SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SÁBADO, 16 DE OUTUBRO DE 2021
Terceira idade

Longe das demências por mais tempo

Manter-se afastado de gatilhos que podem ser evitados em qualquer época ajuda a reduzir riscos

Gisele Bortoleto
Publicado em 15/05/2021 às 22:30Atualizado em 05/06/2021 às 23:51

O envelhecimento da população vem ocorrendo de maneira acelerada e os casos de demência se tornaram um dos principais desafios nas casas com idosos que requerem cuidados especiais. No Brasil, pelo menos 7,1% das pessoas acima de 65 anos apresentam algum tipo de demência, sendo a doença de Alzheimer responsável por mais de 50% desses casos. E a incidência vai mais que dobrar até 2030, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz). "As demências são doenças neurodegenerativas que geram uma decadência nas funções cognitivas, afetando o comportamento, personalidade e memória", explica Marcella dos Santos, enfermeira-chefe do Grupo DG Sênior.

Entretanto, quase metade de todos os casos de demência poderiam ser evitados ou retardados com a adoção de 12 medidas de prevenção. A conclusão é de que pesquisadores após uma revisão sistemática do saber científico atual, coordenada por uma equipe da Universidade de Melbourne, na Austrália, e que contou com 28 especialistas em demência de todo o mundo. Minimizar pelo menos dez destes riscos, que são evitáveis, e contar com bons resultados em dois deles pode prevenir ou atrasar até 40% dos casos de demência em todo o mundo.

Segundo David Ames, um dos autores da análise, há algumas coisas que podem fazer a diferença. A revisão constatou que as pessoas podem se proteger parcialmente não fumando, bebendo menos de 21 unidades de álcool por semana, mantendo uma pressão arterial sistólica inferior a 130 mmHg, evitando atividades que poderiam levar a traumatismos cranianos, usando aparelhos auditivos se necessário, comendo uma dieta saudável, praticando exercícios e se socializando regularmente. "Mesmo as pessoas mais velhas podem retardar ou até mesmo prevenir a demência tomando medidas para melhorar seu estilo de vida", disse Ames. Nunca é muito cedo e nunca é tarde para pensar em reduzir o risco.

"Problemas de esquecimento - especialmente na população idosa- necessitam de uma avaliação médica cuidadosa que permita o diagnóstico e tratamento precoces, garantindo ao paciente melhor qualidade de vida", diz o neurologista Antonio Eduardo Damin.

Ajuda dos governos

Além de fazer recomendações para as pessoas individualmente, o painel de especialistas pede aos governos que protejam suas populações da demência oferecendo educação primária e secundária para todas as crianças, melhorando a qualidade do ar, promovendo comportamentos saudáveis e desencorajando o fumo e o consumo excessivo de álcool. Na América Latina, por exemplo, estima-se que 56% dos casos de demência poderiam ser evitados ou adiados com políticas focando os 12 fatores de risco.

"No entanto, há um limite para o quanto você pode prevenir a demência com intervenções no estilo de vida, porque o cérebro inevitavelmente começa a se 'desligar' na velhice, especialmente em pessoas que vivem acima dos 100 anos", diz David Ames.

Pincipais fatores de risco

TabagismoConsumo excessivo de álcoolPressão altaObesidadeDiabetesDepressãoPerda auditivaExposição à poluição do arFalta de exercíciosFalta de contato socialTraumatismo cranianoNível de educação

 
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