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Luis Fernando Verissimo reúne meio século de crônicas em livro

Jessica Reis - 10/10/2020 00:12

Cinco décadas de crônicas reunidas em um livro. "Verissimo Antológico - Meio século de crônicas, ou coisa parecida", de Luis Fernando Verissimo foi lançado recentemente pela editora Objetiva.

Autor best-seller de livros como "O melhor das comédias da vida privada" e criador de personagens marcantes como a Velhinha de Taubaté, Ed Mort, O Analista de Bagé e As Cobras, Verissimo escreve crônica desde os anos 1970, mais precisamente 19 de abril de 1969, quando estreou na coluna Informe Especial, no jornal Zero Hora. Desde então não parou. Escreveu para diversos jornais e revistas, como Veja, O Globo e O Estado de S. Paulo. Suas crônicas são referência para diferentes gerações.

Verissimo nasceu em 1936, em Porto Alegre, é filho do escritor Érico Verissimo, um dos mais populares do século 20, e de Mafalda Helfen Volpe. Viveu parte da infância nos Estados Unidos, época em que o pai lecionou literatura brasileira nas Universidades de Berkeley e de Oakland, entre 1941 e 1945.

Atualmente, Verissimo escreve para os jornais O Estado de S.Paulo e O Globo, e tem livros publicados em quinze países. Entre uma crônica e outra, o autor falou com a Vida&Arte sobre seu novo livro e como foi o início de sua carreira como escritor.

V&A - No seu livro "Verissimo Antológico", você reúne cinco décadas de produção de crônicas. O que o leitor pode esperar dessa obra? Há algumas surpresas, textos inéditos?

Luis Fernando Verissimo - Textos inéditos, não há nenhum. Há textos antigos que eu mesmo não me lembrava mais. O que não deixa de ser uma forma de ineditismo.

V&A - Como foi o processo de escolher os textos que fariam parte de "Verissimo Antológico"?

Luis Fernando Verissimo - A escolha não foi minha, foi trabalho de equipe da editora, inclusive da minha filha mais velha, Fernanda.

V&A - Como foi o início de sua carreira como escritor?

Luis Fernando Verissimo - Foi meio acidental. Eu tinha voltado para Porto Alegre depois de uma temporada no Rio, onde me casei e nasceu a Fernanda, e estava sem emprego. Me convidaram para fazer um teste no Zero Hora, onde comecei como copy-desk e fazia de tudo, até o horóscopo. Eventualmente me deram um espaço assinado no jornal, eu virei cronista e descobri, para minha surpresa, que sabia escrever.

V&A - As crônicas remetem a assuntos do nosso cotidiano. O que mais tem pautado as suas crônicas atualmente?

Luis Fernando Verissimo - Tenho escrito bastante sobre política.

V&A - Em todos esses anos de escritor, há algum texto que seja o seu favorito? Por quê?

Luis Fernando Verissimo - As crônicas do analista de Bagé foram importantes porque foram as primeiras a terem repercussão nacional e, reunidas em livros, venderem bem. Por esta razão, mais comercial do que literária, é que as destaco.

V&A - Meio século como escritor. Quais os desafios encontrou durante sua trajetória como escritor no Brasil? Teve algum período mais difícil, sofreu com a censura?

Luis Fernando Verissimo - Comecei a ter um espaço assinado no jornal em 1969. Na época mais dura da ditadura. Era proibido criticar o governo e os militares, e a gente precisava ter uma crônica pronta, sobre o sexo dos anjos ou outro assunto ameno, no caso de uma cronica "subversiva" não poder sair. Escrevia-se muito nas entrelinhas, naquele tempo.

V&A - A revolução digital alterou a forma como as pessoas consomem livros, literatura... Como você avalia essa mudança? Ainda há espaço para o livro impresso no Brasil?

Luis Fernando Verissimo - Eu só vou começar a me preocupar quando inventarem um computador que substitua o autor. Até lá qualquer tipo de texto é aceitável, desde que seja feito por um humano.

V&A - Recentemente o mercado editorial se manifestou em relação à reforma tributária que encontrou uma brecha legal para o retorno da tributação de livros. Você acredita que isso possa prejudicar ainda mais o consumo desse produto no País?

Luis Fernando Verissimo - No fim, o que essa gente quer é acabar com a cultura e punir a inteligência. 

 

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