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As mudanças que a Covid-19 forçou nos negócios

Francine Moreno - 06/06/2020 00:17

A evolução da pandemia do coronavírus pelo Brasil e mundo mudou a forma das pessoas trabalharem. O surto da Covid-19 tirou milhares de homens e mulheres do mercado de trabalho formal, destacou as condições dos trabalhadores informais, acelerou a transformação digital nas empresas e colocou quem manteve seus empregos para trabalhar em home office. A doença, que mudou drasticamente a forma de produzir, criou alguns problemas e escancarou os que já existiam, como a fragilidade da economia.

Ainda estamos longe de um balanço real desta história. No meio de tudo isto, é preciso trabalhar de forma produtiva e focada, lidando com o novo cenário e o fluxo de informações sobre a evolução da doença. Apesar de diferente e complexa, é preciso entender a nova dinâmica e ter uma atitude positiva que, segundo alguns especialistas em carreira, será determinante na trajetória profissional de muitos homens e mulheres. A capacidade de definir uma estratégia de aprendizagem ativa, que era definida como uma das competências essenciais para profissionais em 2022, por exemplo, foi antecipada.

Um fato é que as consequências da pandemia do novo coronavírus avançam em várias frentes, como a economia, e na mesma rapidez que a própria doença. O consultor financeiro Moises Dias, professor na Unorp nas áreas de finanças corporativas, controladoria, contabilidade, planejamento estratégico e empreendedorismo, afirma que a pandemia acelerou mudanças que já estavam acontecendo com a virtualização dos negócios em todas as suas formas, na saúde, plataformas e canais de vendas online, sistemas de segurança, educação a distância, trabalho remoto, transações em moedas virtuais e transações bancárias. "Em tese, as mudanças que houveram no mundo digital, local de trabalho, canais de distribuição poderiam demorar até 5 a 10 anos ou mais, mas a pandemia do novo coronavírus antecipou esse processo para hoje."

Algumas empresas já estão se adaptando a essas mudanças que vieram para ficar. Moises Dias explica que, dos pequenos negócios aos grandes players, nos segmentos de vendas, saúde, educação e serviços e entretenimento, todos estão na corrida para adaptar-se ao novo mundo que já estamos vivendo e viveremos pós-pandemia do novo coronavírus. "Isso significa que as empresas terão que reduzir as suas estruturas físicas e trabalhar com zero-based budgeting (orçamento base zero)".

O momento, segundo o consultor financeiro, é de ruptura e exige uma visão mais eficaz, com redução de custos e realocação de recursos. "Os modelos de negócios deverão ser analisados para descobrir quais fazem mais sentido. Será preciso fazer mudanças drásticas, se isso se fizer necessário. As decisões deverão ser tomadas de forma rápida, além de investir em muita tecnologia, usar mais a inteligência artificial e mudar a forma de fazer logística. Há estudos de MIT (Massachusetts Institute of Technology) que apontam que 60% das empresas devem mudar seu negócio para sobreviver."

Muitas empresas já estão mudando o modelo de negócio e já estão tendo resultados. É tempo também de reinvenção. Dias explica que as empresas precisaram focar em dois grandes pilares, eficiência operacional e experiência para o cliente. "Nesses novos canais de vendas, com distribuição e serviços digital e online, em que a tecnologia será necessária, essencial e presente, os melhores vencedores serão aqueles que proporcionarem uma melhor experiência ao cliente", afirma Moises Dias.

Segundo os pesquisadores, o mundo dos negócios deve fazer revisão dos valores e crenças. Moises Dias afirma que mais é menos. "A lista inclui reconfiguração dos espaços do comércio, novos modelos de negócios para restaurantes, experiências culturais e imersivas, trabalho remoto, morar perto do trabalho, shop streaming, busca por novos conhecimentos e educação a distância."

