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Dos efeitos colaterais ao tempo de duração, conheça os diferentes contraceptivos femininos


Mulheres podem escolher entre os diferentes métodos contraceptivos
Mulheres podem escolher entre os diferentes métodos contraceptivos - Freepik/Banco de Imagens

As mulheres têm repensado cada vez mais a maternidade. Uma pesquisa feita no Brasil pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) em parceria com a farmacêutica Bayer,

mostrou que 37% das brasileiras não querem ter filhos. O mesmo levantamento foi feito em 11 países com 7 mil mulheres e apontou que a parcela da população que deseja engravidar, tem postergado o momento: 72% delas não pretendem engravidar no período entre três e cinco anos.

Por outro lado, a adesão feminina aos anticoncepcionais está em queda. Os motivos são variados: efeitos colaterais como dor de cabeça e redução da libido, necessidade de uso diário, risco de trombose e até mesmo o desejo por autoconhecimento. "Hoje, a mulher busca por métodos que ofereçam segurança, efeitos colaterais menores e que se encaixem no seu dia a dia", explica a ginecologista obstetra Ana Claudia Afonso Ramos.

Descompasso

Da década de 1960, quando o primeiro anticoncepcional feminino da história foi lançado, passando por alternativas como o anel vaginal e o adesivo transdérmico, até os métodos mais modernos como os contraceptivos de longa ação - implante de etonogestrel e dispositivo intrauterino (DIU), o mundo experimentou um salto nas opções para a realização do planejamento familiar. "Houve um descompasso entre essa evolução e os índices de gravidez não planejada e o profundo impacto econômico e social que a falta de acesso a métodos anticoncepcionais eficazes traz para a vida das mulheres", explica o ginecologista Luis Guillermo Bahamondes, professor da Unicamp.

Além da tradicional pílula, são, pelo menos, mais seis opções de anticoncepcionais femininos com ou sem adição de hormônios. O problema é que não existe um método 100% eficiente e bom para todas. "Os mais comuns e mais utilizados são as pílulas, mas dependendo de uma boa avaliação caso a caso podemos oferecer outras opções à paciente", diz Ana Claudia.

"Não existe nenhum método 100% e as chances de falhar aumentam se a mulher tiver náuseas e vômitos, diarreia, tomar bebida alcoólica, esquecer ou tomar fora do horário. Alguns antibióticos, antidepressivos e antirretrovirais também podem cortar o efeito do anticoncepcional", explica o ginecologista Renato de Oliveira.

 

Se você tem planos de engravidar, deve ficar atenta. "Entre os anticonceptivos orais, a mulher deve escolher os orais de baixa dosagem e a cada dois anos deve parar por três meses para deixar o ovário funcionar", diz Edilberto de Araújo Filho, especialista em reprodução humana assistida e diretor do Centro de Reprodução Humana de Rio Preto. Para as que têm sintomas gástricos, os anticoncepcionais vaginais e os transdérmicos, segundo ele, são bastante eficientes. É importante sempre dar pausa pelo menos a cada dois anos e fazer ultrassom a cada seis meses para ver se os ovários não estão diminuindo muito de volume. "Os endoceptivos abaixo de progestogênio como o Mirena são opções para as pacientes que têm suspeita de endometriose, cólicas e que passam mal", complementa.

A sugestão é consultar regularmente o ginecologista para tratar qualquer infecção vaginal e evitar que ascendam bactérias pelo endoceptivo e causem problemas nas trompas. "Os anticoncepcionais injetáveis são os mais complicados do ponto de vista reprodutivo porque são de depósito. Depois da suspensão, a fertilidade demora a voltar", explica ainda. Segundo Araújo Filho, com o uso de anticoncepcionais orais de baixa dosagem, a fertilidade volta rápido.

 

Pílula: Normalmente, combina estrogênio e progesterona. Traz benefícios como regularidade do ciclo e redução de cólicas e de fluxo menstrual. Em contrapartida, pode gerar dores de cabeça, principalmente durante a pausa, redução da libido e requer disciplina e atenção, pois precisa ser tomada diariamente e pode falhar durante o uso de antibióticos;

Injeção: Em sua maioria, também combina estrogênio e progesterona. Traz benefícios semelhantes aos da pílula, mas demanda menor frequência de aplicação, com intervalos de um ou três meses. Além dos efeitos colaterais tradicionais do anticoncepcional oral, pode causar retenção de líquido, aumento do apetite, irregularidade menstrual e demora no retorno à fertilidade;

Adesivos: Em geral, têm como base estrogênio e progesterona. Oferecem benefícios e efeitos colaterais semelhantes a pílula e injeção. Algumas particularidades podem dificultar o uso: precisa ser trocado a cada sete dias, não é transparente, pode ser notado dependendo da roupa e do local de aplicação, e também pode descolar antes do prazo. Em contrapartida, é um ótimo método para quem tem problemas gástricos, pois sua absorção se dá pela pele;

Anel vaginal: Também combina estrogênio e progesterona e apresenta benefícios e efeitos colaterais semelhantes aos anteriores. Mas, assim como o adesivo, tem algumas particularidades de uso. O anel de silicone requer atenção especial ao horário de inserção e retirada, pois com três horas de atraso já há comprometimento da contracepção. Apesar de ficar posicionado dentro da vagina, ao alcance do dedo indicador, não costuma causar desconforto ou ser sentido na relação sexual, mas pode escapar durante a penetração ou o uso de absorventes internos;

Implante: À base apenas de progesterona, traz benefícios e efeitos colaterais semelhantes aos outros métodos contraceptivos, mas se enquadra em uma categoria diferente, chamada de contraceptivos reversíveis de longa duração - ao lado dos DIUs. É um pequeno bastão de plástico que fica embaixo da pele, geralmente no braço, e libera o hormônio de forma gradativa. Entre as principais vantagens está o tempo de duração- de até três anos, e a baixa necessidade de revisão médica;

DIU hormonal: Composto somente por progesterona, tem como principais benefícios a redução ou o desaparecimento completo do fluxo e das cólicas. Além disso, tem duração de até cinco anos, mas precisa ser implantado pelo médico em consultório ou centro cirúrgico. Requer acompanhamento regular com o ginecologista para garantir seu posicionamento e eficácia. É preciso fazer uma revisão anual;

DIU de cobre: Não apresenta adição de hormônios. Esse tipo de DIU é composto por uma estrutura de plástico e um fio de cobre que, ao ser posicionado no colo do útero, causa uma pequena inflamação que dificulta a mobilidade e passagem dos espermatozoides, bem como a implantação do óvulo no útero. Entre os benefícios estão o tempo de duração, de até dez anos, a inexistência de hormônio e a possibilidade de uso mesmo durante a amamentação. Pode causar aumento do fluxo e das cólicas.

Fonte: Ana Claudia Afonso Ramos