Templos de leitura

DICAS

Templos de leitura

Professores listam bibliotecas, que são um santuário que leva às pessoas por lugares inimagináveis, aventuras inesquecíveis e boas surpresas


Além de aprendizado e bem-estar, o hábito de visitar bibliotecas proporciona momentos de alegria e muita imaginação
Além de aprendizado e bem-estar, o hábito de visitar bibliotecas proporciona momentos de alegria e muita imaginação - Freepik/Divulgação

Apaixonados pelo universo dos livros, professores de Rio Preto relatam bibliotecas espetaculares ao redor do mundo que merecem ser conhecidas após a pandemia do coronavírus. Eles ainda sugerem visitas virtuais nos diferentes e belos edifícios, espalhados pelo Brasil e fora do país, dedicados ao armazenamento de livros contemporâneos e clássicos, manuscritos raros e até tesouros valiosos.

Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro

Biblioteca José Mindlin, em São Paulo

  • Se não é possível manter a visita presencial por enquanto, a virtual é uma ótima escolha até o fim da pandemia. Arnaldo Franco Junior, professor de Teoria da Literatura do Ibilce, afirma que as pessoas devem fazer um tour virtual agora e, futuramente, presencial à Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, que tem um acervo muito importante para o país. O acervo conta com obras raras como "Divina comédia", de Dante, precioso incunábulo, editado em 1481 por Landino; o "Rerum per octennium in Brasilia", de Barlaeus, editado em 1647; e a "La vie de Notre-Seigneur Jésus Christ", de Tissot, editada em 1896-1897, e a 1ª edição da "Crônica de D. João I", de Fernão Lopes, editada em 1644. Interessados podem acessar o site www.casaruibarbosa.gov.br/interna.php?ID_S=108.
  • O professor afirma que as pessoas devem também visitar a Biblioteca José Mindlin, na USP, em São Paulo. O link é www.bbm.usp.br. "As duas têm parte de seu acervo online", revela.

 

Massimo Listri_ Taschen_Reprodução

Biblioteca W. E. B. Du Bois, na Universidade de Massachusetts em Amherst
Biblioteca Monástico-Real, que fica no Palácio Nacional de Mafra

Orlando Nunes de Amorim, professor da área de literatura portuguesa do Ibilce, já visitou várias bibliotecas presencialmente tanto no Brasil quanto no exterior, sobretudo Portugal e Estados Unidos. "Na Universidade de Massachusetts em Amherst existe a biblioteca W. E. B. Du Bois, com um acervo voltado para a área das Humanidades. Construída em 1973, o que impressiona é o seu tamanho, um maciço edifício de 28 andares (26 superiores e dois subterrâneos), com 88 metros de altura, o que a coloca como a terceira maior biblioteca do mundo. São quase seis milhões de volumes disponíveis, além de vários outros itens bibliográficos. O acervo pode ser consultado virtualmente no site www.library.umass.edu/du-bois-library."

Como professor de literatura portuguesa, Amorim tem muito interesse por certas bibliotecas portuguesas. Uma biblioteca impressionante é a Biblioteca Monástico-Real, que fica no Palácio Nacional de Mafra, construído no século XVIII, em estilo barroco, por iniciativa do rei D. João V. "A imponência do edifício começa logo no chão, todo em mármore, e continua nas duas fileiras de estantes de madeira separadas por um varandim, ricamente ornamentadas. Possui um valioso acervo de cerca de 36 mil volumes, com uma coleção significativa de incunábulos (livros impressos antes de 1500) e uma edição original da Enciclopédia francesa do século XVIII, além de uma importante coleção de partituras musicais."

Informações sobre a história e o acervo da biblioteca no site http://www.palaciomafra.gov.pt/pt-PT/biblioteca".

 

OvitorMurta Phopographt/Divulgação

A Biblioteca Joanina, da Universidade de Coimbra

Uma das mais antigas do mundo, que foi tombada como Patrimônio Mundial da Unesco em 2013, a biblioteca é uma construção do estilo barroco deslumbrante, que fica no Paço das Escolas, no pátio da Faculdade de Direito, que é mundialmente conhecida e cuja torre abriga a "Cabra" (sino que marcava a hora do despertar e do recolher dos estudantes) e que pode ser vista de qualquer ponto da cidade, já que se situa no topo da parte alta da cidade.

Nathanael Neto, professor de língua portuguesa do colégio Intelectus, afirma que a biblioteca possui livros extremamente raros (dos séculos XVI a XVII) e há duas curiosidades muito interessantes em relação a sua conservação. A primeira delas é que a biblioteca abriga uma criação de morcegos, os quais ficam dormindo durante o dia, atrás das cortinas, e à noite são soltos e comem os insetos que possam deteriorar os livros. Além disso, de forma rotativa, os livros são colocados em uma câmara sem oxigênio durante 21 dias, para limpeza, de modo a matar pragas que houver no interior dos livros.

Um outro fato interessante, segundo Nathanael Neto, é que a arquitetura suntuosa, típica de construções que visavam a mostrar o poder do rei, possui muitos detalhes em ouro. "A biblioteca é incrível e uma parada obrigatória no roteiro de quem viaja por Portugal e visita Coimbra. Infelizmente, é proibido tirar fotos em seu interior, mas há várias fotografias disponíveis na internet e pode-se realizar visitas virtuais por meio do site 360 Portugal (http://coimbra.360portugal.com/Concelho/Coimbra/Universidade/BibliotecaJoanina/)."

 

Guilherme Baffi/Arquivo

Biblioteca Municipal "Dr. Fernando Costa", em Rio Preto
Biblioteca Municipal "Prof. Pedro Viriato Parigot", em Londrina

O professor, escritor e poeta Celso Henrique Fermino afirma que a biblioteca de Rio Preto é uma das belas obras arquitetônicas da cidade e merece ser explorada. "Costumo dizer que ela foi quem me pariu e, outra, que me referirei em seguida, a que me criou. De muito jovem, já era frequentador assíduo da nossa biblioteca em forma de aranha. Foi ali que nasceu o leitor contumaz e amante dos livros que sou. Livros de guerra - da Segunda, principalmente, de mistério e terror eram levados para casa - de poucas posses para adquirir os meus próprios - com todo o cuidado do mundo; dormia, sem falso lugar-comum, com um livro ao meu lado."

Depois de criado, Fermino foi estudar fora. Londrina, no Paraná, foi sua moradia até se formar em Letras. "E é aí que entra aquela que me criou: a Biblioteca Municipal de Londrina 'Prof. Pedro Viriato Parigot'. Escalar seus quatro degraus em pouco passo era tarefa das mais prazerosas; foi lá que, horas a fio devorava páginas de seus ilustres hóspedes. Edgar Allan Poe, Augusto dos Anjos e Florbela Espanca, dormiam em berço esplêndido, apenas interrompido seu sono com os carinhos dos dedos e a bisbilhotice dos meus olhos."

Fermino indica um passeio de peito aberto aos dois prédios. "Não menosprezo as bibliotecas virtuais, porém como a idade que me já faz peso, não consigo apenas ler as palavras impressas nas páginas com os olhos, preciso de seu cheiro, da sua tecitura e atrevido, registro alguns comentários, à lápis, talvez para a posteridade." Em épocas de pandemia e reclusão, o professor sugere que o leitor conheça obras de outras nacionalidades. "É um exercício muito rico e prazeroso, como por exemplo, posso citar a literatura russa com seus mestres imortais e a sutileza da literatura japonesa."