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Especialistas tiram dúvidas sobre gravidez com Óvulos Doados

Núcleo Digital - 04/08/2020 15:26

Se você se identificou com essa frase, saiba que não está sozinha. Idade avançada é sem dúvida o principal fator de infertilidade feminina. Com o passar do tempo, aumentam as chances de aborto e diminuem as taxas de gravidez. Para se ter uma ideia, aos 25 anos uma mulher tem 25% de chance de engravidar, naturalmente, por mês. Essa porcentagem começa a diminuir entre 33 e 34 anos de idade. Depois disso, o declínio é constante. Aos 40 anos, a chance de engravidar é menor que 5% por mês.

Sim, esse é o motivo pelo qual falamos tanto sobre a importância do congelamento de óvulos para a preservação da fertilidade. Mas esse é um outro assunto. Afinal, agora que a paciente não tem mais óvulos, qual a indicação? Fertilização 'in vitro' com óvulos doados. Se antes a sugestão era vista com ressalvas e quase não tinha adeptas, hoje se trata de um dos tratamentos mais procurados nos serviços de reprodução humana assistida. Mas atenção, para que o procedimento aconteça de maneira segura, é muito importante o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, com profissionais capacitados para lidar com cada etapa do processo. Confira a seguir as principais dúvidas sobre o assunto:

 

Para quem é indicado tratamento com óvulos doados?

A doação de óvulos é uma técnica extrema-mente importante nos casos onde a mulher já não possui óvulos suficientes para iniciar uma gestação ou apresente baixa qualidade dos mesmos - fatores comuns devido à idade avançada, menopausa precoce, assim como quando não podem utilizar os óvulos por conta de doenças hereditárias ou por apresentarem alterações cromossômicas em seus embriões. Cirurgias para remoção de cistos e tumores, tratamentos com uso de determinados medicamentos e quimioterapia também afetam quantidade e qualidade dos óvulos.

 

Como funciona a doação de óvulos?

No Brasil é permitido o que chamamos de doação compartilhada. Mulheres que já estão em tratamento de reprodução assistida, mas que sem condições de continuar arcando com as despesas cedem parte de seus óvulos. Em contrapartida, metade do seu tratamento é pago por quem os recebe. Em 2017, o CFM divulgou as normas atualizadas e também foram contemplados pacientes em tratamento oncológicos. A resolução permite que pessoas que não apresentem problemas reprodutivos também possam doar os óvulos de forma altruísta. Esses óvulos são fertilizados pelos espermatozóides do companheiro da paciente e passam por um período de cultivo para que sejam transferidos à receptora, que irá gestar o bebê.

 

É possível saber a identidade da doadora?

A lei brasileira determina que qualquer doação seja feita de forma anônima e sem caráter comercial. Isso quer dizer que não é possível saber quem doou o óvulo ou para quem ele será doado. Para garantir que sejam óvulos saudáveis, a doação é permitida a mulheres com menos de 35 anos de idade e sem antecedentes de doenças hereditárias, como cânceres, ou outros problemas de saúde.

 

Se eu receber um óvulo doado, meu filho vai se parecer comigo?

Essa é uma das principais preocupações de quem vai receber óvulos doados. É muito importante que você confie na clínica que escolheu. No nosso caso, tomamos todos os cuidados para que os critérios de semelhança com a futura mãe receptora sejam considerados, desde fisicamente até, por exemplo, a compatibilidade sanguínea. Mas além disso, é importante que vocês saibam que 99,9% dos nossos genes são idênticos, portanto as diferenças entre uma criança e outra não dependem só de ela ter genes específicos herdados dos pais, mas da influência dos efeitos do meio ambiente que determinam a ativação e desativação de genes.

 

Resumindo, o DNA não é o único responsável pelas nossas características e, independente da origem do óvulo, os efeitos do ambiente, como o útero, a troca sanguínea, a nutrição e até mesmo a maneira de pensar da futura mãe são determinantes para formação e desenvolvimento do bebê. É isso mesmo, a expressão dos genes começa no útero, que atua como 'meio ambiente' e é responsável pela ativação de genes que serão expressos. As primeiras 40 semanas de vida (ainda no útero) começam a moldar toda a parte de expressão de genes, que é o que vai influenciar muito nas características físicas do bebê. Portanto, uma criança nascida do útero de uma receptora será fisicamente e psicologicamente diferente do que se ela fosse gestada no útero da doadora do óvulo. Em outras palavras, a mãe que gesta influencia na epigenética do seu filho, que pode sim nascer bem parecido com ela!

 

Por:

Dr. Edilberto de Araújo Filho

Dra. Ligia Previato

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