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A cultura do "faça você mesmo"

Você é daquelas pessoas que "se viram" em casa, que consertam coisas quebradas, que usam a criatividade para construir objetos, ou mesmo que modificam outros para facilitar seu uso, ou aproveitar peças quebradas? Se a resposta foi sim, talvez você nem saiba, mas é um maker, um adepto do Movimento Maker (palavra do inglês originada no verbo to make - em português: fazer. Maker significa então, "criador", ou seja, a pessoa que constrói alguma coisa).

O termo tem relação com um movimento que surgiu após a Segunda Guerra Mundial, o DIY - Do It Yourself, em português: "Faça Você Mesmo". No DIY as pessoas resolvem seus problemas e criam alternativas para o dia a dia sem precisar da ajuda de profissionais especializados. Para se ter uma ideia da amplitude dessa cultura, e do rápido crescimento que vem ocorrendo, em 2006 foi realizada nos Estados Unidos a primeira Maker Fair - feira que reuniu 20 mil pessoas, entre makers e público em geral. Pouco mais de 10 anos depois, em 2017, foram contabilizadas 221 feiras em 45 países, com mais de 1,5 milhão de visitantes.

E é provável que esse crescimento seja ainda mais acelerado nesse período de pandemia em que estamos vivendo. O site de vendas Mercado Livre afirma, em relatório publicado recentemente, que a procura por temas relacionados ao "faça você mesmo" cresceu 84% após o aparecimento do coronavírus. É o terceiro maior crescimento do site no período, só perdendo para itens de saúde e alimentação. De cada 10 buscas, segundo o relatório, seis são relacionadas à estadia em casa, construção e reparos. Os mais procurados são acessórios para carros, ferramentas, itens de decoração, peças de eletrônicos, materiais de jardinagem, artesanato e artigos de armarinhos.

O administrador de redes, Edi Carlos Alves Costa, 25 anos, de Birigui, é um maker desde criança, quando despertou para a curiosidade de entender como funcionavam os brinquedos e equipamentos eletroeletrônicos.

"Lembro que brinquedos tradicionais eram devidamente utilizados apenas no primeiro dia. Depois, uma chave, martelo e outras ferramentas, tornavam-se mais interessantes para entender o funcionamento interno do mesmo, não sobrava nada. Isso se propagava para eletrônicos: quando encontrava um rádio ou outro equipamento para desmontar, era uma aventura por dias", disse Edi.

O benefício que ele aponta, hoje, é a economia financeira, a comodidade de não depender do contato com profissionais em época de isolamento social, mas também a perda do medo da exploração. "Com o passar dos anos, o amadurecimento me permitiu realmente consertar coisas e ser bem independente quanto a reparos em geral, principalmente em produtos elétricos e eletrônicos", contou.

Entre os trabalhos que ele faz atualmente estão, além de consertar eletrônicos, reparos no encanamento e sistema elétrico da casa, e também na área de mecânica do carro, onde algumas vezes faltam ferramentas específicas, motivo único pelo qual precisa recorrer ao especialista.

"No sentido financeiro acredito que ao longo dos anos economizei muito. Já quanto ao conhecimento, isso amplia muito os horizontes, pois muitas vezes é necessário estudar várias áreas de conhecimento para resolver um único problema", disse.

 

Muito além de apenas arrumar coisas

A cultura maker vai muito além do simples fato de não depender de ajuda especializada para solucionar os problemas do dia a dia.

É um movimento que se baseia em alguns princípios mais abrangentes, como a promoção da sustentabilidade. Quando um maker conserta um objeto, ou repara aproveitando peças usadas ou fabricadas por ele mesmo, está diminuindo a geração de lixo e contribuindo com a preservação do meio ambiente. É o chamado fenômeno "prosumer", do inglês producer (produtor) - consumer (consumidor), ou seja, em português, o consumidor que fabrica parte dos seus produtos, deixando assim de consumi-los no mercado convencional.
O movimento maker foi chamado pelo físico e escritor americano Chris Anderson de "a nova revolução industrial".
Anderson ficou bastante conhecido pelo livro "A Cauda Longa: Do Mercado de Massa para o Mercado de Nicho", escrito em 2006, que trata da mudança no comportamento de consumo dos americanos e no mundo. Ele defende que os nichos estão se tornando cada vez mais importantes para o consumidor, uma tendência que está revolucionando
o futuro do mundo dos negócios.

A criatividade é outro fator importante nessa cultura, empregada ao fazer as coisas. E ainda podemos falar da colaboração e democratização da informação, porque a maioria das criações dos markers são compartilhadas em comunidades, presenciais ou onlines, e muitas delas são feitas a partir de compartilhamentos de outros, ou seja, informações disponibilizadas geralmente na internet. É assim com o maker Edi Carlos Costa. Ele conta que o aprendizado na maioria das vezes ocorre na base de tentativa e erro, mas que também busca muitas informações na internet, e algumas vezes recorre a livros.

Parece ficção científica, mas é realidade

A cultura maker é um estilo de vida em que a pessoa resolve os problemas do dia a dia sem a ajuda de profissionais, mas também engloba construções mais complexas, como equipamentos eletrônicos e tecnológicos.

Nesse sentido são utilizados equipamentos que mais parecem ter saído de um filme de ficção científica, mas que já são realidade nos Fab labs (laboratórios em que os makers se reúnem para compartilhamento de experiências, criação e construção de produtos).

A impressora 3D é um dos mais usados. Uma impressora capaz de materializar os desenhos feitos no computador.

A fresadora de precisão permite que o maker corte e molde uma peça da forma que deseja para a utilização no seu produto. As fresas são ferramentas de corte rotativas, que cortam, aparam e moldam um material bruto.

E tem ainda a cortadora a laser, que corta com precisão diversos materiais, e a placa arduíno, usada para criar produtos, como brinquedo, por exemplo, para melhorar algum equipamento, para medir
a intensidade da luz ou temperatura de
um ambiente, fechar portas automaticamente, criar robôs, etc.

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