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O mundo veio para dentro de casa

Jessica Reis - 10/10/2020 00:22

Durante todos esses meses de quarentena as pessoas passaram a valorizar mais o lar. Reflexo disso é que alguns materiais de construção estão em falta nas lojas, em parte por conta das fábricas que precisaram parar a produção e também pela alta procura nesse setor.

O ano de 2020 foi atípico, ainda está sendo. Há o receio de fazer grandes viagens, de se deslocar para outras cidades, há restrições para frequentar academias, escolas, restaurantes e tantos outros lugares. Por conta disso, o mundo veio para dentro de casa. É isso mesmo. A casa se transformou em ambiente de trabalho, uma extensão do ambiente escolar, adaptou-se para a prática de atividade física e ainda precisa oferecer momentos de lazer.

Para o arquiteto Glaucio Gonçalves, o mundo e a conjuntura atual impuseram novas funções para a casa. Ele explica que com a pandemia, tivemos de nos reinventar, trazendo para dentro de nossos lares as atividades que desempenhávamos no dia a dia. "Como a maioria das pessoas passa uma grande parte do dia fora de casa, foi um grande aprendizado termos de compartilhar o mesmo espaço por tantas horas - principalmente para famílias mais numerosas. Mas isso fez com que todos despertassem para esse sentimento de enxergar mais o outro, as necessidades do outro e buscar harmonizar essa coabitação intensa 'forçada'. E descobrimos potenciais até então adormecidos - passamos a cozinhar, tocar instrumentos, dançar pela casa, ouvir mais músicas, brincar com as crianças, conversar em volta de uma mesa com todos sentados juntos, fazer lives, conversar por videochamadas com nossos amigos e familiares, enfim, descobrimos novas formas de socializar. E muitas vieram para ficar", diz.

Segundo a arquiteta Roberta Ievolino Giglio, a casa ou apartamento precisa se moldar às necessidades dos moradores, as vezes, de maneira mais discreta, adicionando uma bancada a um cantinho esquecido e transformando-o em escritório, ou recolocando um móvel para abrir espaço para um tapete de yoga, por exemplo. "A integração de ambientes também é uma tendência cada vez mais forte e isso resulta em espaços mais amplos, dinâmicos e capazes de absorver diferentes funções. Nem sempre é preciso construir paredes para delimitar o espaço de estudo, de prática esportiva ou preparo de alimentos. Ter bem definidas as prioridades dos moradores e conhecer a rotina deles é essencial e faz toda a diferença", afirma a arquiteta.

Ambientes multifuncionais não necessariamente são apenas para quem mora em casa e apartamentos pequenos, segundo o arquiteto Renan Altera. O profissional explica que geralmente, um projeto multifuncional conta com ambientes integrados, esse conceito traz maior fluidez para as dinâmicas que acontecem dentro dele. "A dica mais importante para pensar nesse projeto é que as atividades diferentes, agrupadas em um mesmo espaço serão diferenciadas de acordo com o mobiliário. E a harmonia entre os diferentes mobiliários é o ponto chave para um ambiente bem organizado."

O arquiteto também diz que o ideal é agrupar as atividades que possuem algo em comum, nos mesmos espaços. Por exemplo, as atividades de trabalho e escola, na maioria das vezes estão acontecendo virtualmente, portanto é interessante separar um canto para home office com bancada de trabalho e estudo para otimizar espaço.

Além disso, Gonçalves diz que ter opções de lazer como piscina, playground, academia, lavanderia coletiva nos prédios faz com que tudo esteja disponível facilmente, sem a necessidade das pessoas terem que se deslocar, o que facilita muito o fluxo de atividades do dia a dia.

 

Dicas para ter uma casa multifuncional

• Para construir um espaço multifuncional é preciso deixar para trás a ideia de que cada cômodo precisa ser algo único; ter um começo e um fim. É preciso enxergar o ambiente como um todo e tirar o máximo proveito de suas qualidades.

• Uma dica legal é usar o mesmo revestimento do piso em toda a área, o que já indica uma integração e amplia o ambiente.

• Testar diferentes opções de layouts e de circulação, explorar o mobiliário como forma de separar ou unir funções e usar elementos vazados, por exemplo prateleiras suspensas por estruturas metálicas, para não limitar a passagem de luz natural são também fundamentais.

Fonte - Roberta Iervolino Giglio, arquiteta

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