A cura pela mente

Saúde emocional

A cura pela mente

Ciência mostra que placebo reduz estresse, mesmo que as pessoas saibam que tratamento não é real


Estudo mostra que placebos fazem bem à saúde emocional
Estudo mostra que placebos fazem bem à saúde emocional - Pexels/Banco de imagens

A ciência já mostrou que muita gente costuma se sentir melhor após um tratamento sem ingredientes ativos só pelo fato de acreditar que estão tomando é real, o conhecido efeito placebo. Mas qual será o verdadeiro poder da mente?

Uma equipe de pesquisadores da Michigan State University (MSU) e do Dartmouth College, nos Estados Unidos, tornou-se a primeira a demonstrar que, mesmo que as pessoas estejam cientes de que seu tratamento não é "real", acreditar que ele é capaz de curar pode levar a mudanças na forma como o cérebro reage às informações emocionais. As novas descobertas publicadas na edição mais recente da revista Nature Communications testaram a eficácia dos placebos quando uma pessoa sabe que os está tomando para reduzir a atividade emocional do cérebro.

O efeito placebo original é baseado no engano. Geralmente, as pessoas que recebem têm a impressão de que estão tomando medicamentos de verdade. Para este estudo, porém, os pesquisadores disseram aos participantes que eles tomariam placebos. Mesmo assim, estes ainda reduziram os níveis de estresse e sofrimento emocional entre os participantes, tanto consciente quanto neurologicamente.

Não importa se um paciente sabe que tudo o que está tomando é uma pílula de açúcar sem benefícios médicos reais; se essa pessoa acredita que a pílula de açúcar vai ajudá-lo, então o fará. "Basta pensar: e se alguém tomasse uma pílula de açúcar sem efeitos secundários duas vezes por dia depois de assistir a um pequeno vídeo convincente sobre o poder dos placebos e sentisse uma redução do estresse como resultado?", diz Darwin Guevarra, pós-doutorado da MSU e autor principal do estudo. "Estes resultados levantam essa possibilidade."

"Placebos têm tudo a ver com 'mente sobre a matéria", refere Jason Moser, coautor do estudo e professor de psicologia da MSU. "Em vez de prescrever uma série de medicamentos para ajudar um doente, pode dar-lhe um placebo, dizer que pode ajudar e se acreditarem que pode, então vai mesmo ajudar."

Tudo começa na mente. Não só a doença. A inteligência dá vida e a crença em si altera a biologia. A mente tem um poder infinito de cura. Essa é a mensagem do documentário Heal - O Poder da Mente, que fez sucesso na Netflix, e evidencia a forte ligação entre a psique e a saúde física. "O pensamento positivo é realmente transformador. As curas espirituais e o efeito placebo são exemplos clássicos de como o cérebro funciona e pode ser condicionado a favor da reabilitação e da saúde. Basta querer, se permitir, imaginar", explica o escritor e publicitário André Castilho no livro "Janela de Isabela".

A interpretação no documentário é que o corpo humano é um sistema inteligente, e conectado com nossas mentes, e com o mundo a nossa volta e incrivelmente desenhado para se autorregular e curar. "As emoções corpo-mente, relacionamentos, experiências sensoriais, som, toque, visão, todos esses sentimentos são janelas para nossa farmácia interna", diz o médico e escritor indiano Deepak Chopra.

Para testar placebos, os pesquisadores mostraram a dois grupos separados de pessoas uma série de imagens emocionais em dois experimentos. Os membros do grupo do placebo leram sobre os efeitos destes e foram orientados a inalar um spray nasal de solução salina. Eles foram informados de que o spray nasal era um placebo que não continha ingredientes ativos, mas que ajudaria a reduzir seus sentimentos negativos se eles acreditassem que sim. Os membros do grupo de controle de comparação também inalaram o mesmo spray de solução salina, mas foram informados de que o spray melhorava a clareza das leituras fisiológicas que os pesquisadores estavam registrando.

O primeiro experimento descobriu que os placebos reduziram o sofrimento emocional relatado pelos participantes. É importante ressaltar que o segundo estudo mostrou que os placebos reduziram a atividade elétrica do cérebro, refletindo o quanto a pessoa sente angústia em relação aos eventos emocionais, e a redução da atividade cerebral emocional ocorreu em apenas alguns segundos.

"Essas descobertas fornecem suporte inicial de que os placebos não são apenas um produto do viés de resposta - dizendo ao experimentador o que eles querem ouvir - mas representam efeitos psicobiológicos genuínos", disse Ethan Kross, co-autor do estudo e professor de psicologia e gestão da Universidade de Michigan.