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A economia digital no mundo pós-pandemia

Gabriel Vital - 05/09/2020 08:20

Pensar o mundo pós-pandemia é um exercício de futurologia que se tornou quase que um passatempo para as pessoas, inclusive com programas televisivos dedicados ao tema. Seremos mais altruístas? Vamos aproveitar mais os momentos em família? Quando vamos deixar o home office e voltar ao escritório? Esse tal de "novo normal" mexe com o imaginário popular, mas nada mudou - ou tem mudado - tanto quanto a economia.

Castigada pelo fechamento de setores e, consequentemente, pelo desemprego, a economia pós-pandemia será mais digital, reflexo de mudanças que já vinham acontecendo e que foram apenas aceleradas pelo vírus. Prova disso é um estudo feito pelo Google For Startups, que revela que buscas por delivery de restaurantes aumentaram 72% durante a pandemia, enquanto a procura por educação online e softwares educacionais cresceu 73% no período. Nada disso é exatamente uma novidade, mas, com o distanciamento social, as pessoas foram forçadas a buscar alternativas. E, nesse contexto, mesmo quem torcia o nariz para a comida entregue em casa ou para o ensino a distância acabou se rendendo a essas opções.

A pesquisa feita pelo Google evidencia ainda que aumentaram as buscas por suporte financeiro pela internet. O termo "internet banking" teve um aumento de 130% na procura, ao mesmo tempo em que as buscas por "conta digital" cresceram incríveis 1.000%. As "fintechs", empresas financeiras que operam principalmente no meio online, foram as protagonistas, registrando aumento de até 555% nas buscas. 

O gerente da empresa de pagamentos eletrônicos ACI WorIdwide BrasiI, VIademir Santos, lembra que a Covid-19 acelerou o consumo de um novo mundo digital. Diante disso, ele não vê a possibilidade de retrocessos para a realidade de antes. "Portanto, aqueles que implementarem a nova tecnologia e se adaptarem mais rapidamente serão os que melhor se recuperarão da crise atual, além de encontrar crescimento neste meio tempo", defende. O especialista acrescenta que, mesmo antes da pandemia, já existia um movimento de digitalização dos meios de pagamento, mas o processo foi acelerado durante esse período.

Um ponto importante nessa mudança de cultura foi a operacionalização do pagamento do auxílio emergencial, que se deu por meio de contas digitais criadas para nada menos que 30 milhões de brasileiros. Só em Rio Preto, mais de 120 mil pessoas agora são detentoras de contas digitais em função desse benefício. Mas VIademir pondera que o processo tem sido desafiador, mesmo porque o sistema bancário não estava preparado para lidar com essa alta demanda de criação de contas digitais e acessos simultâneos. "Isso mostra o quanto seria importante que o País já tivesse um sistema de pagamento digital mais consolidado e robusto", afirma.

E-commerce

Paralelamente ao crescimento de startups e fintechs durante a pandemia, o e-commerce também vem desempenhando um papel importante. Com mais gente em casa e lojas fechadas, uma das poucas alternativas para as empresas continuarem vendendo foi apostar nas lojas online. E o consumidor respondeu bem a esse movimento.

Em julho, segundo dados da consultoria Conversion, o e-commerce brasileiro atingiu a marca de 1,29 bilhão de acessos, o que representou um crescimento de 25% na comparação com o mês anterior, tendência que, para o diretor da empresa, Diego lvo, está diretamente relacionada às medidas de distanciamento social. "No primeiro momento as empresas tomaram um verdadeiro susto, mas muitas já perceberam que os canais online são a solução e os investimentos estão sendo retomados", afirmou. O levantamento revela ainda que o setor de turismo, um dos mais afetados pela pandemia, acumulando perdas de 74%, está voltando a crescer, agora com as vendas online.

 

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