Transformações

Edgard Neto, consultor de negócios, especialista em marketing, varejo internacional e gestão empresarial do Sebrae, em Ribeirão Preto, afirma que não há parâmetros para se identificar as consequências futuras na economia. "Porque já estamos vivendo uma mudança nas relações humanas e comerciais jamais sentido por muitas gerações, que inclui as relações de consumo de produtos e serviços, a anatomia de compra e venda, os meios de comunicação para divulgar de uma forma direta e interessante, e o uso acelerado e massivo de tecnologias e da própria internet."

Alguns estudos apontam que o Brasil avançará 10 anos em um, em vendas online. "É um caminho sem volta. É uma nova história, um novo tempo e uma reinvenção da inovação. Seja para quem ainda não estava no mercado posicionado para a era digital, quanto para quem já usava alguns recursos, mesmo que não muito bem. Não vai existir mais espaço para amadores digitais. Para negócios sem segmentação, para generalistas, seja na indústria, comércio, serviços e agronegócio. O mercado antes mesmo do fim da pandemia iria se encarregar de eliminar as empresas e negociadores que não se posicionem, que não tenham propósito e que não saibam porque querem permanecer num mercado tão mais competitivo e acirrado", afirma Edgard Neto.

 

Novos cenários: negativos e positivos

Algumas áreas e modelos de negócios já sofrem e passarão por muitas mudanças. "Caberá ao empresário mudar a história e o rumo do seu futuro, enxergando possibilidades de inovação e crescimento. Prestadores de serviços como médicos, advogados, psicólogos e escolas de idiomas são alguns exemplos de reinvenção e quebra de mitos e paradigmas. Já existem consultas online e muitos clientes não vão aderir ou abrir mão do atendimento digital. Enquanto algumas empresas estão demitindo funcionários, outras estão contratando profissionais experientes para cuidar dos clientes e oferecer o melhor sistema de atendimento online, pós-venda e agendamento de serviços", afirma Edgard Neto, consultor de negócios, especialista em marketing, varejo internacional e gestão empresarial do Sebrae, em Ribeirão Preto.

Infelizmente, o cenário não é nada favorável para a área cultural, eventos e festas locais como quermesse e junina. Além dos buffet e serviços de locação para casamentos e todos seguimentos desta cadeia, segundo Edgard Neto. "Mas mesmo neste cenário o desafio é, o que faço? Minha dica seria: seja o maior especialista do seu tema, seja aquela empresa inesquecível. Mostre todos os seus conhecimentos, fortaleça a sua marca, faça vídeos, conteúdos relevantes, influencie pessoas e seja desejado para o futuro. Mostre empatia pelo momento dos seus clientes, mas esteja presente digitalmente da melhor e mais frequente maneira possível."

Os restaurantes e varejistas de vestuários no geral também já sentiram uma queda em seu faturamento, mas enquanto uns olham para o problema, muitos empresários viraram o jogo e construíram um novo canal de venda por delivery, aplicativos, e-commerce ou Market Place. "Precisamos lembrar que o consumo pode ter diminuído em detrimento da renda menor ou pelo simples medo da instabilidade econômica que estamos passando, mas quantos clientes que jamais tinham experimentado a compra online e passaram a aderir, como o mercado do bairro que entrega as compras para os idosos em casa, as lojas entregando roupas e calçados por delivery. Isso não deve jamais sair do portifólio de serviços desses negócios daqui em diante. Os seus clientes vão querer viver mais também nesta conveniência."

Em razão do surto de coronavírus, algumas áreas, no entanto, estão sendo beneficiadas. Uma delas é a da tecnologia da informação. Edgard Neto afirma que outras áreas de crescimento exponencial conta ainda com bons profissionais de propaganda, marketing, consultorias, ensinos a distância e agências de publicidades que saibam e entendam efetivamente o que o cliente quer e precisa para ter o resultado estruturado que acompanhe o planejamento do negócio do cliente que ele atende. "Não dá para viver mais na geração de leads e inbound marketing. O cliente quer prestadores que se envolvam com os seus negócios, propósitos e metas. Uma grande oportunidade para estes profissionais reposicionarem seus negócios urgente. O mercado nunca esteve tão aquecido, mas ao mesmo tempo tem a insegurança de contratar alguém e não dar certo."

