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Luiza Trajano: inspiração para os negócios e a vida

Empreendedora, mulher forte, destemida. Aos 69 anos, Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil, é uma das empresárias mais importantes do País. Ela sabe como inspirar outras pessoas e agora unida com 75 mil voluntárias e entidades como Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entre outras instituições, lançou o movimento 'Unidos pela Vacina', em fevereiro.

Luiza lidera o movimento que tem o objetivo de vacinar todos os brasileiros até setembro de 2021. A ideia surgiu no final do ano passado, com a campanha de conscientização Vacina para Todos, do Grupo Mulheres do Brasil. "A partir dali, tentamos entender como poderíamos ajudar e concluímos que era preciso partir para uma ação efetiva. Foi quando esse movimento passou por uma transformação, trouxemos mais parceiros, empresários e executivos de diferentes setores e organizações não governamentais e surgiu o Unidos pela Vacina", explica a empresária.

Em entrevista à Vida&Arte, Luiza Trajano fala sobre sua trajetória no mundo dos negócios, o trabalho no grupo Mulheres do Brasil, seu olhar diferenciado para o plano social, no qual se envolve em diversas causas. Além disso, a empresária revela quais foram os desafios enfrentados durante a pandemia e o que espera para 2021.

V&A - A senhora começou a trabalhar com 12 anos, fez faculdade de Direito e, hoje, é uma das mulheres mais importantes do Brasil e uma fonte de inspiração para muitas mulheres. Desde sempre a senhora teve essa veia empreendedora?

Luiza Trajano - Aos 12 anos trabalhava durante as férias escolares. Só quando fui fazer faculdade noturna é que passei a me dedicar ao trabalho durante o dia todo. Venho de uma família empreendedora; minha tia Luiza comprou a primeira loja sem dinheiro para pagar as demais prestações com o objetivo de gerar emprego para a família. É esse tipo de atitude que move um empreendedor, é o amor ao trabalho e à geração de empregos. E muitos brasileiros têm esta atitude.

V&A - O grupo Mulheres do Brasil, hoje, é uma importante ferramenta política apartidária para defender a construção de um plano para o país crescer, com protagonismo feminino. Em Rio Preto, temos o Núcleo Rio Preto e suas integrantes vêm de diferentes classes, origens e profissões. O que a senhora deseja para estas mulheres?

Luiza Trajano - Essas mulheres maravilhosas dedicam seu tempo por uma causa: ajudar a melhorar o Brasil. Sinto que quem entra no grupo cria uma união tão grande, que costumo dizer que cria uma cola que dá significado e motivação para todas, uma vontade de transformar causas necessárias para melhorar nosso país. Juntas somos mais fortes para atuar na transformação que queremos e fazer do Brasil um país cada vez melhor.

V&A - A senhora tem assumido um papel cada vez mais relevante no plano social. Por quê?

Luiza Trajano - Sempre tive um olhar diferenciado para o plano social, me envolvendo em diversas causas. Mas a partir da pandemia, acredito que toda a sociedade percebeu a grande desigualdade social, por isso, não só eu, mas muitas empresas, famílias e pessoas passaram a se dedicar mais às causas sociais.

V&A - Hoje, a senhora defende um "capitalismo consciente"?

Luiza Trajano - Sim, até faço parte do Conselho do Capitalismo Consciente no Brasil, mas é um movimento global que procura ajudar a transformar o jeito de fazer negócios por meio de uma gestão mais humana, ética e sustentável. Convido a todos a ler e se informar sobre as propostas do movimento.

V&A - A senhora criou um conglomerado de mais de mil lojas físicas, além do comércio virtual, e que emprega 40 mil funcionários. Quais dicas a senhora pode dar para o empreendedor que foi afetado pela pandemia do coronavírus e que quer sair do vermelho e prosperar como a senhora?

