De olho na respiração

Criança e adolescente

De olho na respiração

Respirar pela boca pode comprometer o desenvolvimento das crianças


O diagnóstico precoce é importante para evitar alterações de face, fala e dentição
O diagnóstico precoce é importante para evitar alterações de face, fala e dentição - Pexels/Banco de imagens

Seu filho respira pela boca? A condição conhecida como respiração oral pode comprometer o desenvolvimento deles. O diagnóstico precoce é importante para evitar alterações de face, fala e dentição. Segundo a otorrinolaringologista pediatra Renata Garrafa, isto promove a qualidade de vida, melhora o desenvolvimento da criança e evita as alterações que podem exigir tratamentos ortodônticos e fonoterápicos.

"Apesar da respiração ser um processo natural do nosso corpo, muitas pessoas não conseguem respirar bem. Isso se deve a pouca consciência do processo e a outros problemas", explica a fisioterapeuta Fernanda Giannella.

A respiração oral não é caracterizada como uma doença, mas como um reflexo de condições que estabelecem a obstrução nasal crônica. O padrão respiratório oral pode ocasionar alterações craniofaciais (ósseas e musculares), nas arcadas dentárias, na postura corporal, dietéticas, no crescimento/desenvolvimento, distúrbios do sono com alterações cognitivas e piora na qualidade de vida.

"Crianças com respiração oral podem apresentar alterações ortodônticas e de desenvolvimento facial. Quanto antes tratadas, menor o impacto", explica a otorrinolaringologista Maura Neves. 

Atenção aos sinais

A criança que respira pela boca pode apresentar sintomas como ronco, sono agitado, flacidez da musculatura labial e da língua, lábios ressecados, respiração barulhenta e alterações de mordida e fala. "Os pais devem suspeitar ao notarem a criança dormindo com a boca aberta ou assistindo à TV (quando mais velhos) com os lábios entreabertos", diz Maura Neves.

Principais causas

As principais causas de respiração oral nas crianças são rinite e hipertrofia de adenoide. "O tratamento precoce é importante, pois a respiração oral pode gerar problemas como mordida cruzada, palato ogival (má formação do céu da boca), projeção dos dentes, entre outros", diz Maura Neves. Caso as alterações já existam, será preciso recorrer a outros tratamentos associados ao otorrino.

"É possível parar de respirar pela boca, mas, às vezes, é necessário tratamento adjuvante com fonoterapia para fortalecimento de lábios e língua. Também é preciso excluir outras causas de respiração oral como língua grande (comum em Síndrome de Down), retrognatia (anomalia da mandíbula inferior) e hipotonia de lábio e musculatura perioral (lábios e bochechas flácidos)", diz ainda Maura.

O tratamento contra hipertrofia acentuada de adenoide - uma das causas da respiração oral - envolve procedimento cirúrgico. Se o problema, no entanto, é causado por rinite, o tratamento costuma contemplar diferentes especialidades.