Engasgos recorrentes

Terceira idade

Engasgos recorrentes

Tosse e dor ao engolir também são sinais que inspiram cuidados e indicam disfagia


O ideal é fazer alimentação sentado, em ritmo e velocidade seguros
O ideal é fazer alimentação sentado, em ritmo e velocidade seguros - Freepik/Banco de Imagens

Nem todo mundo já ouviu falar, mas a condição é mais comum do que se imagina e pode ocorrer em diferentes fases da vida. Trata-se da disfagia - dificuldade para engolir alimentos ou líquidos que, em alguns casos, está associada a presença de tosse e engasgos. "No caso dos idosos, as chances de disfagia são ainda maiores, uma vez que algumas mudanças geradas pelo envelhecimento - como a perda de força muscular, a redução da velocidade ao mastigar, a precisão e coordenação dos movimentos, podem provocar a dificuldade para engolir", explica a fonoaudióloga Sandra Lia Petit Marchi.

O distúrbio pode levar a um aumento das chances de pneumonia aspirativa (causada pela entrada de alimento no pulmão); aumento do tempo de internações - devido à desnutrição e à desidratação; o desinteresse por alimentos; a debilitação da saúde de modo geral; e a consequente perda da qualidade de vida.

O processo natural da mastigação envolve diversas etapas neuromotoras comandadas pelo cérebro de maneira autônoma. "Algumas funções podem ser prejudicadas por distrofias musculares, cânceres e doenças neurológicas, como derrames, traumas no crânio e doenças degenerativas, por exemplo", explica a geriatra Patrícia Amante.

Engasgos recorrentes, tosse, dificuldade para engolir, demora no tempo da refeição, rouquidão após as refeições, falta de ar e de apetite são alguns dos sinais que muitas vezes passam despercebidos na hora da alimentação, porém podem indicar muito mais do que pequenos incômodos.

"As alterações na deglutição dos pacientes iniciam-se com queixa de engasgos durante a ingestão de alimentos, principalmente líquidos. O ato aparentemente simples como engolir um comprimido de medicação nem sempre é fácil para esses pacientes", explica o neurologista Paulo Caramelli. Fazer o comprimido percorrer a faringe e o esôfago com precisão, exige coordenação e força muscular.

"Esse quadro não significa propriamente uma doença, mas um sintoma de que alguma alteração pode estar ocorrendo no organismo. Se negligenciada, esta condição pode levar a complicações sérias de saúde devido ao deficit de nutrientes importantes no organismo", diz a médica.

"Se presenciar alguém engasgando, nunca ofereça água nem coloque o dedo na garganta da pessoa. Deixe-a tossir e, caso você não seja treinado para realizar os primeiros socorros, procure rapidamente alguém habilitado", diz a fonoaudióloga Sandra Lia Petit Marchi.

Aos primeiros sinais do incômodo é normal que o idoso deixe de comer determinados alimentos mais duros como as carnes ou mais fibrosos como produtos integrais, verduras e legumes crus. Isso resulta em menor oferta de proteínas, carboidratos complexos, fibras e outras vitaminas essenciais para manutenção da massa muscular, da energia e do funcionamento de órgãos essenciais como o intestino. "As maiores preocupações são a desnutrição e a desidratação decorrentes das mudanças alimentares. Esses pacientes precisam de uma dieta adaptada para evitar possíveis complicações", diz a geriatra Patrícia Amante.

Com orientação médica que avaliará o grau da disfagia do paciente, é possível adequar os nutrientes necessários, de acordo com a consistência ideal dos alimentos para evitar complicações. O tratamento também inclui exercícios realizados por um fonoaudiólogo, para melhorar a deglutição.

  • Dificuldade de mastigar, preparar e manter o alimento dentro da boca;
  • Sensação de alimento parado na garganta;
  • Demora no tempo de refeição;
  • Tosse durante ou após a refeição;
  • Voz alterada com sensação de líquido ou rouquidão;
  • Engasgos constantes;
  • Falta de ar iniciada durante a refeição;
  • Perda significativa de peso.

Fonte: Patrícia Amante, geriatra

 

  • Alimente-se sempre sentado, em ritmo e velocidade seguros;
  • Evite distrações enquanto se alimenta;
  • Procurar não conversar enquanto está comendo;
  • Mantenha a atenção durante as refeições;
  • Evite assistir televisão, ouvir rádio ou permanecer em um ambiente barulhento.

Fonte: Sandra Lia Petit Marchi, fonoaudióloga