Luiza Trajano - A pandemia afetou a todos, foi um impacto como nunca antes na economia, mas quem já estava com um olhar diferenciado para o digital conseguiu enfrentar melhor a crise. Em 2019, fiz uma série de vídeos no meu Instagram bem didáticos, alertando a todos sobre a importância do digital, inclusive e especialmente voltados aos pequenos negócios. A pandemia veio, e quem estava trabalhando o digital pôde enfrentá-la em uma situação melhor. E é isso que qualquer empresa, de qualquer área, deve continuar aperfeiçoando. Muitos restaurantes, por exemplo, não tinham nem delivery antes da pandemia.

V&A - A sua empresa, Magazine Luiza, é familiar e desmistifica a crença limitante de que empresa do dono não sobrevive de uma geração para outra. O resultado desta solidez foi a persistência, a reinvenção diária, o investimento em pessoas, planejamento e criação de novos e arrojados modelos de negócios? Qual é o papel do seu filho Frederico, hoje, na empresa?

Luiza Trajano - O Frederico saiu do mercado financeiro em 2000 e foi trabalhar no Magazine no mesmo ano por defender a visão, contrária do mercado à época, de que as empresas não deveriam separar o digital do físico. Ele sempre defendeu a integração e multicanalidade e fez uma carreira brilhante na empresa, sempre preocupado com o digital integrando à empresa toda, até assumir, em 2016, o cargo de CEO, que era do Marcelo Silva. Eu já sou da segunda geração. Os fundadores são minha tia Luiza e seu marido, o tio Pelegrino, que inauguraram o Magazine Luiza em 1957. Eu assumi em 1991. Nós entramos na Bolsa em 2011 e tínhamos um fundo investidor desde 2005, pois sempre tivemos uma preocupação com a governança. Desde 1998, auditamos o nosso balanço, mesmo sem sermos obrigados. As empresas familiares passaram por um período de desvalorização por associarem esse tipo de gestão como não profissional, mas hoje as empresas familiares buscam cada vez mais uma governança profissional e voltaram a ter destaque no mercado.

V&A - Recentemente, o Magazine Luiza tinha poucos executivos negros em altos cargos e, por isso, decidiu fazer um programa de trainee exclusivo para profissionais negros. Qual balanço a senhora faz deste novo processo seletivo desde a sua implantação?

Luiza Trajano - Sempre tivemos um olhar muito grande para promover a diversidade na empresa. Temos bastante negros em cargos de liderança, mas não entre os executivos, e o programa de trainee é uma das portas de entrada para isso. O Frederico resolveu criar um programa específico para corrigir essa nossa distorção, que causou muitas críticas iniciais, promovidas pelo racismo estrutural que está presente em nossa sociedade. O balanço é superpositivo, tivemos milhares de inscritos e chegamos a um grupo extremamente capacitado e preparado para contribuir e crescer na empresa. Talvez essas pessoas não se inscrevessem em um processo que não fosse específico.

V&A - Hoje, qual é seu lazer? O que gosta de fazer quando não tem compromissos profissionais?
Qual é o seu tipo de comida preferida? Tem algum prato especial?

Luiza Trajano - Sou uma pessoa normal que gosta de ver novelas, estar com os netos e praticar esportes aquáticos no rancho que tenho próximo a uma represa. É lógico que, como todos, tive minha rotina alterada com a pandemia, e não vejo a hora de a vacina chegar para todos para podermos nos reencontrar e conviver juntos de novo. Gosto de diversos tipos de comida, especialmente a brasileira e a japonesa.

V&A - Qual foi o maior desafio que a senhora enfrentou neste 2020?

Luiza Trajano - Todos nós tivemos o desafio de nos reinventar em nosso trabalho e em nossas relações pessoais e familiares. Foi um ano de muita superação, e o nosso desafio foi sairmos pessoas melhores do que quando entramos nesta pandemia.

V&A - O que a senhora espera do Brasil em 2021?

Luiza Trajano - Em primeiro lugar espero vacina urgente para todos, não só espero como estamos atuando fortemente com o Grupo Mulheres do Brasil, o IDV e empresários para auxiliar no que for preciso para que a vacina chegue rapidamente para todos. Só assim teremos a recuperação total da economia e a consequente retomada dos empregos, que deve ser um dos focos principais para este ano.

 

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