Belíssima capital da Polônia

EUROPA CENTRAL

Belíssima capital da Polônia

Conheça Varsóvia, um lugar que mistura história e modernidade, pelos olhar de uma brasileira


Museu do Levante reconta a dramática história da resistência antinazista
Museu do Levante reconta a dramática história da resistência antinazista - Pixabay/Divulgação

Para muitas pessoas, a cidade de Varsóvia remete aos cenários cinzentos dos filmes ou então do sombrio período do domínio nazista e da ocupação soviética contados em livros sobre história. No entanto, a capital da Polônia é belíssima e está cada vez mais colorida, moderna e dinâmica. O turista é surpreendido com uma diversidade de palácios, museus e cafés para visitar, assim como lojas de grifes e restaurantes com culinária típica. Os preços das estadias e passeios não são tão salgados comparados ao resto da Europa.

Quem mora na capital polonesa há quatros anos e meio e promete ficar lá por um bom tempo é a tecnóloga em projetos mecânicos Ana Paula de Oliveira Engel Vieira. Ao lado do marido Leandro, que é de Três Fronteiras, cidade vizinha de Santa Fé do Sul, e dos filhos Sofia e Samuel, Ana Paula conta que já viveu muitas aventuras inesquecíveis no país. Uma delas foi nadar em uma piscina aquecida em um parque aquático num dia de inverno rigoroso no país.

Ana Paula afirma que a Polônia é um país muito rico em história. "O país sofreu muito durante a Segunda Guerra Mundial sendo invadido pelo exército alemão nazista de Hitler e depois do Levante de Varsóvia, sofreu com a invasão da União Soviética e o comunismo de Stalin. Se vendo livre somente após a queda do muro de Berlim, em 1989." Varsóvia também foi palco dos horrores cometidos pelos nazista contra os judeus. Segundo Ana Paula, a cidade ainda tem as marcas de onde foi feito o muro do Gueto, lugar que abrigava os judeus que eram presos que moravam na cidade e dali só saíam para serem levados aos campos de concentrações ou eram mortos, ali mesmo, assassinados pelos nazistas ou pela fome e doenças. "Mesmo após tanta guerra e sofrimento, o povo polonês conseguiu se reerguer e ser independente. É um povo forte que ama seu país."

Varsóvia é uma cidade limpa, organizada, com um transporte público impecável e lindos lugares para conhecer, reforça Ana Paula. "O idioma oficial é o polonês. Muitos me perguntam se é difícil fazer turismo em inglês. A minha resposta é: sim, é possível. Mas se você conseguir aprender algumas palavras e frases simples, você terá uma experiência muito mais agradável ao visitar a cidade. Os poloneses sabem o quão difícil é o idioma deles e ficam surpresos e radiantes ao ouvirem um turista falando o idioma do país."

Período do ano

A tecnóloga recomenda uma visita a Varsóvia entre os meses de maio a setembro. "É quando estamos na primavera/verão e os dias são longos, tendo o nascer do sol por volta das 4h da manhã e o pôr do sol por volta das 22h. Neste período, os dias não são tão frios. A temperatura na primavera é de fria a quentinha e o verão tem dias bem quentes, mas na sua maioria são por volta de 25° C", explica.

Pontos turísticos

Ana Paula afirma que vale muito fazer uma visita ao Museu do Levante de Varsóvia (em polonês Muzeum Powstania Warszawskiego), um passeio pelo bulevard do Rio Vístula (Bulwary nad Wis), conhecer o parque Azienki, estádio de futebol Stadio Narodowy, assistir o show de luzes e águas da Multimedia Fountain Park, e o centro da cidade velha (Stare Miasto), onde tem o Castelo Real de Varsóvia. "A cidade também conta com inúmeras igrejas grandiosas e lindas como a Igreja de Santa Ana e a Igreja da Santa Cruz (Koció witego Krzya), onde está sepultado o coração de Frederic Chopin."

Varsóvia, segundo Ana Paula, é realmente cheia de atrações, história e cultura, mas a Polônia não é só isso. "Recomendo a visita a Cracóvia, Zakopane, Pozna, Toru e Wrocaw. Desde as grandes cidades até as pequenas vilas você vai encontrar lindas paisagens, comida típica maravilhosa e um povo curioso pra saber: 'porque você veio visitar a Polônia'. Para eles, o Brasil é um país lindo, exótico e perfeito com seu clima quente o ano todo e eu tenho que concordar, pois é mesmo."

Apaixonante

Ana Paula e a família se mudaram para a Polônia depois que o marido foi convidado para trabalhar no país. Na época, os filhos Sofia e Samuel tinham, respectivamente, 8 e 2 anos. "Sofia foi logo para escola e com seis meses já se comunicava bem no polonês. Hoje em dia, os poloneses me falam que ela fala igual a uma menina polonesa, sem acentos/sotaque. Já o Samuel está aprendendo português e polonês ao mesmo tempo e está falando bem os dois, claro que com alguns erros normal para idade dele."

Covid-19

Varsóvia teve lockdown de 11 de março a 3 de junho. Hoje, segundo Ana Paula, é obrigatório o uso de máscara em ambientes fechados. "Já nas entradas dos estabelecimentos é oferecido álcool em gel ou algum desinfetante para as mãos. Já é possível receber pessoas em casa, ir a restaurantes e shoppings. A quarentena foi difícil, mas graças a Deus passou. A situação atual é: com a abertura, o número de casos subiu, mas graças a Deus as mortes não. Está morrendo, mas é bem menos."

A tecnóloga explica que algumas cidades do sul da Polônia voltaram para a fase amarela e duas estão lockdown novamente. "A gente imagina que no outono, que é quando as pessoas já normalmente ficam doentes, nós vamos ter restrições infelizmente. Eu oro a Deus para que não."

Ponto negativo

A única parte que incomoda a família de Ana Paula é a escuridão em plena tarde durante os dias mais frios. Ela conta que já enfrentou -19ºC de temperatura, com sensação térmica de -23ºC. No entanto, a cidade tem estrutura para ajudar o morador a enfrentar a baixa temperatura, com aquecimento em todos os lugares. "Mas se adaptar com a escuridão é difícil. No inverno, escurece às 15h. Às 16h, quando vou buscar as crianças na escola parece que já são 21h." Outra dica da tecnóloga é deixar para comprar roupas de frio no país. "As peças do Brasil não funcionam aqui."