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A hora de investir é agora

Felipe Nunes - 07/11/2020 00:23

Mais cedo ou mais tarde todos devem entrar no mercado financeiro, seja com o objetivo de acumular patrimônio e rentabilizar o próprio recurso, seja para tentar protegê-lo da inflação. Essa é a previsão dos assessores de investimento da Wit Invest em Rio Preto, corretora de valores credenciada à XP Investimentos e que atua na distribuição de produtos financeiros.

Momentos de crise e de incertezas econômicas são um solo fértil para o cultivo do pensamento de que não é uma boa hora para se investir. Mas o que os especialistas defendem é de que sempre existem oportunidades no mercado financeiro, mesmo durante os momentos de crise. O segredo para ter um retorno satisfatório é conseguir encontrar dentro do mercado de ações a melhor opção para cada tipo de investidor.

E as melhores opções são sempre aquelas que estão mais adequadas ao perfil de quem está investindo e que se alinham às expectativas de rendimentos considerando os riscos incorridos, afirma Nice Tremura, assessora de investimento Wit Invest. Por essa razão, ela afirma que o momento não é o fator mais determinante para se realizar um investimento. Ou seja, é possível ter bons resultados mesmo durante tempos de pandemia.

Para isso, é preciso desenvolver um planejamento financeiro e patrimonial que se adéque às necessidades do investidor, destaca a especialista. "Isso fará com que a pessoa esteja confortável em todos os momentos. Ajustes serão sempre necessários, pois crises sempre existirão", argumenta.

Mas e ao analisando a atual situação do país, como lidar com um cenário economicamente instável, taxa de juros baixa e dólar alto? Nice reforça a ideia de que sempre existem boas oportunidades no mercado. Mas a questão é: o que pode ser bom para um investidor, talvez não seja tão interessante para outro.

"Por exemplo, o mercado de ações, normalmente, é estimulado por momentos de taxas de juros baixas e existem empresas que se beneficiam de um dólar mais alto. Mas é preciso voltar ao ponto sobre o perfil do investidor, é preciso saber se ele está disposto a aceitar maiores riscos para obter maiores retornos e por qual prazo ele pretende deixar seus recursos ativos", pontua Nice.

Nesse momento, contar com ajuda de profissionais especializados pode fazer a diferença entre um bom e um mau negócio. Para buscar orientação sobre produtos de valores, o investidor iniciante pode recorrer a uma instituição bancária ou a uma corretora de seguros.

Em termos de regulação, investir num determinado fundo de investimentos através do banco e da corretora tem as mesmas regras, afirma Flávio Alves, que também atua como assessor de investimento da Wit Invest. Ele esclarece que a diferença está nos serviços prestados e na variedade de produtos disponibilizados nas corretoras que tem se mostrado maior que dos disponibilizados pelas instituições financeiras, explica.

"É muito importante, na escolha pela corretora, que o cliente esteja atento com os serviços, produtos e tarifas que a corretora oferece, analisando se encaixa nas suas necessidades. Checar se a corretora está listada no site da B3 [Bolsa de Valores do Brail] e, claro, verificar a qualidade do atendimento e a reputação da companhia", reforça Silva. Ele ainda esclarece que, outro fator é se a corretora está registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Realizar essa consulta é indispensável antes de aplicar seu dinheiro.

É preciso ter cautela

Anúncios de ganhos fáceis de dinheiro são os atrativos de muitas plataformas existentes na internet e de empresas com interesse em vender cursos. Luzia Inoue, assessora de investimento, reforça que o ganho rápido e com alta rentabilidade é uma ilusão bastante difundida nos dias de hoje. Essa promessa de ganhar dinheiro rápido tem feito surgir um número cada vez maior de investidores iniciantes que ingressam no mercado financeiro, o que por um lado é bastante positivo. "Porém, existem muitas promessas de ganho rápido nesse segmento, e as pessoas menos instruídas são enganadas e acabam perdendo todo o seu recurso de muitos anos de trabalho", diz.

Existem algumas vantagens de se investir com o auxílio de um assessor de investimentos, aponta Luzia. Ela explica que o trabalho do especialista consiste em coletar informações junto ao investidor, registrá-los em um sistema de assessoria, realizar estudos preliminares sobre as características dos produtos de investimentos e entregar a estratégia recomendada por profissionais certificados para alocação do recurso do investidor. "Tudo isso traz algumas vantagens para o investidor, como atendimento exclusivo, acompanhamento periódico da carteira, amplitude da carteira de produtos financeiros, auxílio na tomada de decisão, melhor custo-benefício das operações financeiras e desenvolvimento do perfil do investidor".

Antes de mergulhar no mundo do mercado financeiro, a prioridade para as pessoas que estão querendo começar a investir é montar uma reserva de emergência. Em geral, essa reserva deve ser seis vezes o custo de vida mensal do investidor.

"Essa reserva de emergência deve ser em Investimento sem risco e com liquidez diária", pontua Silva. Ele indica o investimento dessa reserva em um título de renda fixa como o CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) com remuneração de pelo menos 95% do (CDI) Certificado de Depósito Interbancário de alguma instituição financeira ou Título Público Tesouro Selic que é comercializado pela plataforma do Tesouro Direto.

