SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 05 DE DEZEMBRO DE 2021
Saúde

Canto ajudar a detectar nódulos na tireoide

Abordagem não invasiva poderá ajudar a determinar a saúde da glândula

Gisele Bortoleto
Publicado em 23/01/2021 às 19:40Atualizado em 06/06/2021 às 13:10

Pesquisadores da Université de Tours, Centre Hospitalier Universitaire de Dijon-Bourgogne e Université Bourgogne Franche-Comté, na França, descobriram uma abordagem mais simples que poderá ajudar a detectar a presença de nódulos na tireoide: cantar.

A tiroide é uma glândula em forma de borboleta (com dois lobos), que fica localizada na parte anterior pescoço, logo abaixo da região conhecida como pomo-de-adão. É uma das maiores glândulas do corpo e pesa entre 15 e 25 gramas (no adulto). Os dados mostram que no Brasil 60% dos adultos têm um ou mais nódulos de tireoide e 5% desses são malignos.

Segundo a endocrinologista Lorena Lima Amato, o diagnóstico está mais preciso devido aos exames e tecnologia avançados. Outro estudo mostra que entre os nódulos encontrados nesses 60% de adultos apenas 1% é palpável, sendo que o restante só pode ser localizado com exames como a ultrassonografia.

Além do tamanho, algumas características específicas indicam se o nódulo deve ou não ser puncionado com uma agulha para avaliação de risco. Geralmente, isso acontece com os maiores de um centímetro. "O nódulo não se torna maligno, ele já surge com as características de malignidade. Caso tenhamos um nódulo inicialmente diagnosticado como benigno, há 5% de chance de tratar-se de um falso negativo, e por isto deve ser acompanhado", diz ainda.

Alterações no tecido

A constatação dos pesquisadores franceses foi publicada em um artigo na revista Applied Physics Letters. "O desenvolvimento de métodos não invasivos ajudaria a reduzir o estresse dos doentes durante os exames médicos", afirma Steve Beuve, um dos autores do trabalho.

Isto acontece porque, quando alguém canta, as vibrações da sua voz criam ondas no tecido próximo do trato vocal. Caso haja um tumor na tireoide, a elasticidade do tecido periférico aumenta, enrijecendo e causando a aceleração dessas ondas. Ao usar imagens de ultrassons para medir a velocidade dessas ondas, os especialistas conseguem determinar a elasticidade do tecido, um método que os autores chamam de elastografia passiva vocal. "A propagação destas ondas nos dá informações sobre as propriedades mecânicas dos tecidos moles", diz Beuve.

O pesquisador explica que, como a elasticidade dos tecidos biológicos depende da velocidade das ondas, ao pedir a um

voluntário para cantar e manter um som "eeee" em 150 hertz (um hertz equivale a um ciclo por segundo), o grupo foi capaz de caracterizar a tiroide e encontrar anormalidades nas áreas rígidas. Um dos principais benefícios da técnica é a sua rapidez e facilidade. Não requer nenhum equipamento complexo e só precisa de cerca de um segundo de aquisição de dados para ser concluído. Analisar os dados é a etapa mais longa, mas um programa de computador que a equipe desenvolveu faz o cálculo automaticamente.

 
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