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Generosidade, o único caminho

Ele é parceiro da Educação. Apoia iniciativas inteligentes de gestão pública e de desenvolvimento sustentável como Norte e Bom futuro. Vê a cultura como passaporte para a cidadania. Esses são alguns dos enfoques do escopo de vida do cidadão Carlos Jereissati Filho, conselheiro de instituições como Fundação Bienal de São Paulo, Pinacoteca do Estado de São Paulo e MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand.
Ele liderou a abertura de capital da Iguatemi Empresa de Shopping Centers, e de 2006 a 2015 decuplicou o tamanho da companhia com empreendimentos como Iguatemi Florianópolis, Brasília, Alphaville, JK, Ribeirão Preto, Esplanada, São José do Rio Preto e com o Pátio Higienópolis. Criou um novo braço de negócios e lançou o I Fashion Outlet em Novo Hamburgo, Santa Catarina e Nova Lima.
Esses são alguns frutos do talento do empresário Carlos Jereissati Filho, que desde 2005 é o presidente da Iguatemi.
Na entrevista a seguir, ao comentar a atual crise, a alma do cidadão e o entusiasmo do empresário se mesclam. Tornam-se um ao desejar um olhar coletivo mais generoso com quem mais precisa. E ao afirmar que sairemos diferentes da pandemia. Mais conectados, vamos evoluir. Confira.

V&A - O Iguatemi 365 parece ter sido um presságio da atual crise. A experiência do isolamento social fará o Grupo focar mais em soluções do omnichannel?

Carlos Jereissati Filho - O lançamento do nosso marketplace em outubro do ano passado aconteceu em um momento muito oportuno. O Iguatemi 365 é a nossa grande aposta para esse ano, uma inovação não apenas para nós, mas para todo o setor. O objetivo é oferecer aos clientes uma experiência verdadeiramente multicanal. Vamos consolidar este marketplace como a principal plataforma de compra online do País. Nos próximos meses vamos expandir a atuação para além de São Paulo, chegando a mais cinco capitais. Os canais digitais representam uma expansão da oferta. Nem tudo cabe em um espaço físico limitado e o virtual aceita uma variedade infinita. Nosso e-commerce que nasceu com 80 marcas conta hoje com 240 marcas e mais de onze mil produtos disponíveis na plataforma. Tivemos muitas novidades chegando no Iguatemi 365 nos últimos meses, entre elas, Galeria Carbono, Mistral, Livraria Cultura, Ricardo Almeida, Dolce Gabbana Kids, M Missoni, Vert, Neeche, Paula Torres e Mixed - sendo algumas exclusivas e inéditas no Brasil. Vale destacar que o ambiente físico é e continuará sendo muito importante. Costumo dizer que não é sobre físico ou digital, mas é sobre a marca estar perto do cliente em todos os canais possíveis. Ter diversidade e flexibilidade é o que deixará qualquer marca segura para continuar operando. Não é um canal "ou" outro. É "e". Acredito também que os pontos de venda tendem a ser cada vez mais digitais, seguindo a tendência de uberização das lojas - a experiência de sair sem tirar a carteira do bolso. A Amazon Go é um bom exemplo disso.

V&A - Em 2020 o sonho do crescimento econômico no Brasil virou pesadelo. Para quando você projeta a retomada?

Carlos Jereissati Filho - A retomada será lenta e gradual, com um sofrimento econômico importante. Ela estará atrelada a superação das questões da saúde e da economia. A crise irá exigir muito conhecimento das autoridades públicas, principalmente da área econômica. Será preciso a redução da taxa de juros, incentivo às indústrias geradoras de emprego e atração de investimentos. Precisamos ser diligentes e cobrar das autoridades que prestem atenção ao que está sendo feito no mundo e utilizem os nossos recursos para trazer a economia nos eixos. Temos um comitê multidisciplinar de crise na Iguatemi e seguimos estudando diversos exemplos de retomada do varejo em outros lugares do mundo. Esperamos que a crise seja curta, mas sabemos que será muito profunda. Por isso é cedo para previsões.

V&A - Qual decisão emergencial foi mais complexa ou difícil para o seu Grupo no período de shoppings de portas fechadas?

