SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEGUNDA-FEIRA, 29 DE NOVEMBRO DE 2021
Saúde

Menos sofrimento com a fibromialgia

No mês dedicado às pessoas acometidas pela síndrome, saiba como melhorar a sua qualidade de vida

Gisele Bortoleto
Publicado em 23/05/2021 às 00:30Atualizado em 05/06/2021 às 23:31

Doença invisível e marcada pela presença de dores crônicas e generalizadas por todo o corpo, a fibromialgia afeta a vida de mais de 4,8 milhões de brasileiros. Os pacientes acometidos, a maioria mulheres entre 25 a 65 anos, sofrem também com fadiga, prejuízo na qualidade do sono e outros sintomas que comprometem suas atividades diárias.

É uma doença que envolve, entre outras coisas, uma alteração nos centros do cérebro de percepção dolorosa. "A condição que reduz tanto a qualidade de vida atinge jovens e idosos", explica o reumatologista Rafael Pontes Andreussi. Não é à toa que, o dia 12 de maio, foi instituído uma data específica para falar sobre a doença. Durante todo o mês são feitas ações de conscientização, uma vez que apenas 2,5% recebem tratamento adequado.

"Além de conviver com dores crônicas e fadiga, a pessoa precisa driblar o preconceito de quem acha que suas queixas são imaginárias", explica o neurocirurgião Marcelo Valadares, médico neurocirurgião da disciplina de neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e do Hospital Albert Einstein.

Muitas vezes desacreditados por se queixar de dor sem outros sintomas aparentes, o paciente sofre preconceito de familiares amigos ou por colegas de trabalho, o que se torna gatilho para quadros depressivos, ansiedade, deficiência de memória e desatenção. "Estudos clínicos, inclusive, apontam o aumento de estresse na vida dessas pessoas, inclusive se multiplicando na pandemia", afirma Valadares.

"Uma vez que os sintomas são similares aos de outras doenças, como tendinite, ou à prática inadequada e intensa de exercícios, a fibromialgia nem sempre é diagnosticada e tratada como o esperado", complementa o neurocirurgião. Além do reumatologista, neurologistas e especialistas em dor também atuam no tratamento que deve ser individualizado.

Entenda e controle

Causas: Possui origem multifatorial e tanto fatores genéticos como ambientais estão associadas à alteração da percepção de dor e desenvolvimento da doença. Estudos mostram que genes relacionados aos neurotransmissores podem estar alterados e passar de geração em geração, levando a maior sensibilidade à dor. Alguns pacientes desenvolvem a doença após traumas físicos e emocionais, que também contribuem para o agravamento dos sintomas. Transtornos de humor, como depressão e ansiedade são frequentes e a avaliação psicológica do paciente é fundamental. As infecções virais e doenças autoimunes, como artrite reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico, podem colaborar com o surgimento da doença e devem ser investigadas.

Sintomas: A doença provoca dores musculares e articulares por todo o corpo, fadiga intensa e sono não reparador. É acompanhada frequentemente por dores de cabeça, prejuízo da cognição, como piora da memória e dificuldade de concentração, e alterações do humor, principalmente tristeza e irritabilidade. Alguns pacientes referem também dormência e formigamento corporal, sensação de enrijecimento das articulações e cólicas abdominais.

Tratamento e recomendações: Não há cura para a fibromialgia, mas uma abordagem multidisciplinar envolvendo tratamentos medicamentosos e não medicamentosos, é capaz de aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente. Entre os medicamentos estão analgésicos, relaxantes musculares, antidepressivos e moduladores da dor. A prática de atividades físicas é fundamental, principalmente aeróbicas, como caminhadas, natação ou bicicleta. No início, o paciente com fibromialgia pode apresentar acentuação das dores, mas o exercício deve ser sempre encorajado. Fisioterapia, acupuntura e terapias de movimento e meditação, como yoga, também ajudam no controle da dor. A abordagem psicológica com terapia cognitiva-comportamental ajuda o paciente a aprender como enfrentar seus sintomas.

Dieta: Uma alimentação saudável é a base de uma boa saúde e pode, inclusive, contribuir para o controle dos sintomas da fibromialgia. Dietas ricas em alimentos frescos, integrais, com alto teor de fibras, proteínas e antioxidantes naturais e com baixo teor de açúcar reduzem a sensibilidade à dor e garantem mais disposição para o paciente realizar suas atividades cotidianas. Evite o consumo exagerado de gorduras e carboidratos. Eles favorecem o ganho de peso e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, que comprometem a saúde de quem enfrenta a fibromialgia. Reduzir a ingestão de alimentos industrializados que contenham excitotoxinas, como o glutamato monossódico e aspartame, também pode auxiliar no controle da dor. Em algumas situações, restringir o consumo de cafeína e glúten também pode ser benéfico para o alívio destes sintomas.

Fonte: Rafael Pontes Andreussi, endocrinologista

 
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