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Quatro X Quatro: pensadores reúnem reflexões para bem viver

Francine Moreno - 09/01/2021 00:18

Dar livros de presente é sempre uma boa ideia. Livros não são tão caros e existem inúmeras opções. Uma boa alternativa para não errar na escolha é buscar autores que abordam questionamentos para o momento atual, como os quatro maiores pensadores contemporâneos brasileiros: o escritor, professor e palestrante Clóvis de Barros Filho, o professor e historiador Leandro Karnal, Monja Coen, uma das líderes do zen budismo no Brasil, e o filósofo, escritor, palestrante e professor Mario Sergio Cortella.

Por abordarem temas diversos que apontam caminhos diante dos novos desafios que a realidade tem nos colocado, os autores costumam agradar todos os leitores. Eles, em especial, fizeram a filosofia se tornar popular em todo o Brasil. Mesmos assuntos densos se tornaram palatáveis e até leves. Tanto que a editora Papirus lançou o box especial "Quatro x Quatro: Reflexões para bem pensar, bem sentir, bem agir e bem viver", que reúne publicações de sucessos dos autores.

A edição limitada traz "Felicidade ou morte," de Clóvis de Barros Filho e Leandro Karnal; "O inferno somos nós: Do ódio à cultura de paz", de Karnal e Monja Coen; "Nem anjos nem demônios: A humana escolha entre virtudes e vícios", de Mario Sergio Cortella e Monja Coen, e "Viver, a que se destina?", de Cortella e Karnal. O leitor ainda ganha um livreto exclusivo com textos inéditos dos autores. Na obra há também uma seleção de pensamentos extraídos dessas quatro obras necessárias para repensar a própria vida e fazê-la valer a pena. Confira abaixo alguns detalhes dos livros que ganharam capa nova.

 

Clóvis de Barros

A felicidade normalmente é associada a um momento da vida que dura certo tempo e tem certa intensidade. "Em Felicidade ou morte", Clóvis de Barros Filho e Leandro Karnal passeiam pela história e pela filosofia para pontuar como cada época e cada sociedade estabelecem sua própria definição das circunstâncias para o que seja uma vida feliz. Clóvis chama a atenção para a necessidade de lutar pela alegria no mundo como ele é: um "mundo de forças", "de caos". "Você é o gestor da própria trajetória. Não patrocine para si mesmo uma vida triste. Até prova em contrário, esta vida é única e você tem as rédeas da própria trajetória nas mãos".

Para Clóvis, "Em Felicidade ou morte" e os demais livros que integram o box falam sobre a vida. "Eis o que lhes é comum. Aquilo que na existência de cada um de nós possa valer suas penas, suas dores, suas ansiedades, suas tristezas. E haja valor para compensar tanto apequenamento. Em tempos de quarentena, um livro sobre a vida e suas condições parece particularmente pertinente. São abordados temas como a felicidade, o desejo, a angústia, o medo, a esperança, a ética, a moral, a educação e muitos outros."

O escritor, professor e palestrante afirma que, no livreto que faz parte do box, o seu texto fala da finitude da vida como condição primária de seu sentido e valor. "Em outras palavras, todo e qualquer valor da existência encontra seu fundamento na sua finitude. Fosse a vida que vivemos eterna, nada do que se pensa a respeito da vida boa faria sentido. Zelamos pela nossa integridade, porque nos sabemos que somos frágeis. Ocupamo-nos dos infantes pela mesma razão. Tomamos conta do planeta, ou deveríamos fazê-lo, porque sabemos bem que podemos destruí-lo. Temos empenho em projetos porque entendemos a possibilidade do seu fracasso. A vida vale porque vai acabar. E só nós sabemos disso. Desde sempre."

Monja Coen

Em "O inferno somos nós: Do ódio à cultura de paz", Leandro Karnal e a Monja Coen reforçam que o conhecimento, de si e do outro, é capaz de produzir uma nova atitude na sociedade, menos agressiva e mais acolhedora. A leitura dessa obra leva à reflexão sobre o papel que cada um de nós tem de mudar a atitude da sociedade em relação ao planeta e ao outro. Mais que tolerância é preciso haver compreensão e respeito, segundo Monja Coen. "É preciso tolerar alguém que tenha outra forma de pensar, de comer. Mas não se trata de tolerar a outra pessoa como toleramos um remédio amargo e desagradável, apenas porque ele traz a cura. Para mim, devemos compreender e respeitar o outro, o que considero um passo a mais do que tolerar".

Para Coen, o box é "4X4", por exemplo, é como os carros com tração nas quatro rodas, que sobem ladeiras íngremes, passam por estradas lamacentas ou cobertas de neve, com agilidade. Por isso, o "Do ódio à cultura de paz" e os demais são essenciais para leitura. "Acredito que cada um de nós oferece ensinamentos que facilitam a jornada da vida. Estamos alinhados uns com os outros. Esse alinhamento é necessário para o bom funcionamento de um automóvel. O respeito e a reverência, alinhados aos nossos relacionamentos pessoais e sociais, torna o caminho mais suave. Compartilhamos aqui várias reflexões, visões nem sempre iguais, mas alinhadas - como as rodas de um 4X4, de forma que a nossa vida vá bem."