Carlos Jereissati Filho - Foram três momentos distintos. Primeiro o fechamento dos nossos empreendimentos, o mais complexo provocado pela pandemia, período intenso que exigiu muita energia de todo o nosso time. Em 30 anos trabalhando no varejo, nunca nossas operações - e de tantos outros colegas - haviam sido completamente fechadas. Em um segundo momento, tivemos o tratamento dado em apoio aos nossos lojistas, com as medidas necessárias para dar o alívio (liquidez) para conseguirem ter caixa e manter suas operações e funcionários. Agora estamos acompanhando as curvas da pandemia para uma abertura controlada e segura. Além disso, colocar 95% dos colaboradores em home office em um prazo super curto também não foi uma tarefa fácil. Nos reinventamos numa velocidade excepcional e estamos ainda mais próximos dos times, mesmo com o isolamento social.

V&A - Quais lições o empreendedor brasileiro está tirando dessa inédita crise?

Carlos Jereissati Filho - Na minha visão o maior aprendizado é que as relações humanas continuam muito importantes. Que a gente precisa se unir e pensar além dos interesses individuais. O coletivismo nunca esteve tão em pauta. Acredito na união como solução para sair da crise. Todos precisam ceder. Se cada um fizer um pouco, a gente não vai perder muito lá na frente. As transformações que a crise está causando vieram para ficar. Estamos muito mais conectados às soluções tecnológicas que vão mudar a forma como trabalhamos, consumimos e vão diminuir as viagens de negócios, entre outras coisas. Não tenho dúvidas: sairemos muito diferentes e mais evoluídos.

V&A - Qual o maior desafio que o novo normal deverá impor ao lojista de shopping?

Carlos Jereissati Filho - No processo gradual de reabertura do comércio, os consumidores ainda terão receio de circular imediatamente, o que é natural. Estamos com onze empreendimentos da rede reabertos: Iguatemi Campinas, Galleria Shopping, Iguatemi Ribeirão Preto, Iguatemi Rio Preto, Iguatemi Esplanada, Iguatemi São Carlos, Iguatemi Porto Alegre, Praia de Belas, Iguatemi Brasília, I Fashion Oultet Novo Hamburgo e I Fashion Outlet Santa Catarina. A volta foi feita com o máximo de cuidado, respeitando os decretos dessas localidades e seguindo os protocolos de segurança e higiene como medição de temperatura corporal, uso de máscaras, álcool em gel, distanciamento social, ocupação máxima da capacidade do empreendimento e controle de acessos de clientes simultaneamente no interior das lojas. E ainda o distanciamento físico mínimo de 1,5m entre as pessoas, proibição de prova de produtos e, consequentemente, da utilização de provadores no interior das lojas. Recomendamos a liberação de funcionários com sintomas gripais ou que fazem parte do grupo de risco, renovação de ar-condicionado com a troca de filtros no mínimo duas vezes por mês e uso de pastilhas bactericidas nas bandejas. Eventos e serviços voltados à recreação ainda estão suspensos. Muitos protocolos de saúde e higiene estão sendo adotados e caberá ao lojista adaptar a nova realidade. O cliente estará mais cauteloso e passar segurança é fundamental. Vamos precisar aprender a lidar com essa nova realidade. Mas é uma situação passageira, e à medida que as pessoas se sentirem mais seguras, a tendência é a vida ir voltando ao normal.

V&A - Você acredita que nada mais será como antes? Alguma chance de sermos humanos melhores depois de tudo o que estamos vivendo?

Carlos Jereissati Filho - Não sou radical. O comportamento humano é algo que demora muito para mudar. Não é uma crise de alguns meses, por mais profunda que seja, que irá gerar um impacto gigantesco no comportamento das pessoas. Eu ainda acho que as pessoas continuarão gregárias e tendo os mesmos desejos, a mesma vontade de estar junto, interagir, tocar, abraçar, etc. O ser humano precisa ser constantemente validado, reconhecido e isso não muda por causa da pandemia. Meu grande desejo é que as pessoas percebam a necessidade de olhar para o lado e agir coletivamente, com generosidade com os que mais precisam da nossa ajuda. As pessoas também estão começando a sentir na pele o quanto não cuidar da periferia pode impactar no cenário geral. É o único caminho para evoluirmos. Espero que esse caminho de conscientização continue no futuro pós-pandemia.

V&A - O que a experiência da pandemia mudou em sua visão pessoal de vida e de futuro?

Carlos Jereissati Filho - A pandemia mostrou o quão vulnerável e frágil é o ser humano. Serviu para ficarmos mais atentos à sustentabilidade da vida no planeta. O SUS (Sistema Único de Saúde) se mostrou extremamente importante. Mas é preciso ter planos e política para sermos mais rápidos em soluções para a saúde e a economia, apoiando tanto as pessoas como os negócios. É fundamental planejamento e preparo para essas questões. Precisamos levar a sério as ações ligadas ao meio ambiente. Esse foi um forte aprendizado.

 

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