 

Day Trade exige comportamento arrojado

O Day trade é um tipo de operação de compra e venda de ações ou derivativos de uma mesma empresa realizada em um único dia na bolsa de valores. Nessa operação, o objetivo do investidor é poder obter lucros com a oscilação de preços de um ativo financeiro entre a abertura e o fechamento do mercado.

Com esse tipo de operação, é possível ganhar dinheiro em apenas um dia. Justamente por conta do imediatismo é que essa operação é considerada mais arriscada pelos investidores, afirma Luzia Inoue, assessora de investimento da Wit Invest. "Como ela começa e termina no mesmo dia, algum resultado acontecerá. Seja lucro, seja prejuízo", destaca.

Um estudo feito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), concluiu que até 97% desses investidores perdem dinheiro. Ainda de acordo com a pesquisa da FGV, de todos os investidores que tentaram alguma operação, 92% desistiram em menos de um ano. Por isso que os especialistas defendem que a bolsa de valores não deve ser tratada como um jogo de sorte.

A especialista destaca que para se tornar um Day Trader é necessário ter um perfil bem arrojado e experiência nesse tipo de operação. "Para isso, é necessário se capacitar, estudar as análises técnica e fundamentalista, traçar uma estratégia e ser fiel a ela. Além disso, é preciso ter um gerenciamento de risco totalmente esclarecido e estar totalmente equilibrado emocionalmente, porque o medo e a ganância não podem tomar as rédeas do seu negócio", argumenta.

Para ter acesso a esse tipo de operação, é necessário que o investidor tenha uma conta em uma corretora de valores, pois ela é uma instituição autorizada a operar em bolsas de valores. "A corretora fornece acesso a um home broker e as plataformas de negociação para o investidor fazer a operação", finaliza.

Relação entre perfil do investidor e a crise

O mercado possui três tipos de investidores: conservador, moderado e agressivo (ou arrojado). Essa é a avaliação feita através de um sistema conhecido como Análise de Perfil de Investidor (API).

Conservador é aquele que prioriza a segurança como ponto decisivo para suas aplicações. Ele dá preferência em manter sua carteira de investimentos em produtos de baixo risco, mas pode investir uma pequena parcela em produtos com níveis de riscos diferenciados.

O investidor moderado preza pela segurança nos seus investimentos, mas também aceita investir em produtos com maior risco e que podem proporcionar ganhos melhores no longo prazo. Para eles, a principal estratégia é diversificar. Já o agressivo é aquele que busca a possibilidade de maiores ganhos no longo prazo e que aceita correr mais riscos.

Segundo o professor e investidor Lucimar Sasso, o que diferencia o perfil do investidor não é apenas o tipo de operação que ele faz na bolsa, mas sim a quantidade de capital que ele investe. "Eles podem investir no mesmo tipo de operação, a diferença é que o conservador arrisca menos seu capital".

Para ele, a pessoa é considerada conservadora quando investe entre 1% e 10% do seu patrimônio na bolsa de valores. O moderado chega a expor até 25% em ações e a faixa de investimento dos investidores agressivos varia de 25% a 75% do patrimônio.

Sasso explica que em tempos de crise, ocorre um fenômeno em que o investidor agressivo se torna mais agressivo e o conservador fica mais cauteloso. "O investidor agressivo sempre busca oportunidades. Ele garimpa e procura empresas que tiveram uma queda no valor das ações, mas que o lucro caiu pouco ou não caiu", destaca. Isso reforça o argumento de que boas oportunidades surgem independente do momento econômico.

"Tanto faz se é momento de crise e de pandemia, ou se é momento de calmaria ou se são momentos de euforia positiva, vai ter empresas boas e ruins para se investir em todas as situações. Para descobrir quais são as boas empresas e quais são ruins, é preciso estudar o mercado", salienta Sasso.

Para o economista Hipolito Martins, o momento certo para investir vai depender do perfil do investidor. Ele reconhece que os investidores agressivos não levam a crise em consideração e se arriscam em diferentes oportunidades que nem todos vislumbram. "Mas é preciso sempre ter cautela, já que estamos vivendo em um momento precário", destaca.

Martins aconselha criar uma cesta de investimento e diversificar os diferentes ativos financeiros. Segundo ele, essa é uma estratégia muito utilizada por investidores cautelosos que não querem deixar os investimentos expostos ao mesmo risco. "Você pode perder em uma ação e ter sucesso na outra. Colocar todo seu recurso em apenas um ativo pode ser muito arriscado. O interessante é investir em diferentes ações, as que oferecem dividendos, as que não oferecem dividendos, mas que possuem perspectiva de crescimento e ações ligadas ao mercado internacional", afirma.

Além de sempre buscar conhecimento antes de empenhar os próprios recursos, o economista destaca a importância de o investidor ser sempre paciente, já que a média de retorno para um investimento na bolsa de valores pode variar de um a três anos. "É um mercado bastante complexo que não tem uma resposta única. Acontecem casos de um fato novo ou um acontecimento fazer ela implodir ou jogá-la para baixa. Mas, na maioria dos casos esse retorno não acontece tão cedo", pontua o economista.

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