Para a Coen, quatro ideias para viver em tempos de incertezas é um apanhado dos pensares. "Não ficamos nas academias do saber ou em nossos cantos, castelos, casas, arquivos, bibliotecas ou florestas distantes. Saímos, cada um a seu tempo, em seu momento e à sua maneira, a divulgar e estimular pessoas a questionar a si e a tudo que há, foi e será. Assim nos encontramos e reencontramos, com milhares e milhões de seguidores, fãs, discípulos e discípulas, pessoas de todos os níveis intelectuais, que se divertem aprendendo, que se esforçam e que se tornam capazes de despertar. Construímos e provocamos a fim de dar liberdade ao pensamento ético, de criar seres capazes de discernir e apreciar a vida. Que ninguém seja manipulado ou queira manipular alguém."

Mario Sergio Cortella

Filosofia e espiritualidade para uma conversa sobre vícios e virtudes. Assim podemos definir "Nem anjos nem demônios: A humana escolha entre virtudes e vícios", obra assinada por Mario Sergio Cortella e a Monja Coen, que instiga uma reflexão sobre de que adianta, por exemplo, ser bom num mundo tão corrupto e injusto. "Somos angelicais e demoníacos", provoca Cortella. Para ele, a virtude não é o que já nasce pronto em nós, ela é uma possibilidade a ser desenvolvida, tal como o vício.

Na obra, Cortella fala sobre a importância de praticar a virtude, independentemente de qualquer situação. "Eu acho que o que caracteriza uma virtude no sentido de positividade é exercê-la como crença, e não como circunstância", explica Cortella. O livro ainda leva o leitor a refletir sobre o outro como semelhante, sobre a intolerância cada vez mais presente em nosso cotidiano e a falta de compaixão.

Para Cortella, o box com livros assinados por ele e mais três dos maiores pensadores contemporâneos brasileiros, Clóvis de Barros, Karnal e Monja Coen, tem muito conteúdo relevante para a sociedade. Por isso, ele deixa a dica: é preciso ler para edificar ainda mais a consciência livre. "Ler é importante para ajudar a proteger a integridade pessoal e coletiva e, acima de tudo, para ser protagonista solidário da própria vida." E o professor deixa outro recado. "O mais denso é retomar a lamentação de Manuel Bandeira, e recusar o entristecido 'passei a vida à toa, à toa'".

Leandro Karnal

No livro "Em Viver, a que se destina?", Mario Sergio Cortella e Leandro Karnal refletem sobre questões que há séculos fascinam e intrigam a humanidade, como "Qual o sentido da vida?", "O que nos trouxe até aqui?", Destino ou escolha? "Somos livres até que ponto?", "Por que algumas pessoas têm mais sucesso do que outras no que fazem?" e "Será dom, vocação ou esforço?"

Karnal defende como libertador ter de inventar seu próprio sentido. E observa: "Podemos entender que a existência é aleatória, não tem sentido, nada muda definitivamente nada. Mas, ao formar a minha ideia aleatória de sentido, que é histórica, estou produzindo algo que eu creio ser significativo".

Seja escolha ou destino, seja a vida um drama que vamos tecendo ou uma tragédia anunciada, fato é que estamos sempre procurando algum propósito que torne a existência mais significativa. Poucas pessoas convivem bem com a ideia de uma existência sem determinação, inteiramente livre e absolutamente sem sentido. "Muitos demandam uma onisciência superior que, de forma justa e inteligente, determine tudo ou quase tudo".

Neste cenário, Karnal afirma que "Em Viver, a que se destina?" e os demais livros do box são indicados para todos os públicos. "É indicado para pessoas que se consideram em fase de aperfeiçoamento. Assim, qualquer pessoa da humanidade, menos aquelas que já estão prontas e que são perfeitas. As perfeitas precisariam ainda mais, porém não querem."

No livreto bônus, Karnal afirma que falou sobre o desafio de pensar. "Acho que o não pensamento é uma zona de conforto boa. A capacidade de pensar é um enorme salto e eu gostaria de usar a frase latina antiga e sábia: sapere aude! Ousa saber! Atreva-se a conhecer. Quando Horácio escreveu isto, estava tocando no grande desafio duplo da vida: coragem e conhecimento".

Pensamentos:

"Temos a impressão de que, na vida de carne e osso, a felicidade representa um grande desencontro e, portanto, ela é sempre cogitada como indicativa de um tipo de existência que não é, que nunca é, mas que gostaríamos que fosse."

Clóvis de Barros Filho

"Preferimos sobreviver a ser livres. E preferimos sobreviver e ser livres a uma terceira coisa. Essas categorias, portanto, estão ligadas ao medo. Nós somos pessoas assustadas. E pessoas assustadas obedecem com facilidade."

Leandro Karnal


"Uma frase antiga sem autoria diz que não vamos conseguir controlar a direção dos ventos, mas podemos reorientar as velas. Acho que, de fato, não controlamos a direção dos ventos. Isso está fora da nossa possibilidade. Mas podemos reorientar as nossas velas."

Mario Sergio Cortella

"O mundo é transformação, não há nada fixo nem nada permanente. E nós somos a transformação deste mundo. Como fazemos isso? A nossa presença, a nossa fala, o nosso pensamento, os nossos gestos são movimentos que mexem com a trama da existência. O que fazemos, falamos e pensamos mexe em toda essa trama."

Monja Coen

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