o ambiente seja saudável para todos. Espera-se, portanto, que os usuários da rede mundial de computadores façam uso da tecnologia de forma responsável, respeitando normas de conduta, direitos e deveres. A essa postura se dá o nome de "cidadania digital", um conceito relativamente novo, mas que já vem sendo adotado por empresas de educação e de tecnologia para promover o bom uso da internet pelo mundo.

Um dos gigantes da tecnologia que abraçou esse conceito foi o Facebook. No Brasil, a rede social fez uma parceria com a organização não-governamental (ONG) Safernet para promover ações de educação digital em escolas públicas de todo o País. Chamado de Cidadão Digital, esse programa deve alcançar 30 mil alunos entre 13 e 17 anos de idade em 14 estados. Em entrevista à Revista Vida&Arte, a gerente de bem-estar do Facebook na América Latina, Daniele Kleiner, explicou que o objetivo do projeto é fortalecer habilidades em áreas como segurança online, alfabetização digital e combate à desinformação. "Ações de educação digital, com foco em bem-estar, segurança e verificação de informações na internet, são necessárias para que as pessoas façam um uso positivo e seguro na internet. É fundamental que as pessoas saibam como verificar e compartilhar informações online de forma responsável, gerenciar sua presença online com ferramentas de privacidade e segurança e promovam o respeito e a empatia na Internet", explica.

Para Daniele, o uso positivo e seguro da internet se dá por meio de algumas atitudes como ter um comportamento respeitoso e empático para com os demais usuários, além de checar conteúdos e notícias e gerenciar informações pessoais com ferramentas de privacidade e segurança. O diretor de educação da ONG Safernet Brasil acrescenta que, "estimular comportamentos positivos parece um caminho inspirador para prevenir situações de violência".

As atividades com os alunos no programa Cidadão Digital estão previstas para acontecer até o mês de novembro em diferentes formatos online. Educadores ainda podem participar do projeto inscrevendo suas escolas pelo link bit.ly/cidadao-digital para participar de ações e treinamentos sobre segurança na internet.

Melhor prática é o diálogo

Para o analista de tecnologia educacional Lucas Grubba, de uma rede de colégios particulares que implementou ações de cidadania digital, a pandemia impulsionou um movimento massivo de uso de tecnologias de informação e comunicação para as mais variadas finalidades, o que impulsionou um processo constante de desenvolvimento da chamada "maturidade tecnológica", que envolve descobertas, erros e questionamentos. "Estarmos falando sobre isso reflete uma postura mais crítica à forma com que a internet está sendo usada para manipulação de informações, golpes, agressões e outros comportamentos negativos evidenciados nesse ambiente hiperconectado. O Brasil está inserido de forma concreta no universo digital há bastante tempo, apesar da evidente exclusão digital ainda presente no país, porém, agora com mais espaço para discussão por estar em evidência", explica.

Lucas afirma que a melhor prática para estabelecer o bem-estar no ambiente virtual, especialmente com as crianças e adolescentes, é o diálogo. Segundo ele, diante de seus computadores, smartphones e tablets, as crianças e os jovens estão mergulhados em um universo pouco conhecido para muitos pais e professores. "Os pais devem ser parceiros, não fiscais", defende.

O especialista recomenda que os pais procurem entender as ferramentas que seus filhos estão fazendo uso, e compreender por que esses recursos os atraem tanto, dialogando sempre sobre os riscos e limites que estão envolvidos ali. "Se seus filhos gostam de jogar, jogue com eles, peça para eles te ensinarem e dar as melhores dicas; se gostam de ficar assistindo vídeos em ferramentas como o TikTok, proponha gravarem algo juntos; negocie limites de tempo nos jogos por rodadas, objetivos ou metas específicas; em casos onde exija uma postura mais rígida, é possível fazer uso de aplicativos de controle parental. Se realmente for necessário restringir acessos e estipular horários, negocie a flexibilização desses limites", orienta o analista de tecnologia educacional da rede Marista de educação básica.

Por fim, Lucas acrescenta que trabalhar o conceito de cidadania digital com crianças e jovens é como ensinar a olhar para os dois lados da rua quando for atravessar, respeitar os sinais de trânsito e saber escutar a opinião dos outros. "Ensinar as chamadas 'netiquetas', conjunto de regras de etiqueta para uso da internet, talvez não seja o objetivo em si, mas apresentar, praticá-las e dialogar sobre elas sim, a escola deve abordar com os estudantes", conclui.

 

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