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Juntos novamente: cultive o amor com a pessoa que você escolheu

Jessica Reis - 05/12/2020 00:26

Olá pessoal da revista Vida&Arte. Meu nome é P. E. M., tenho 24 anos e estou namorando há 7 meses. Nós nos damos muito bem. Ele é agnóstico, ou seja, não segue nenhuma religião, mas também não nega a existência de algo maior. Já a minha família segue à risca as orientações religiosas de nossa igreja e não aceita o namoro. Agora o Natal está chegando e a parentada de São Paulo vai vir toda aqui para a nossa casa em Rio Preto. Com certeza eu vou ouvir um monte, porque o único jeito deles aceitarem meu relacionamento é fazendo meu namorado entrar para a nossa igreja e ele não acredita que essa pressão seja o caminho para a fé. Como lidar com essa situação?

Olha, essa situação que você apresentou é muito comum, infelizmente. O que me deixa perplexo é que sua família segue uma vertente do cristianismo, ou seja, se orienta através dos ensinamentos de Jesus. E, bem no Natal, faz exatamente o contrário de tudo aquilo que ele ensinou. Assim como o seu namorado, eu também não sou muito religioso, mas me interesso pela história das religiões. Então estou sempre procurando aprender alguma coisa com as pessoas com quem eu converso ou com bons livros. Pode ser que eu esteja errado, mas até onde me consta, Jesus nunca obrigou ninguém a entrar numa igreja e rezar. Ele mesmo não parava quieto, estava sempre indo até onde as pessoas estavam, falando com elas pelas ruas, em suas casas ou na beira de um rio. O próprio ‘Pai Nosso’ teria sido ensinado a céu aberto. Também nunca discriminou, pelo contrário, sempre acolheu a todos sem questionar quem eram aquelas pessoas e o que tinham feito. Por isso eu acho extraordinário ver alguns líderes religiosos e devotos rotulando, julgando e condenando previamente os outros em nome de Jesus. Dá a impressão de que não leram de verdade suas escrituras sagradas. Falam de amor enquanto disseminam ódio. Falam de perdão enquanto cultivam o rancor. Falam de igualdade enquanto enaltecem as diferenças. Tornam-se verdadeiros procuradores de Deus, apontando e sentenciando aqueles que deveriam tratar como irmãos. Mas você não deve reagir da mesma maneira que eles. Não deve rebater o intolerante com intolerância. Se fizer isso não vai gostar nem um pouco da pessoa que irá se tornar. É como detestar a teimosia e combater o teimoso sendo teimoso. Quando você menos esperar, vai estar se odiando. Por isso não é clichê quando nos dizem que o mal não deve ser combatido com o mal. Em nome Deus muitas pessoas já foram mortas nesse planeta. Mas essa não era a vontade de Deus, e sim a nossa, sempre movida por nossos pretextos, preconceitos e sede de poder. Já é tempo de sermos melhores do que isso. E como mudamos o mundo? Com o dedo apontado para a cara dos outros? Não, nós mudamos o mundo através de nossa postura de nossos atos e, principalmente, de nosso silêncio. Se você realmente quiser conhecer um homem, atente-se para o que ele faz e não para o que ele diz. Nunca tivemos tantos demagogos no mundo. Pessoas que gritam pelo fim da fome, mas não colocam água para o cachorro. Qualquer ato criador ou reparador, por menor que seja, é mais grandioso do que um grandioso ‘textão’ feito por um ativista de sofá. Então, cultive o amor com a pessoa que você escolheu, torne-se resistente à ignorância daqueles que abraçam livros fechados e siga em frente, sempre se lembrando de que amar também é compreender a limitação do outro. E se, mesmo com seus corações limpos, eles ainda condenarem vocês dois ao vale dos leprosos... bem, você sabe muito bem quem estará lá para abraçá-los e acolhê-los com um largo sorriso no rosto.
Que vocês sejam muito felizes e que o Natal seja uma inspiração para todos nós resgatarmos um pouco da paz e do amor que perdemos lutando pela paz e pelo amor.
Muitas pessoas queridas não conseguiram, mas nós estamos quase sobrevivendo a 2020.
Que 2021 seja melhor para todos nós. Que nós sejamos melhores para 2021.
Devemos isso às feridas que colecionamos nesses longos meses de luta e persuasão.
Mas, principalmente, devemos isso a elas. E, por elas, devemos elevar nossos pensamentos nesse dia 25... para que, mais uma vez, estejamos todos juntos novamente.

Envie suas dúvidas sobre relacionamento para o Psicólogo cognitivo-comportamental Alexandre Caprio: [email protected]

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