De olho na pressão

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Homens com renda mais alta têm maior probabilidade de desenvolver hipertensão


Estudodiz que homens com maior renda precisam melhorar seu estilo de vida para evitar a hipertensão
Estudodiz que homens com maior renda precisam melhorar seu estilo de vida para evitar a hipertensão - Pexels/Banco de imagens

Um estudo apresentado há poucos dias na 84ª Reunião Científica Anual da Sociedade Japonesa de Circulação (JCS 2020) mostrou que homens com renda financeira mais alta precisam melhorar seu estilo de vida para evitar a hipertensão arterial, a chamada pressão alta.

É o que afirma Shingo Yanagiya, da Escola de Medicina da Universidade Hokkaido, no Japão, principal autor do trabalho. Segundo o estudo, homens japoneses que trabalham durante o dia e ganham 10 milhões ou mais de ienes (cerca de 80 mil euros) por ano têm o dobro do risco de desenvolver pressão alta em comparação com os seus pares de salário mais baixo. Para chegar a esta conclusão, Yanagiya e a sua equipe analisaram os rendimentos e a pressão arterial de 4.314 trabalhadores, homens e mulheres - com empregos diurnos durante dois anos.

A hipertensão arterial é uma doença crônica caracterizada pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias. Acontece quando os valores máximo e mínimo são iguais ou ultrapassam os 140/90 mmHg (ou 14 por 9), fazendo com que o coração exerça um esforço maior do que o normal para fazer a distribuição do sangue.

Mais de 60 milhões de pessoas têm pressão alta em todo o mundo. Entre 30% a 45% dos adultos são afetados, índice que aumenta para mais de 60% entre as pessoas com mais de 60 anos. "A pressão alta é uma doença relacionada com o estilo de vida. Como médico atendendo a estes doentes, eu queria saber se o risco varia de acordo com a classe socioeconômica para nos ajudar a concentrar os nossos esforços de prevenção", explica Yanagiya.

Mal da vida moderna

A hipertensão arterial afeta 36 milhões de brasileiros adultos e pode causar danos nas paredes das artérias, o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares fatais como infarto e derrame. "A hipertensão está direta ou indiretamente ligada a, pelo menos, 50% das mortes causadas por doenças cardiovasculares no País e tem como importantes fatores de risco o aumento da idade, obesidade, sedentarismo e ingestão excessiva de sal e de álcool, além da herança genética", explica o cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni.

O cardiologista Jairo Lins Borges, do Departamento de Cardiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que o aumento da hipertensão está ligado aos hábitos de vida e também aos aspectos demográficos do País. "O profissional brasileiro tem desempenhado um trabalho cada vez mais intelectual e sedentário, combinado à alimentação industrializada. Com o envelhecimento, a tendência ao ganho de peso é maior, o que aumenta o risco", afirma Borges.

"Em diabéticos ou pacientes com maior risco de doença cardiovascular, níveis mais baixos podem ser considerados como pressão alta", explica o cardiologista Pedro Gabriel Melo. Segundo o especialista, em caso de diagnóstico de hipertensão leve num paciente com risco baixo pode ser iniciada apenas a mudança no estilo de vida e, se não for suficiente, deve-se iniciar o uso de medicamentos específicos. Nos casos de hipertensão acentuada ou alto risco cardiovascular, é necessário o uso de medicamento desde o início.