Idoso em casa com mais segurança

Terceira idade

Idoso em casa com mais segurança

Alguns cuidados podem evitar acidentes no período de isolamento


Com o isolamento, muitos idosos intensificam também os afazeres domésticos
Com o isolamento, muitos idosos intensificam também os afazeres domésticos - Pixabay/Banco de Imagens

o isolamento e o aumento de atividades dentro de casa, somados à instabilidade emocional e alto nível de ansiedade por conta da pandemia de coronavírus, aumentam os riscos de acidentes com os idosos. Dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia mostram que 60% dos idosos acima de 65 anos sofrem uma queda pelo menos uma vez por ano, que podem ocasionar danos leves, moderados ou graves. "Desses, em torno de metade ocasiona em algum tipo de lesão e, aproximadamente, 5% resultam em fraturas muitas vezes graves", explica o ortopedista Rodrigo Vetorazzi.

É comum situações onde o idoso, para enfrentar a quarentena, passa por uma mudança de domicílio, alteração da rotina e alteração na familiaridade com o espaço e obstáculos como tapetes e móveis, existentes na nova casa. "Questões emocionais associadas a essa condição também podem elevar tal risco", explica Vetorazzi.

Entre as quedas resultantes em fraturas, as de fêmur estão entre as mais comuns. Esta costuma ocorrer na porção superior do osso, próxima à bacia e, além de difícil recuperação nos idosos, o paciente geralmente tem que se submeter a procedimentos cirúrgicos.

Com o isolamento, muitos idosos começam também a intensificar as atividades caseiras: "Pequenos consertos, mudanças de móveis, reformas, exercícios físicos sem orientações, ajuda em demasia aos parceiros, além de uma permanência maior nas dependências da cozinha, transformando suas casas num lugar perigoso", explica a terapeuta ocupacional Syomara Cristina Szmidziuk.

As quedas de idosos ocorrem por diversos fatores intrínsecos como a redução da acuidade visual, tonturas e distúrbios do equilíbrio, lesões do sistema nervoso, doenças dos ossos, entre muitos outros. Já entre os fatores extrínsecos o médico cita as condições dos pisos, iluminação, móveis, calçados e até órteses mal adaptadas. "É de fundamental importância que o ambiente de convivência do idoso seja seguro e bem iluminado. Até adaptações em banheiros e outros cômodos devem ser realizadas, se assim houver necessidade", explica o médico.

Evite internações

Toda e qualquer situação que exija a internação é de extrema preocupação. Na terceira idade, devido à fragilidade dessa população, os riscos como infecções hospitalares, por exemplo, crescem consideravelmente. "Hábitos saudáveis, como alimentação e atividade física, e visitas constantes ao geriatra e ao ortopedista podem ajudar na prevenção dessas quedas, evitando as internações prolongadas e suas futuras complicações", diz Rodrigo Vetorazzi.

Cozinha

  • Tome cuidado ao manusear vidros, facas, panelas e fogão. Também redobre a cautela ao cortar alimentos;
  • No fogão, certifique-se de que as chamas e o forno foram apagados. Cuidado com chaleiras e panela de pressão, onde o cozimento é mais demorado, pois a tendência de esquecê-los é maior;
  • Mantenha o chão sempre seco, especialmente em frente a pia. Se possível, coloque adaptadores para direcionar a água das torneiras, e assim evitar pisos molhados;
  • Tapetes são sempre os vilões da terceira idade; prefira emborrachados em frente à pia ou use fita adesiva para a fixação;
  • Mantenha os alimentos diários na altura em que o idoso possa alcançar. Deixe as prateleiras mais altas para objetos de pouquíssimo uso, para que ele não suba em cadeiras ou banquinhos;
  • Verifique sempre a iluminação da cozinha ou da casa, e oriente para que o idoso não suba em escadas para a troca de lâmpadas. Caso uma lâmpada queime, instrua para que espere alguém mais jovem para auxiliá-lo;
  • Panelas pesadas, louça na pia ou animais na cozinha são desaconselháveis - com o cheiro de comida, eles ficam mais agitados e podem derrubar ou atropelar seus donos;

Quarto

  • Os tapetes também são os vilões. De preferência, retire-os;
  • Deixe a passagem entre o quarto e o banheiro o mais livre possível;
  • Coloque uma luminária ou interruptor ao lado da cama e explique ao idoso que, mesmo que ele ache que irá incomodar o seu parceiro ao acendê-la no meio da noite, trará maior segurança aos dois;
  • Nada de usar chinelos de pano ou Crocs, pois eles seguram os passos da marcha, causando quedas. Sapatos com solados emborrachados e firmes são mais indicados;
  • As camas devem ter altura que facilitem a subida e a descida;
  • Não deixe fios e cabos soltos. Aproveite a pandemia e fixe tudo com fixadores. Existem vários modelos no mercado, inclusive colantes;
  • De preferência, fixe o criado-mudo, pois é onde o idoso se apoia em caso de desequilíbrio;
  • Se possível, coloque barras ao lado da cama. Assim, o idoso terá melhor apoio para se levantar;

Sala

  • Não deixe móveis soltos. Cuidado com pufes e banquinhos;
  • Evite mantas e cobertas nos sofás;
  • Apoie-se no braço do sofá ao se levantar ou sentar;
  • Evite sofás muito macios para que o idoso não afunde. Abuse das almofadas ou apoios anatômicos. São bons para aliviar dores na coluna;
  • Se houver escada na casa, sinalize com fitas antiderrapantes. Se possível, coloque barras nas escadas;

Banheiro

  • Retire os tapetes de banheiro e sempre opte por tapetes e passarelas emborrachados. De preferência, deixe as áreas livres;
  • Retire qualquer objeto que possa ser derrubado da bancada da pia e deixe apenas o sabonete;
  • Fixe barras de apoio no box do chuveiro e ao lado do vaso sanitário;
  • Coloque a lixeira ao lado do vaso, assim como o suporte de papel higiênico;
  • Quando necessário, use cadeiras de banho.