Já fez o teste de hepatite C?

Saúde

Já fez o teste de hepatite C?

Diferentemente das outras doenças, sintomas demoram a aparecer


Sintomas da hepatite C demoram muitos anos para aparecer
Sintomas da hepatite C demoram muitos anos para aparecer - Freepik/Banco de Imagens

Estima-se que entre 500 mil e 600 mil brasileiros tenham hepatite C e ainda não sabem. E, apesar do número, a população desconhece as formas de contágio que podem acontecer até com uma simples visita à manicure ou ao podólogo. A doença é causada pelo vírus C (HCV). Estima-se que até 3% da população mundial pode ter tido infecção por esse vírus, o que corresponde a 185 milhões de pessoas. No Brasil, a prevalência na população é em torno de 1,4% a 1,7%, principalmente entre os maiores de 45 anos.

"Diferentemente dos demais vírus causadores de outras hepatites, o da hepatite C causa uma infecção com poucos sintomas em sua fase aguda. Assim, o diagnóstico precoce é dificultado. As pessoas que se infectam tornam-se portadoras de hepatite crônica e os efeitos adversos surgem a longo prazo", explica a médica Ana Claudia Silveira de Castro.

Sintomas não são claros

Apenas 25% a 30% por cento dos infectados apresentam, na fase aguda, sintomas de doença que pode manifestar-se por queixas inespecíficas como letargia, mal-estar, febre, queixas gastrintestinais como perda de apetite, náusea, intolerância ao álcool, dores na zona do fígado ou a indicação mais específica, a icterícia. "Muitas vezes, as manifestações não são claras, podendo-se assemelharc com as de uma gripe. O portador crônico do vírus pode não ter qualquer sintoma, sentir-se saudável e, no entanto, estar desenvolvendo uma cirrose ou um câncer hepático", diz Ana Claudia Silveira.

Câncer no fígado

O vírus invade o organismo na surdina, pode permanecer silencionamente e o primeiro sinal pode ser uma cirrose ou um câncer no fígado. Este pode ficar até 40 anos no organismo sem que qualquer sintoma seja notado. A boa notícia é que um simples exame com uma furadinha no dedo pode esclarecer essa dúvida e, se detectada no início, aumentam as chances de cura.

"Essa é razão da grande insistência da Organização Mundial da Saúde, do Ministério da Saúde, da Sociedade Brasileira de Infectologia e da Sociedade Brasileira de Hepatologia para que todas as pessoas com mais de 40 anos façam o teste para detectar a doença", diz o infectologista José David Urbaez. Até os anos 1980, o Brasil teve a sua transmissão que começou a cair com o surgimento da Aids e, consequentemente, com a melhora das práticas hospitalares, farmacêuticas e odontológicas. "O problema atualmente não é a transmissão e, sim, identificar as pessoas que possuem o vírus para que possam ser tratadas e evitar que a doença evolua para estágios mais avançados", diz.

A doença: O vírus invade o organismo na surdina e fica muito tempo no fígado. Em longo prazo, pode provocar até tumores;

A transmissão: Dá-se, dentre outras formas, por meio de sexo sem camisinha, transfusão de sangue, compartilhamento de material para uso de drogas, objetos como lâminas de barbear e depilar, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam na confecção de tatuagem e colocação de piercings;

Tratamento: Alguns comprimidos são prescritos durante três a seis meses para impedir que o vírus continue se replicando. As drogas conseguem eliminar o vírus em mais de 90% dos casos,
segundo o Ministério da Saúde.