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O que é a Síndrome de Boreout?

Problema é caracterizado pela falta de interesse para o trabalho

Jéssica ReisPublicado em 11/09/2021 às 16:11Atualizado há 11/09/2021 às 16:12

Não, não estamos falando da Síndrome de Burnout. O termo Síndrome de Boreout ainda é recente e pouco discutido, mas já requer atenção. Essa síndrome se caracteriza por um estado psicológico negativo acerca da disposição para o trabalho. Sua origem é proveniente da palavra inglesa boring, que em português significa: chato, enfadonho, tedioso. É o que explica o professor Renatto Cesar Marcondes, do curso de Psicologia da Universidade Cruzeiro do Sul.

Segundo o docente, que também desenvolve pesquisas nas áreas de psicologia organizacional, trabalho e empreendedorismo, essa síndrome pode surgir em trabalhos que apresentam baixa demanda em comparação à formação do indivíduo, ou ainda, que oferecem muitos recursos e demandas.

“Por diversas vezes, o Boreout pode se apresentar por uma irritação, falta de paciência e baixo engajamento nas atividades de trabalho. É importante ressaltar que, como ainda é um fenômeno com pouco entendimento, faz-se necessário olhar com ressalvas, até porque esses sintomas estão presentes em muitas outras condições de sofrimento no trabalho, como depressão, ansiedade e especialmente, presenteísmo”, ressalta.

O Boreout é diferente do Burnout, que caracteriza-se por uma exaustão emocional vinculada ao trabalho. “É mais prevalente nos trabalhadores que estão na atenção para indivíduos em situação de vulnerabilidade, ou ainda de aprendizagem como: profissionais da saúde, professores, assistência e segurança mormente. Os sintomas mais comuns são: embotamento afetivo, despersonalização, exaustão emocional, ausência de realização profissional e em algumas situações o cinismo”, explica Marcondes.

Boreout na pandemia

A Síndrome de Boreout ganhou força durante a pandemia. Uma das explicações para esse aumento, segundo Andrea Deis, professora nas áreas de desenvolvimento humano e liderança na pós-graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie e de gestão de pessoas no MBA da Fundação Getúlio Vargas, está relacionada ao comportamento dos gestores. Muitos sentiram grandes dificuldades em se adaptar à gestão remota e em se abrir para a vulnerabilidade da equipe e de si próprios. “As lideranças não estavam preparadas para fazer monitoramento e controle na pandemia. Áreas inteiras ficaram comprometidas, e as pessoas não sabiam explicar o porquê”, afirma a gestora de carreira.

 
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