TURISMO

Hotéis: higiene é o novo luxo

Camareiras de máscara, fim do bufê, robô fazendo entrega nos quartos: como será a hospedagem depois da pandemia


Sistema que avisa quando o quarto foi higienizado pela última vez (acima)
Sistema que avisa quando o quarto foi higienizado pela última vez (acima) - Fotos: Divulgação

Camareiras com máscaras e trajes especiais, check-in e check-out por aplicativo, café da manhã sem bufês de self service e até mesmo robôs fazendo entregas no serviço de quarto. Assim poderão ser os hotéis num futuro nem tão distante, quando a pandemia do novo coronavírus estiver superada. Na visão de quem está à frente do setor, os procedimentos de higiene e segurança sanitária serão ainda mais valorizados pelos hóspedes no mundo pós-Covid-19.

"O cliente vai querer saber o que o hotel faz para garantir níveis máximos de higiene, e o hoteleiro vai ter que saber comunicar isso", afirma o vice-presidente de operações para América Latina e Caribe do grupo Wyndham, Eduardo Cruz del Rio. "É uma preocupação que vai ficar. Assim como a questão da segurança após o 11 de Setembro."

Grandes redes hoteleiras, como a própria Wyndham, já criaram seus protocolos de higienização, que preveem uso de materiais ainda mais fortes para a limpeza de ambientes, diminuição do contato entre hóspedes e funcionários, redução de circulação em áreas comuns e mudanças nos serviços de alimentação. Mas o que, disso tudo, ficará para a nova realidade que surgirá após a pandemia?

"A herança será vista em medidas simples, como a oferta de álcool em gel em todos os ambientes e a limitação no número de passageiros nos elevadores. E até em novas tecnologias, que ajudem a diminuir o contato entre as pessoas. Isso já está sendo aplicado e continuará", afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Manoel Soares.

Segundo o diretor regional de operações Midscale e Econômico da Accor no Brasil, Carlos Bernardo, alguns itens do protocolo atual, como o uso de equipamentos como máscaras, óculos e aventais pelas camareiras, e reforço na limpeza geral, dos filtros de ar-condicionado às piscinas, devem continuar sendo seguidos mesmo com o fim da pandemia. Ele dá o exemplo de uma mudança significativa na cultura do hóspede brasileiro: o café da manhã.

"Adotamos o serviço reverso nos bufês, em que é um funcionário que serve a comida, não o hóspede. Para dar mais agilidade a esse processo e evitar aglomerações, no futuro teremos menos opções de itens nos bufês e mais serviço à la carte."

A rede americana Hilton também implementou uma série de procedimentos especiais de higiene, com foco na limpeza de áreas comuns, como academias de ginástica, e em dez pontos dos quartos considerados de maior contato, como maçanetas, controles remotos e interruptores. Além disso, criou o selo Hilton Clean Stay, que indica ao hóspede, via aplicativo, que ninguém entrou no seu quarto desde que ele foi limpo pela última vez. Aliás, a pandemia acelerou o uso do dispositivo Digital Key, que permite, também via app, que o hóspede faça o check-in e abra a porta do quarto pelo celular, sem a necessidade de passar pela recepção.

Tudo à distância

Check-in remoto é um dos diferenciais do Vivenzo Savassi, hotel em Belo Horizonte que lançou, em setembro, um protocolo de higiene inspirado em procedimentos hospitalares, sem imaginar o quão útil ele seria meses depois.

"Ao chegar ao hotel, o hóspede fala, através de um totem logo na entrada, com um funcionário da recepção, que está numa área reservada do prédio. Era um procedimento usado apenas de madrugada, mas, com a pandemia, resolvemos instituir de vez", explica Frederico Amaral, CEO do hotel.

Outra tecnologia antecipada pela necessidade é o uso de robôs em funções como limpeza, serviço de quarto e informações aos hóspedes. Os modelos já vinham sendo usados em alguns hotéis no Japão e nos Estados Unidos, mas, na última semana, voltaram ao noticiário ao serem testados em cinco estabelecimentos de Tóquio selecionados para receber pacientes de covid-19 em recuperação.