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Reciprocidade: retribua gentilezas e ame na mesma intensidade

Jessica Reis - 01/08/2020 00:22

Reciprocidade: segundo o dicionário significa qualidade ou característica de recíproco; mutualidade, recíproca. Em outras palavras, troca, ou simplesmente dar e receber. Ela é considerada como um dos ativadores mentais mais especiais que existem, isso porque as pessoas se mostram capazes de dar e receber o que existe de melhor em cada uma delas. Praticar a reciprocidade não é difícil e pode proporcionar benefícios na vida pessoal e até profissional.

Segundo a psicóloga cognitivo-comportamental, Mara Lúcia Madureira, reciprocidade é a troca de ações similares em proporções e intensidades compatíveis. É mutualidade e correspondência entre atos e sentimentos, interdependência. É dar na mesma medida em que recebe e saber receber com gratidão. "A reciprocidade de ações positivas na vida pessoal e profissional são altamente benéficas. Reconhecer e recompensar o esforço alheio com justeza, retribuir gentilezas e amar na mesma intensidade geram bem-estar, constrói as bases para relações sólidas e agradáveis. As máximas 'gentileza gera gentileza' e 'o bem se paga com o bem' são verdades populares que quando praticadas formam uma corrente de boas ações, fortalece as relações, promove uma imagem social positiva e dá ao indivíduo um senso de autoestima, cooperação, pertencimento e solidariedade", afirma.

Para a terapeuta emocional e psicoterapeuta holística Cidinha D'Agostino, a prática da troca ativa o nosso campo sensorial que estimula aquilo que há de melhor em nós que é a partilha, o olhar para o outro. "Quando alguém nos faz um agrado, uma gentileza. Quando alguém faz alguma coisa pra gente e temos uma sensação de ganho, isso motiva a nossa alma à gratidão. E nos sentimos com vontade de retribuir, porque aquele favor nos trouxe essa ideia de agradabilidade", diz.

Além disso, a reciprocidade é capaz de melhorar qualquer tipo de relação, seja ela amorosa, familiar, de amizade, de trabalho. Isso acontece, segundo Cidinha, porque a pessoa se vê atrelada nesse contexto, nessa vibração que a reciprocidade cria. "Que é essa vibração de amor, de dar e receber. Eu acredito que o melhor que a gente tem a fazer é o bem, independente de buscarmos a troca daquela pessoa, porque o universo é recíproco. Aquilo que a gente planta, a gente colhe, e quando a gente planta coisas boas, quando a gente leva essa roda do bem, obviamente estamos criando um mundo melhor."

Mas será que existe uma forma de aprender a ser recíproco? Para Mara, o primeiro passo é ser ético, ou seja, é pensar cuidadosamente cada ação da seguinte maneira: 'O que eu faço? Por que eu falo? Qual a consequência do meu ato?' Se a ação visa o bem próprio ou de outros, sem lesar ou causar prejuízos a outros, deve ser praticada. "A seguir, desenvolver a sensibilidade para reconhecer cada gesto, empenho ou esforço alheio e retribuir na mesma intensidade. Sejam elogios, recompensas materiais, afetividade ou cuidados."

A reciprocidade pode ainda influenciar o comportamento de outras pessoas. Isso porque, segundo Mara, de forma inequivocada, a reciprocidade influencia nossos comportamentos e o comportamento das pessoas. "Nem sempre receberemos a reciprocidade de quem foi beneficiado, mas por razões óbvias desenvolvemos uma imagem social respeitável e, por forças desconhecidas, toda sorte de coisas boas começam a acontecer em nossas vidas, quando agimos de boa fé e praticamos o bem."

Coloque-se no lugar do outro

A psicóloga Mara Lúcia Madureira explica que colocar-se no lugar do outro é uma competência intelectual superior, executada apenas por aqueles que compreendem o conceito de indivíduo como seres únicos, entidades distintas de todas as outras da mesma espécie. "Daí a importância de ser pensado e compreendido através das concepções dele próprio, e não por meio de vieses externos. Compreender o outro como diferente e, mesmo assim respeitá-lo é alteridade. Colocar-se no lugar do outro, pensar pela ótica do outro, entender como o outro se sente e porque sente, é empatia. Ajudar sem julgamentos ou expectativas de recompensas, é solidariedade, amor, humanitarismo."

Cidinha D'Agostino acredita que a reciprocidade anda de mãos dadas com a gratidão e a empatia. "Quando a gente se coloca no lugar do outro, a gente se permite compreender e ver novas perspectivas, através do olhar do outro e isso é maravilhoso, porque a gente pode compreender necessidades que até então a gente talvez não tivesse participado, experimentado na nossa vida", explica a terapeuta holística.

 

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