SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEGUNDA-FEIRA, 26 DE JULHO DE 2021
TERCEIRA IDADE

Cuidados com idosos

Especialistas compartilham formas de amenizar os efeitos de um ano de pandemia na saúde mental e física dos idosos

Francine MorenoPublicado em 10/04/2021 às 22:30Atualizado há 06/06/2021 às 09:07

A pandemia da Covid-19 se espalhou pelo Brasil e pelo mundo e, para conter a disseminação do vírus, uma das principais medidas é o isolamento social. Ao ficar isolados em casa, os idosos, que integram um dos principais grupos de risco a desenvolver complicações pelo vírus, são também um dos grupos mais afetados emocionalmente. Sozinhos, eles sentem falta da família e amigos, e da interação social, ficando mais tristes e ansiosos. Aqueles que já sofrem de algum transtorno, como a depressão, podem ter o agravamento do quadro com o confinamento. Neste cenário, é preciso cuidar da saúde física e mental de quem já passou dos 60 anos depois de um ano de pandemia.

O psicólogo Armando Ribeiro afirma que a Organização Mundial da Saúde (OMS) já apontou para uma possível quarta onda da pandemia da Covid-19 como mais uma das graves consequências decorrentes das ondas anteriores e altamente relacionada ao agravamento das condições de vida (exemplo renda/trabalho e estudos) e piora dos transtornos mentais na sociedade. "Os quadros patológicos de transtorno mental são multifatoriais e decorrentes de uma complexa interrelação entre aspectos biológicos, psicológicos e sociais, portanto qualquer estratégia de promoção/prevenção de transtornos mentais devem incluir uma avaliação multidisciplinar."

Práticas de autocuidado baseadas em um estilo de vida saudável, segundo Ribeiro, são fundamentais para a promoção da resiliência física e emocional. "Atividade física regular, alimentação saudável, sono reparador, gestão do estresse, relacionamentos positivos e cultivo da espiritualidade são alguns dos recursos mais importantes para a construção da qualidade de vida e bem-estar."

Antes da pandemia, muitos idosos faziam passeios, frequentavam clube para praticar atividades físicas e faziam cursos para melhorar as habilidades como concentração, raciocínio e memória. Neste cenário, para promover um estilo de vida saudável, segundo Ribeiro, é fundamental a prática regular de atividades que envolvam prazer e desafio, ou seja, sair da zona de conforto de atividades rotineiras e monótonas através do planejamento diário de uma série de atividades que estimulem a mente, as emoções, as relações interpessoais.

Para Armando Ribeiro, os idosos podem cuidar do jardim, cuidar dos animais de estimação e fazer exercícios físicos e alongamentos. "Praticar exercícios de respiração profunda e meditação, ouvir músicas de estilos diferentes dos habituais, aprender novas receitas culinárias, ler novos livros e autores, usar as redes sociais para construir novos relacionamentos ou manter os relacionamentos antigos são formas de se estimular a mente e manter alguns sintomas emocionais distantes. Não existe um único jeito para se manter bem apesar da pandemia, mas é urgente e necessário assumir que o autocuidado é um dos tijolos fundamentais para o bem-estar."

Saúde física

Por causa da pandemia, alguns idosos deixaram de fazer seus exames periódicos e consultas com especialistas por medo da contaminação da Covid-19. No entanto, o recomendado pelos médicos é que pacientes que sofrem com doenças crônicas ou mais graves continuem indo nas consultas e não parem nenhum tipo de tratamento. A geriatra Liha Bogaz afirma que é importante não parar por conta própria nenhum tratamento, por exemplo, das doenças crônicas (diabetes, pressão alta, colesterol, doenças reumatológicas), e tantas outras, ou mesmo um câncer. "Nunca abandonar tratamento sem conversar com o médico que gerencia a saúde do idoso."

Segundo o Ministério da Saúde, as pessoas devem evitar aglomerações e lugares fechados. Liha Bogaz afirma que, neste cenário, é indicado somente retirar o idoso de casa se for mesmo necessário. "Consultas eletivas, aquelas de rotina sem que haja queixas, podem e devem esperar um melhor momento para se fazer presencial."

No entanto, se o idoso tem alguma situação aguda, em que é preciso avaliar e examinar o paciente, é indicado ir até o consultório como referência. "Sempre contatar o médico de referência, como geriatra, para orientações e avaliação presencial em consultório, evitando idas às unidades de pronto-socorro", reforça a geriatra.

A consulta à distância é uma opção em casos mais leves. "A teleconsulta foi aprovada pela portaria número 467 do governo federal, que libera a realização de atendimentos à distância durante a pandemia. Telemedicina, neste cenário, na minha opinião, é fundamental para manter pacientes protegidos em casa e também para desafogar o sistema de saúde", afirma Liha Bogaz.

Para a médica, as consultas online são muito importantes para se evitar às saídas desnecessárias dos idosos. "A teleconsulta, por exemplo, pode ser usada para um gerenciamento de saúde de rotina, orientações e ajustes do plano terapêutico do idoso, monitorização de tratamentos e até 'triagem' para entender o que podemos resolver por telemedicina e quando é preciso uma avaliação presencial. Assim, conseguimos permanecer em contato próximo com nossos pacientes e familiares, sem perder o gerenciamento da saúde daquele idoso e desfechos desagradáveis. Sempre que percebemos uma necessidade de avaliação presencial, orientamos o agendamento de consulta e ela ocorre seguindo todo protocolo de segurança e higiene", afirma a geriatra.

Alongamento e fortalecimento

O ortopedista Marco Pedroni afirma que o isolamento do idoso, por causa da pandemia, pede uma atenção especial para a artrose do quadril, que é uma doença degenerativa crônica, caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem articular e pela neoformação óssea nas superfícies e margens articulares, os famosos bicos de papagaio. A doença reumática é uma das mais frequentes do ser humano, atingindo principalmente idosos, e pode levar à incapacidade física, como dificuldade para colocar as meias, cortar as unhas, lavar os pés ou cruzar as pernas.

O médico afirma que a artrose de quadril é uma das afecções mais incapacitantes do aparelho locomotor, pois o quadril é uma articulação de carga, com grande amplitude de movimentos, e mesmo pequenas alterações podem levar a um déficit funcional significativo. Entre as causas da doença, estão a falta de exercícios físicos e a obesidade - fatores impactados negativamente pela necessidade de isolamento durante a pandemia.

É importante que as pessoas mantenham um trabalho muscular de alongamento e fortalecimento do quadril para manter a saúde física de todo o corpo. "Em casos leves, sem necessidade de cirurgia, é recomendado que o paciente dê início a uma rotina de atividades físicas de baixo impacto e perca peso", aponta. Para casos mais graves, existe também a possibilidade cirúrgica, que apresenta ótimos resultados na resolução de dor e funcionalidade de pacientes com artrose de quadril avançada.

 
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