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A importância da renovação de ar para a volta às aulas nas escolas e universidades

Núcleo Digital - 10/10/2020 00:00

Com todas as regiões do Estado de São Paulo adotando a fase amarela do plano instituído pelo governo estadual para combater a pandemia do novo coronavírus (COVID-19), a abrangência da flexibilização de alguns setores possibilitou que vários estabelecimentos comerciais e de convivência pudessem retomar suas atividades, seguindo ainda um rígido processo de segurança e higiene. Um dos setores mais atingidos é, sem dúvidas, as instituições de ensino, que ao permanecerem fechadas, mesmo que com aulas virtuais, impossibilitam que muitos alunos consigam assimilar todo o conteúdo que deve ser estudado ao longo do ano.

Por isso, muitos pais e os próprios alunos aguardam ansiosamente pelo anúncio do retorno das atividades escolares. Embora a adoção de práticas de higienização e distanciamento estejam sendo pensadas para a abertura desses ambientes, é importante ressaltar que apenas essas medidas não são suficientes para impedir a disseminação do novo coronavírus. Como nosso clima é quente e usamos o sistema de ar condicionado com as janelas fechadas, os ambientes ficam com baixo índice de renovação de ar, propiciando a propagação desse e de outros vírus.

Os ambientes artificialmente climatizados podem ser uma solução, se bem planejados e cuidados, mas também podem se tornar um problema, caso medidas fundamentais para a circulação de ar não sejam adotadas corretamente.

“Hoje, estamos enfrentando uma pandemia, que é transmitida por um vírus pelo ar, então a qualidade do ar ambiente é ainda mais importante. Existe um limite de qualidade que você precisa ter dentro de um ambiente interno e a legislação institui níveis de qualidade para o ar que respiramos. Para você ter essa qualidade, é necessário ter ar que venha de fora para dentro”, explica Orlando Azevedo, engenheiro mecânico e especialista em sistemas de tratamento e qualidade de ar.

Diante do momento que estamos vivendo, a qualidade de ar depende também da filtragem e renovação desse ar. Atualmente, a Norma NBR 16.401-1/2008 e a Lei Federal 13.589/2018 exigem que os estabelecimentos que possuam grande fluxo de pessoas tenham um sistema de ventilação e renovação de ar, de modo a garantir a segurança e saúde de todos que circulam pelo local.

Esta imposição legal é válida para todos os ambientes de uso público e coletivo climatizados artificialmente, o que inclui as escolas e universidades. Com as quantidades de pessoas que frequentam e compartilham os mesmos espaços, torna-se essencial que a renovação de ar seja praticada em todos os locais, de forma a impedir a propagação do novo coronavírus.

“A atual pandemia está relacionada exatamente a contaminação pelo ar. Podemos utilizar máscaras, espaçar as pessoas, mas, sem a filtragem e renovação de ar, ficamos muito expostos às contaminações. Por isso, tenho uma preocupação especial com nossas escolas. Nas salas de aulas, além desses malefícios e riscos inerentes, o aumento de gás carbônico ambiente, gerado pela respiração dos alunos em locais que não há correta renovação de ar, traz consigo também um déficit de aprendizado. Estudos mundiais detectam que a perda cognitiva gira em torno de 15% ou mais”, diz o especialista.

Ar limpo e filtrado

Os processos que filtram e renovam o ar são fundamentais para assegurar a segurança e saúde em diversos locais. Os hospitais e as indústrias farmacêuticas, por exemplo, dependem inteiramente desses sistemas que certificam a qualidade do ar, já que os procedimentos e produções realizadas nesses espaços necessitam de um ambiente seguro.

“Com uma alta renovação e filtragem de ar, é possível conseguir ambientes tão limpos que se tornam, praticamente, lugares estéreis, livres de vírus e bactérias, como são, por exemplo, os centros cirúrgicos”, diz o engenheiro mecânico Orlando Azevedo.

Portanto, o retorno às aulas sem a implantação de procedimentos de filtragem e renovação do ar pode se tornar um grande risco, tanto para os alunos quanto para seus familiares e as pessoas que, por ventura, vierem a ter contato.

“Por isso, a primeira pergunta que eu faria se fosse um pai mandando seu filho para uma escola seria: as salas possuem renovação de ar? Pois se não tem, não adianta, pois pode até espaçar os alunos, mas a concentração de impurezas será tão grande que dois metros de espaçamento será pouco”, esclarece Azevedo.

“Diante dos desafios e necessidades destes novos tempos, nos quais o ‘novo normal’ se impõe, é importante que todos possamos ter atenção vigilante com a qualidade de nossos ambientes e, principalmente, as salas de aula. Que os responsáveis possam ter ações eficazes e de adequação de sua infraestrutura.”

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