A pandemia de coronavírus deixou a situação mais desesperadora para quem é autônomo, ou seja, não tem um salário fixo e ganha pelo serviço que oferece. Edgard Neto afirma que não existe milagre para reverter o quadro negativo e ter resultados positivos. "Quem nunca foi digital não é começando do zero que do dia para noite o resultado aparece. É um trabalho diário e de rotina. Tem que ter foco e prazer. Ele deve fazer parte do cotidiano e estratégia do negócio."

Algumas empresas, no entanto, estão buscando novos modelos criativos de se comunicar e se engajar com o consumidor e já apresentam bons resultados. "Elas estão recorrendo ao que já existia, mas que pouco era usado com estratégia. Acredito que todos os exemplos que pudemos compartilhar aqui ilustram bem a necessidade de ser digital e humano simultaneamente. Se você está impossibilitado de vender no seu ponto de venda habitual e decidiu partir para o delivery, por exemplo, além de uma comunicação rápida e efetiva, o que você fez ou vai fazer para levar a mesma experiência boa do seu negócio para esta entrega? Como fazer o cliente continuar se sentindo especial trabalhando de uma forma diferente? No final de tudo, sempre é uma única resposta: equipe. Invista em um time que vista sua camisa e entregue para o seu cliente a melhor experiência, independente do canal de vendas ou da tecnologia usada. Já estamos e estaremos muito mais na era da humanidade digital. Boa leitura e boa sorte em seus negócios", afirma Edgard Neto.

Recolocação: desenvolva novas habilidades

Qualquer plano para ser um sucesso precisa ser baseado no que se quer e
se ama fazer, segundo a coach, professora e executiva Bia Nóbrega. "Esta afirmativa advém dos 50 americanos mais bem sucedidos presentes no ranking da revista Forbes. Quando perguntados sobre
o segredo do seu sucesso responderam: 'Eu sei o que eu quero! Saber o que você quer e ama fazer por si, já é um ingrediente poderoso para quem busca o sucesso'."

Diante deste novo cenário, a
especialista afirma que é preciso
planejar, por exemplo, ao se arriscar em algo novo. "Se o plano B for um novo emprego é importante, semelhante a um negócio, planejar e executar com excelência. A diferença é que o planejamento inclui segmento,
empresas, áreas e depois como chegar até as melhores vagas e uma excelente participação no processo seletivo. Só surfará a melhor onda quem já estiver no mar, ainda que boiando."

A rotina de quem está em busca de recolocação deve ter planejamento também. Após a fase de refletir sobre as suas competências, seus interesses
e valores para desenvolver e
avaliar suas melhores opções
de carreira, dê uma revisada sem seu Linkedin e currículo e informe sua situação aos familiares, amigos e conhecidos: não é desempregado -
estado passivo -, mas em recolocação - estado ativo."

A rotina diária de quem está
em busca de um novo trabalho deve ter a prática do networking, que nada mais é do que trabalhar a sua rede de contatos. "Conversas com outros profissionais
para trocar experiências, ampliar possibilidades (conhecer novas
empresas, segmentos etc.) e ajudar no que precisarem. Isto não é pedir ajuda
para 'encontrar emprego', pois seus familiares, amigos, colegas de mercado e cursos não terão 'emprego' para te
oferecer, mas adorarão ter alguém interessado em trocar ideias e - naturalmente - buscarão retribuir identificando oportunidades, indicando vagas (aproximadamente 60% das vagas são fechadas desta forma) e/ou simplesmente falando de você",
afirma Bia Nóbrega.

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