IMG-LOGO
Home Sustentabilidade

Maternidade sustentável: mudanças de hábitos trazem benefícios para o bebê e o planeta

A sustentabilidade tem sido uma preocupação cada vez mais presente na vida das pessoas, especialmente das mulheres, de acordo com a ONG Instituto Akatu, que identificou em pesquisa recente que 38% dos consumidores já se preocupam com a origem dos produtos consumidos e com os impactos que provocam no planeta. E com a maternidade não tem como ser diferente. O estudo apontou também que as mulheres são as mais engajadas, praticando consumo mais ecológico e incentivando os filhos na luta pela preservação dos recursos naturais.

"Planejar e programar desde a gestação uma criação sustentável com certeza trará muitos benefícios para o nosso planeta. Além disso, ser sustentável nos faz estar mais perto possível do natural, trazendo inúmeros benefícios para saúde da mamãe e do bebê", diz Nathália Chrispim, gastroenterologista e hepatologista pediátrica de Rio Preto.

Entre as opções sustentáveis na maternidade e criação dos filhos estão a alimentação natural, com produtos orgânicos de preferência produzidos localmente, evitando o consumo de carnes. A pecuária é apontada hoje como a produção de alimento que mais agride o meio ambiente. Cada quilo de carne bovina que chega ao mercado consumiu 15 mil litros de água, sem contar a geração de gás metano e desmatamento envolvido. Mas os médicos alertam que famílias vegetarianas devem fazer acompanhamento com profissionais. "A reposição adequada de vitaminas é importantíssima na gestação e na primeira infância", explica a médica.

A escolha de produtos de higiene pessoal, importantes para o bebê, também pode ser sustentável. Produtos sem parabenos, petrolatos, silicones e de preferência não testados em animais, são escolhas mais saudáveis para o bebê e para o meio ambiente. "Sempre com atenção para produtos ditos caseiros. É preciso avaliar a procedência. Recomendo usar marcas conhecidas e que tenham certificação da Anvisa para evitar problemas como, por exemplo, intoxicações", diz a pediatra, que cita também os banhos em ofurô (espécie de balde próprio para banhos), uma técnica holandesa que ajuda diminuir as cólicas e desconfortos nos primeiros meses de vida.

Na hora de escolher as mamadeiras e copos, o mais sustentável são os de vidro, que duram mais tempo e gastam menos recursos para serem produzidos. As festas de aniversário e chá de bebê também podem ajudar o planeta, diminuindo a geração de lixo. É só servir comidas naturais sem embalagens, docinhos em potes, usar talheres, pratos e copos que não sejam descartáveis, e guardanapos de pano.

"O universo infantil pode ser a alegria para o mercado do consumismo ou uma porta para mudanças profundas na forma de se relacionar, produzir e consumir", afirma a médica pediatra Nathália Chrispim.

 

Fraldas de pano

As fraldas descartáveis são práticas, mas são um capítulo à parte na geração de lixo da maternidade. Calcula-se que uma criança consome seis fraldas por dia, em média. São quase 7 mil fraldas até o desfralde. Ou seja, cada criança que nasce no Brasil gera 400kg de lixo por ano só em fraldas. Elas representam 2% de todo o lixo gerado o país, que é o terceiro maior consumidor desse produto no mundo (dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos - Abihpec).

Preocupada com esses números, a tradutora Patrícia Silva, de Rio Preto, começou a usar fraldas de pano no filho Gael quando ele tinha 45 dias e hoje, quase dois anos depois, nunca mais usou as descartáveis. "Super recomendo. São lindas e tem muitas vantagens. O fato de ter de lavar é um preço mínimo que você paga pelas inúmeras vantagens que você tem com o meio ambiente", diz Patrícia, que chama a atenção para o tempo que uma fralda leva para se decompor: cerca de 600 anos. "São seis gerações. O custo ambiental é muito alto, é preciso levar em consideração isso."

Se os danos ao planeta não são suficientes para convencer ao abandono das fraldas descartáveis, talvez os financeiros sejam: economia de R$ 12 mil por criança. "Com menos de R$ 2 mil você faz um enxoval completíssimo de fraldas de pano, que podem durar seis anos ou até para um próximo filho", diz Patrícia.

No caso de serem incompatíveis com a rotina, existem as biodegradáveis, que se decompõem no meio ambiente em 5 anos, ao invés dos 500 anos demandados pelas convencionais descartáveis.

E por fim, incentivar o desfralde precoce, conhecendo o comportamento da criança e ensinando a pedir para usar o banheiro sempre que precisar.

O bebê cresceu, e agora?

É possível manter ações que visam a sustentabilidade mesmo depois que os bebês crescem. Basta adotar hábitos sustentáveis no dia a dia e incluir a criança, incentivando assim esse tipo de comportamento.

Diversão

Praticar o desapego, por exemplo, é uma das dicas. Os brinquedos que não servem mais podem ser doados. Nesse caso é importante pedir o consentimento do filho, fazer com que entendam a importância de ajudar outras crianças, e dar espaço para a entrada de brinquedos novos, mais apropriados à idade deles. O mesmo serve para roupas e materiais escolares que podem servir para outros. Podem ser doados, vendidos em brechós ou trocados em sites de desapego.

Ainda no item diversão, é melhor evitar brinquedos de plástico e preferir os de madeira, tecido e metal, que além de usar menos recursos naturais na sua produção, são mais duradouros. Fabricar brinquedos com materiais recicláveis também é uma das formas de ensinar o reaproveitamento de materiais que muitos olham apenas como lixo, como garrafas pet, cordas, caixas de papelão, entre outros. Além disso, a atividade ajuda na interação com os adultos, no desenvolvimento da coordenação motora e criatividade.

Consciência

Separar o lixo na presença, e com a ajuda das crianças, é uma forma de ensinar a consciência para a reciclagem. Uma alternativa para ampliar essa consciência é manter em casa uma composteira com minhocas, para colocação do lixo orgânico. As caixas podem ser compradas pela internet, com preços acessíveis, e já acompanham os materiais necessários para começar a compostagem, incluindo terra e minhocas.

Alimentação

Se você é o que você come, imagine a importância da alimentação saudável para uma criança, que está em desenvolvimento. Comprar alimentos frescos, de preferência orgânicos, é uma alternativa. Incluir a criança na preparação das refeições vai incentivá-la a comer o que ajudou a preparar, e diminuir as restrições alimentares.

Outra forma de incentivar o consumo de frutas, legumes e verduras é levar as crianças a feiras livres e, se possível, proporcionar o contato direto com a produção, em hortas, por exemplo. Caso não possa ter algumas ervas e hortaliças no quintal, a alternativa pode ser visitar hortas e plantações. Conhecer a origem dos alimentos que ela vê na mesa é essencial para aguçar a vontade de comer.

"Dar preferência para os agricultores locais e para alimentos orgânicos faz toda a diferença na sustentabilidade e também no quesito saúde. Hoje sabemos que os agrotóxicos estão relacionados inclusive a doença do feto. E isso é muito sério", diz Nathália Chrispim, gastroenterologista e hepatologista pediátrica de Rio Preto.

 

Editorias:
Sustentabilidade
Compartilhe: