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Som que vem do coração

Francine Moreno - 09/01/2021 00:20

"Tudo começou a mudar depois que a Thais ficou grávida da Melinda. Este processo, que durou cerca de cinco anos, foi natural. Eu mudei e meu som também evoluiu". É com uma voz serena que Michel Teló fala sobre o novo trabalho, o EP "Para Ouvir no Fone" que reúne sete canções com letras mais introspectivas, feitas para ouvir com a alma e para se reconectar. "Café Coado", "Sonhos e Planos" e "O Tempo Não Espera Ninguém", três das novas canções, surgiram antes mesmo da pandemia e nasceram do desejo do cantor de falar um pouco das coisas simples da vida.
O EP foi produzido e lançado durante a pandemia do novo coronavírus, período em que Teló ficou ainda ainda mais próximo da mulher, a atriz Thais Fersoza, e dos filhos, Teodoro, 3, e Melinda, 4. Com 39 anos, o dono da balada "Ai Se Eu Te Pego", que ficou famosa em todo o mundo e o fez rodar o globo terrestre, mostra agora uma outra versão do cantor e compositor natural de Medianeira, no Paraná: o paizão que adora curtir os filhos e a família, aproveitar os momentos mais simples e cantar para acalentar e alegrar o coração dos seus fiéis seguidores.
No clipe de "O Tempo Não Espera Ninguém", Teló se entrega totalmente a este novo momento da carreira. O vídeo foi gravado em São Luiz do Paraitinga, que conta com uma paisagem e pôr do sol de tirar o fôlego. "A real é que ninguém sabe o que de verdade se passa na vida e no coração de cada um. Cada um mostra o que quer nas redes sociais. Não necessariamente a verdade. Esse álbum soa quase como um desabafo. Traz um pouco do Michel do interior, e do interior do Michel, sabe? Então, quem tiver a fim de sinceridade pode dar play, reflete comigo, se emociona, deixa a música tocar seu coração e compartilhe alegria com as pessoas que realmente importam para você."
Confira a entrevista do artista.

 V&A - Este ano foi um ano atípico, em que os artistas tiveram que se reinventar. Qual foi sua maior dificuldade? E seu maior aprendizado?
Michel Teló - Eu vivo no palco desde criança, amo cantar e levar alegria para as pessoas. A estrada faz parte da minha vida, desde os 12 anos. Sem dúvida nenhuma, estar longe do palco, trocando energia com o público, é o que tem me feito mais falta. Por outro lado, tentei criar várias maneiras de me aproximar
do público, através das lives e das redes sociais. Além disso, tive mais tempo de estar com meus filhos, de cuidar da casa, da família. E isso não tem preço também.

V&A - Você é casado com a atriz Thais Fersoza e tem dois filhos: Melinda e Teodoro. No início de dezembro, no Instagram, você publicou a primeira foto tirada com a Thais e fez uma publicação apaixonada em que celebrou os oito anos de relacionamento com ela. Qual é a importância da sua família na sua vida? Vocês pretendem ter mais filhos?
Michel Teló - A família é a base da minha vida. Nesse momento que estamos vivendo, poder estar próximo deles, é maravilhoso. Tudo ficou muito mais forte entre nós. A gente está bem feliz com os nossos pequenininhos, com uma idade legal, de se curtirem. Não pensamos em mais filhos.


V&A - O Michel Teló virou um paizão de família. Se tivesse que mudar algo hoje na sua trajetória, o que mudaria? E se pudesse repetir algo, o que repetiria?
Michel Teló - Não mudaria nada na minha trajetória, nem profissional e nem pessoal. Sou muito grato por tudo o que vivi e por tudo o que tenho.


V&A - Você e sua família são muito amados pelos fãs. Me fale um pouco sobre a sua relação com seus seguidores. Está com saudade dos shows ao vivo? Deixe um recado para os seus fãs.
Michel Teló - Estou com saudades do palco. Como eu disse, sem dúvida nenhuma, estar em cima do palco e trocar energia com as pessoas, faz muita falta. Nada substitui o olho no olho, a presença e a vibração de um show. Mas ainda temos que nos cuidar, nos preservar e preservar quem amamos. Quando tudo estiver seguro, voltaremos aos shows com força total.


V&A - Você já fez muitos shows em Rio Preto e região e também tem um primo, o Isaque, que é empresário e mora na nossa cidade. Lembra de alguma experiência bacana ou alguma curiosidade que passou por aqui?
Michel Teló - Já fiz muitos shows aí na região, pedaço do nosso país que eu curto demais. Foram incontáveis bailes. Não lembro de nenhuma curiosidade específica,w mas tenho sempre comigo que o público daí é bão demais, caloroso, animado! Saudades de cantar para turma.

V&A - Você circula fácil entre os artistas da velha e da nova geração. O que representa a música sertaneja na sua vida? O que pode falar sobre o futuro da música sertaneja?
Michel Teló - A música sertaneja está presente na minha vida desde muito novo. Desde os 12 anos eu tocava baile em Campo Grande. Eu sou muito grato à música sertaneja. Tudo que tenho, a minha experiência musical, o que eu vivi, de viajar o mundo inteiro, é por conta do sertanejo. Hoje a música sertaneja é mais pop, mais moderna. Mas, ao mesmo tempo, mantém a raiz viva. Ela quebrou muitas barreiras e, do mesmo jeito que o mundo foi evoluindo, foi migrando para o urbano, a música sertaneja foi evoluindo junto. Ela sempre soube se reinventar, sem perder as raízes. E acredito que sempre continuará assim.

V&A - Em 2011, você lançou o 2º álbum ao vivo, “Michel na Balada”. A música “Ai Se Eu Te Pego” foi lançada como primeiro single e logo se tornou um sucesso nacional e internacional, com vários prêmios. Uma colega de trabalho disse que, quando foi para a República Dominicana, a música não parava de tocar. Como foi ter esse reconhecimento?
Michel Teló - O que eu vivi por causa dessa música foi surreal. Historicamente é difícil achar uma música que foi cantada no mundo todo, em português. Eu sou muito privilegiado por isso.

V&A - Como técnico no The Voice Brasil, você afirmou recentemente que seu segredo para montar um time vencedor no reality da Globo é selecionar cantores que façam a audiência ir às lágrimas. Me fale um pouco sobre a sua experiência no programa. Como é auxiliar um artista novato a conquistar o seu espaço no mercado da música?
Michel Teló - Poder fazer parte da família  The Voice é um privilégio. Poder dar oportunidade para grandes talentos que estão escondidos ou que nunca tiveram espaço antes e agora podem subir no palco é demais. Ajudá-las, aconselhá-las, não tem preço. Mais ainda, é importante demais poder dar voz a alguns cantores nesse momento que está todo mundo em casa. Eu tive a alegria de ganhar cinco temporadas que participei e sempre escolho os candidatos pela emoção, pela energia que sinto neles no palco.

 

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