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Importância da investigação minuciosa em casais que tentam engravidar

Núcleo Digital - 06/07/2020 14:16

Olá caros leitores! Neste mês, como combinado na última edição, vamos dar continuidade a um dos temas mais polêmicos e intrigantes quando o assunto é Reprodução Humana Assistida. Quais as explicações e possibilidades existentes no caso de casais que já fizeram mais de um tratamento de FIV (Fertilização ‘in vitro’) e que não conseguiram engravidar? O que fazer quando o diagnóstico é ‘falha de implantação’ ou ‘aborto de repetição’?

Na edição de Maio, falamos do desgaste emocional para esses casais e sobre a importância de uma investigação minuciosa, incluindo a parte imunológica, hormonal e qualidade embrionária (por meio de biópsias). Explicamos mais detalhadamente sobre a Endometrite crônica e o teste ‘ALICE’, assim como a importância da receptividade endometrial para o sucesso da FIV e como o exame ERA está auxiliando nesta avaliação.

Agora, vamos falar sobre outras possibilidades. É importante uma avaliação hormonal? Qual a relação da trombofilia com a falha de implantação e abortos de repetição? O que a imunologia tem a ver com a fertilidade? Como dissemos anteriormente, gostaríamos de ter várias páginas para explicações detalhadas, pois não é um assunto simples. Por isso vamos deixar aqui algumas explicações resumidas e abrimos para vocês os canais de comunicação do Centro de Reprodução Humana de Rio Preto, para que possam enviar mais dúvidas.

Qual a relação da trombofilia com a falha de implantação ou aborto de repetição?

A trombofilia consiste em alterações no processo de coagulação do sangue e pode ser causada por fatores genéticos ou adquiridos ao longo da vida. Entre as possíveis explicações para a trombofilia interferir negativamente na fertilidade está a falha na implantação embrionária; ou seja, quando o embrião se fixa no útero. Acredita-se que as alterações no sangue causadas pela doença levariam à formação de coágulos no local da implantação, comprometendo esse processo. Mas a boa notícia é que essa relação entre trombofilia e falha de implantação pode ser contornada com tratamento adequado. A investigação clínica de trombofilia precedendo o tratamento de falha de implantação é fundamental.

É importante uma avaliação hormonal?

Sem dúvida. Alguns hormônios fazem parte da fisiologia gestacional e as alterações destes podem levar a falha de implantação e/ou abortamento de repetição. Pacientes com aumento da prolactina, por exemplo, podem ter a receptividade do endométrio alterada. Alterações no TSH, que é o hormônio que reflete o funcionamento da tireoide, também podem aumentar as chances de falha de implantação e aborto de repetição, assim como a deficiência de Progesterona e o uso de hormônios masculinos, como testosterona, androstenediona, DHEA (dehidroepiandrosterona) e SDHEA (sulfato de dehidroepiandrosterona).

Porque é importante uma investigação imunológica?

O sistema imune é o principal mecanismo de defesa do nosso corpo contra agentes externos, como vírus e bactérias. Nele, existem células especializadas que atacam agentes agressores, podendo fazê-lo de forma direta ou pela produção de anticorpos e substâncias como as citoquinas (mediadores químicos no processo de defesa do organismo). Em resumo: ele está sempre pronto para atacar e destruir qualquer corpo que não faça parte do nosso organismo. Para uma gestação bem-sucedida, deve haver incompatibilidade genética paterna e materna para que haja a produção desses anticorpos protetores. Se o material genético de ambos for parecido, não há a formação desses anticorpos protetores e o sistema imune ataca o embrião. Por isso, uma investigação imunológica materna pode apontar se há excesso de defesa contra esse embrião que precisa ser corrigida antes de colocá-lo dentro do útero.

Existem exames que possam diagnosticar algum fator imunológico que esteja interferindo negativamente no processo de implantação embrionária?

Sim. Esses são exames específicos e solicitados em casos selecionados, principalmente nos casais que apresentam falhas de implantação com embriões de boa qualidade, abortos de repetição ou histórico familiar. Os principais exames que podem ser realizados são: Fator anti-núcleo (FAN), Anticorpos anti-tireóide, Células Natural Killer (NK), Citocinas e Anti-fosfolípides.

Como dissemos no início do texto, o espaço é curto para a quantidade de informação detalhada que gostaríamos de passar à vocês. Esperamos ter contribuído um pouco! Estamos à disposição para esclarecimentos, e até a próxima!

Um grande abraço,

 

Dr.Edilberto de Araújo Filho e Dra. Lígia Previato


Centro de Reprodução Humana de São José do Rio Preto


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diretor técnico: Edilberto de Araújo Filho, CRM 69.058

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