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Paulo Emílio e um ano chamado agressivo

"A beca invocada, o pingente no chapéu, a oração, o pedaço do céu. O fogo na arena, a magia no ar. A alegria de um país inteiro, a festa de interior." Nada. Nada disso aconteceu. Um ano em que os portões não abriram. Em que a solidão do brete da Covid fez peões no mundo inteiro tirarem os chapéus e se curvarem em reverência muda, emocionada diante das arenas e arquibancadas vazias. Assim terminará 2020, inédito na história do rodeio. Um ano sem a presença calorosa e contagiante das galeras que vivem o clima dessa grande festa. Sem os peões valentes que buscam seus oito segundos em cima de touros bravos, os verdadeiros astros dos espetáculos, animais atletas de impressionantes preparo e energia. Nesta terra de São José, existe um nome que está acima de todos os nomes quando o assunto é paixão por rodeios.

Paulo Emílio Marques, dono da Cia. de Rodeio Paulo Emílio, um dos tropeiros mais famosos e reconhecidos do universo das montarias dentro e fora do Brasil. Sua companhia tem mais de 100 animais de pulo, incluindo os melhores atletas de peso do rodeio nacional. Nomes como Agressivo, Britânico Bipolar e, claro, touro Bandido, o incomparável campeão que virou galã de tevê. O dono dos touros mais famosos da atualidade entendeu desde muito novo que uma arena era seu lugar no mundo. Ele nasceu na capital nacional do rodeio, Barretos. Na fazenda do avô, ainda criança, montava bezerros. Aos 15 anos, montou pela primeira vez em um touro. "Foi um grande sonho, mas me rendeu uma lesão. Então, em 1984, meu pai me incentivou a ir para os bastidores das montarias. Com a ajuda dele comprei minha primeira boiada. Desde então, a paixão só aumentou".

E foi nos bastidores que Paulo Emílio fez a revolução. Soube agregar sua paixão à profissionalização do setor. Teve visão empreendedora, angariou expertise em viagens ao redor do mundo e foi vanguarda ao apostar no melhoramento genético para conquistar um plantel coroado. "É preciso misturar conhecimento aprimorado do universo dos rodeios e tecnologia de ponta. Sempre tive um olhar apurado para identificar o potencial dos touros. Claro que, para isso, tenho a importante ajuda da minha equipe, profissionais competentes e sérios que estão comigo há um longo tempo. Estamos sempre em busca de novas 'estrelas', e sempre investindo em melhoramento genético. Assim, nosso plantel vem se mantendo como o melhor do País".

O empresário também relaciona a chegada ao Brasil da Professional Bull Rider (PBR) em 2006. "Foi um marco na história dos rodeios no País. Junto com a PRB veio uma nova forma de conduzir os rodeios, com aspecto de show de grandes montarias e um formato ainda mais profissional. O público brasileiro aceitou muito bem esse formato e o rodeio só cresceu. Nós realizamos muitas etapas da PRB ao longo desses anos e esperamos realizar muitas outras com a parceria dessa importante empresa", ressaltou Paulo Emílio.

Performances que surpreendem

Touros de rodeio são atletas de alta performance. Na Cia. Paulo Emílio uma grande equipe de profissionais tem função importante no cuidado dos animais. "Me preocupo muito com a qualidade de vida dos nossos touros, isso reflete no desempenho deles na arena. Eles recebem alimentação balanceada e treinamento. Semanalmente contam com a visita de veterinário, que verifica como está a saúde deles. Tomamos todos os cuidados para que vivam bem e com isso se tornem astros das arenas." Além do Bandido, que definiu uma consagrada era para a cena do rodeio, a tropa de Paulo Emílio é sem dúvida, uma constelação de intenso brilho. Bipolar - temperamental e briguento, foi um dos mais premiados da companhia. Foi o primeiro touro brasileiro a ficar entre os três melhores do mundo. Durante os seis anos de carreira, Bipolar ganhou mais de 80 fivelas em competições. Agressivo é outro dono da história. Ficou invicto por oito anos e ganhou os títulos mais importantes do rodeio. Tinha um estilo único de pular, com movimentos rápidos, altos e com muita rotação, um dos mais difíceis de montar. Agressivo esteve na lista dos touros mais temidos do mundo. É assim, com bravíssimas, espetaculares e surpreendentes performances de seus astros que Paulo Emílio escreve seu nome na crônica das arenas.

2020 agressivo

Sobre 2020, o empresário não tem dúvida. Se tivesse um nome, seria Agressivo (um dos mais difíceis de montar...). "Esse vírus mexeu com a vida de todo mundo. Um ano marcante que fez não só redobrarmos os cuidados, como também repensarmos nossa vida. Mas, foi, sem dúvidas, uma amostra de que precisamos saber trabalhar com o inusitado e o imprevisível. O ano de 2020 mostrou a necessidade de nos adaptar sempre e da melhor forma. Conseguimos fazer isso com a realização de eventos online, respeitando todas as recomendações das autoridades de saúde." Uma das experiências nesse sentido para o empresário foi a edição deste ano do Rio Preto Country Bulls, simbólica e virtual, também transmitida pela tevê. Há mais de 20 anos Paulo Emílio é o organizador do Country Bulls, festa que leva o nome de Rio Preto para todo o Brasil. "Esperamos um 2021 melhor, com a volta dos grandes eventos de rodeio. A nossa população merece momentos de alegrias após esse ano difícil."

Oito segundos

Paulo Emílio é casado com Lívia Costantini Marques. O casal tem três filhos: Maria Clara e José Victor, ambos 18 anos, e Antônio José, 10. Família, trabalho e lazer ocupam o tempo do empresário que gosta de exercícios físicos e tem atenção constante com alimentação. "Pratico vários esportes, mas o preferido é o tênis. Agora estou voltando para a academia. Mas, mesmo com a pandemia, procurei me exercitar em casa. Minha família tem muita preocupação com a saúde."

Mas, mesmo para um peão vitorioso e de tão boas histórias como Paulo Emílio, a vida também reserva aqueles oito segundos longos, de solavancos sofridos. Danados de agonia, tristeza. "Passei recentemente por dois momentos muito difíceis. Primeiro a perda de minha mãe, dona Martha, que inclusive dá nome a nossa fazenda, em Icém (SP). Mulher batalhadora, guerreira, que nos ensinou muito bem como vencer os desafios da vida. Mais recentemente, perdi também meu sogro, José Paschoal Costantini, um grande empresário, líder e incentivador. Ele sempre foi um conselheiro para mim, dono de palavras sábias, catalisadoras de entusiasmo. Perdi duas pessoas que foram grandes motivadoras, encorajadoras da minha vida. Sou muito grato a tudo que eles me ensinaram."

Esse é Paulo Emílio aos 51 anos de idade. Menino que abriu caminho para muitos peões. Tropeiro astuto, de visão. Empresário de grandes estrelas, jovem senhor ainda muito novo para um caminho assim de tantas glórias e muitos feitos. Mais forte com as lições de um 2020 custoso de montar. Agradecido aos que lhe serão eternos no coração. Esperançoso com as alegrias que a arena 2021 deverá inaugurar. Com portões abertos e "magia no ar. E quem gosta de rodeio, bate forte com a mão!" E assim, será!

 

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