Realidade virtual contra as dores crônicas

Saúde

Realidade virtual contra as dores crônicas

Pesquisadores comprovam que assistir vídeos com imagens geladas ajudam no combate à dor


Estudo mostra que imersão em imagens virtuais de frio melhoram dor
Estudo mostra que imersão em imagens virtuais de frio melhoram dor - Pexels/Banco de imagens

Quase todo mundo já experimentou a sensação de dor em algum momento da vida. E se você já passou dos 60 anos, a probabilidade de apresentar quadros dolorosos é ainda maior, principalmente a dor em sua forma crônica. A dor aguda é aquela que dura menos de 30 dias e a crônica é aquela que se estende por um período maior. Segundo a fisioterapeuta e especialista em Pilates, Walkiria Brunetti, a dor crônica afeta de forma significativa a qualidade de vida, pois pode reduzir a mobilidade, levar a quadros de ansiedade e depressão, à incapacidade, entre outros prejuízos. "Nas pessoas que já passaram dos 60 anos, as dores na coluna e nas pernas são as mais comuns", explica.

A terapia com a realidade virtual já é muito utilizada no Exterior como uma poderosa ferramenta imersiva no combate à dor e à ansiedade. Aqui no Brasil seu uso ainda é recente, mas vem se expandindo, cada vez mais, demonstrando que ela veio para revolucionar a área medicinal. "A tecnologia consiste em realizar (com o uso de um óculos especial) uma imersão completa do usuário num espaço virtual simulado, com ou sem a sua interação, induzindo efeitos visuais, sonoros e até táteis", explica Fabio Costa, CEO de uma empresa que atua na área.

Alívio da intensidade

Um dos mais recentes e curiosos estudos mostram que assistir a vídeos em realidade virtual com cenas geladas do Ártico, por exemplo, ajuda a aliviar a intensidade da dor e pode vir a ser uma esperança para o tratamento. Cientistas do Imperial College London, na Inglaterra, descobriram que o uso de equipamento de realidade virtual pode ajudar a combater o aumento da sensibilidade à dor. A ideia é imergir os pacientes em cenas de icebergues, oceanos e paisagens geladas.

Os pesquisadores acreditam que a realidade virtual pode vir a ser uma arma no tratamento de pessoas com dor crônica que geralmente têm sistemas de combate ineficientes, sugerindo que se pode tornar uma terapia alternativa complementar em alguns casos, melhorando a atividade nas regiões do cérebro envolvidas nos sistemas de alívio da condição.

No estudo publicado no periódico Pain Reports os pesquisadores usaram um vídeo de realidade virtual para avaliar a pontuação das pessoas em relação à dor contínua percebida, bem como a sua sensibilidade a estímulos dolorosos. As descobertas aumentam as evidências crescentes do potencial desta tecnologia para ajudar quem sofre de dor crônica. Além do efeito de distração que provoca, a imersão dos doentes em realidade virtual pode realmente acionar os próprios sistemas de combate à dor do corpo, reduzindo a sua sensibilidade a estímulos dolorosos e diminuindo também a intensidade.

"Uma das principais características da dor crônica é que se obtém maior sensibilidade a estímulos dolorosos. Isso significa que os nervos dos doentes disparam constantemente e informam ao cérebro que se está num estado de dor elevado", explica Sam Hughes, autor do artigo. O estudo sugere que a realidade virtual pode interferir com os processos no cérebro, tronco cerebral e medula espinhal, que são conhecidos por serem elementos-chave dos sistemas de combate à dor. "Estes são fundamentais para regular a propagação de uma maior sensibilidade à dor", escreveu ainda.

A realidade virtual foi testada como um método para distrair os doentes da dor, com algum sucesso em procedimentos odontológicos menores que requerem anestesia local. Mas este estudo procurou verificar se podia funcionar num modelo simulado de dor crônica. No estudo- feito com 15 voluntários saudáveis, foi aplicado um creme tópico na pele da perna, contendo capsaicina, o composto que produz a picância das pimentas e que faz a boca arder. Isto deixou a pele mais sensível a estímulos dolorosos (um choque elétrico muito pequeno) e imitando a sensibilidade aumentada de pessoas com dor crônica. Os voluntários classificaram a dor causada pelo creme em uma escala de zero a 100, que variava entre "nenhuma sensação" até a "pior dor imaginável" enquanto assistiam a uma cena em realidade virtual sobre exploração do Ártico ou apenas olhando para uma imagem estática de uma cena gelada num monitor. Em seguida, eles tiveram de dizer quando um estímulo aplicado diretamente à área sensibilizada da pele era percebido como doloroso.

A constatação foi de que a dor foi reduzida após a imersão em realidade virtual, assim como que a sensibilidade a estímulos dolorosos na pele. O mesmo efeito não foi observado em pessoas que examinaram imagens estáticas do ambiente polar, mostrando que a imersão é o fator principal. Embora os resultados iniciais sejam encorajadores, o estudo é limitado pelo pequeno número de participantes saudáveis, sem dor crônica. Futuros ensaios clínicos randomizados com pessoas com dor crônica poderão ajudar a confirmar o seu potencial benefício.

  • Gerencie o estresse: A condição pode piorar a dor já instalada, pois causa tensão nos músculos. Procure maneiras para gerenciamento. Uma delas é fazer respirações profundas e demoradas; contar até dez e respirar é muito útil para se acalmar;
  • Durma bem: O sono é essencial para a recuperação do organismo. Procure dormir de seis a oito horas. Se você dorme e acorda cansado, procure um médico para avaliar se há algum distúrbio do sono;
  • Siga sua rotina: Não deixe a dor impedir você de viver. Procure, na medida do possível, continuar a sua rotina normal, sem se isolar

Fonte: Walkíria Brunetti, fisioterapeuta